Aposentadoria, algum tempo depois…

Ainda encontro colegas, que estão próximos de poderem se aposentar, que ficam naquele “vou ou não vou?” que é normal nessa fase da vida. Então resolvi voltar aqui no blog, para falar da minha vida de aposentado um ano e meio depois de me aposentar (aconteceu em fevereiro de 2013). Na época da aposentadoria, escrevi uma postagem falando da decisão, das minhas razões, vejam aqui.  Antes de prosseguir, um alerta: não esperem até a aposentadoria compulsória chegar, aos setenta anos de idade. Aposentem-se antes disso, voluntariamente, porque há perdas significativas na compulsória, vejam um artigo sobre o assunto aqui.

images (1)É fundamental que a gente se prepare para a aposentadoria. Eu comecei essa preparação uns cinco anos antes de atingir as condições de aposentadoria (60 anos de idade e 35 anos de contribuição, a soma tem que ser 95 ou maior). Fui esvaziando a sala na UFV, tirando livros e doando, jogando papel fora, limpando as estantes das tralhas acumuladas, etc. Também fui fazendo um planejamento flexível (isso existe?) e pensando no que fazer e, principalmente, no que não fazer.  As ideias mais perigosas são aquelas “quando me aposentar quero ir pescar com minha turma” ou “vou comprar uma caminhonete e vamos viajar o tempo todo”, e outras no gênero. Perigosas porque não são sustentáveis, a gente consegue fazer isso por algum tempo, mas depois cansa, outros compromissos aparecem, os causos já foram todos contados e repetidos até cansar, a turma vai raleando por vários motivos. Viajar é muito bom, mas tem que ter espaço entre as viagens, são cansativas (aeroportos são dureza) e custam caro, impossível ficar todos os anos restantes da vida viajando direto.

Ficar como professor voluntário no meu departamento na UFV foi uma boa decisão. Vou lá com alguma regularidade, duas ou três vezes por semana e somente por um período. Continuo as orientações de mestrado, participo de algumas reuniões da pós-graduação, meus alunos estão terminando as dissertações. E ainda tenho a diversão dos artigos que temos que publicar, isso toma tempo demais. Mas essa atividade não pode se estender por muito tempo, dois anos são mais que suficientes, no meu entendimento. É incrível como, nesse tempo de aposentado, já não conheço mais nenhum aluno de graduação, pois parei com as aulas de graduação. Com os alunos do mestrado eu tenho mais contato, mas aos poucos o afastamento é inevitável. Acho que com mais um ano, vou ser um desconhecido no departamento, quase um fantasma, e ai já está mesmo na hora de cascar fora definitivamente.

E cá fora, existe vida para o aposentado? Claro que sim, foi tudo bem pensado e preparado. Mas as oportunidades não aparecem assim do nada, no meio da noite. Tem que cavar bem o buraco, enquanto ainda na ativa. Não basta se aposentar e bater na porta das empresas, se oferecendo para desenvolver algum trabalho. Não vai colar de jeito nenhum, essa relação tem que começar bem antes, lembrem-se disto. Algumas atividades com empresas e com faculdades privadas da região preenchem um bom espaço no meu tempo, e por enquanto está muito bom. Sobra tempo para ficar tranquilo em casa conversando fiado quando quiser, para o Pilates, para fazer curso de espanhol que sempre quisemos fazer e nunca sobrou tempo,  para caminhadas, para tocar violão, para ir ao clube jogar um tênis quando a coluna deixa, para viagens que são ótimas, para ajudar com os netinhos que estão crescendo, para as leituras que são um grande e inesgotável prazer, quanto mais leio mais livro aparece para ler, etc. Por exemplo, este blog foi uma decisão acertada que  está no ar desde outubro de 2006 e é uma enorme diversão e desafio. Publicar artigos aqui requer leituras, busca de dados e de informações, busca de fontes de informação que possam ser fornecidas nas postagens, participar de redes de blogueiros e escritores, aprender a escrever direito e com estilo, etc. E todo mundo tem estórias e histórias para contar, basta criar coragem e começar o blog.  Estou me preparando agora para um vôo um pouco mais alto, mas ainda é uma ideia inicial, se vingar, vocês vão saber. E ainda falta o violão prá valer, não voltei completamente, o desafio de aprender a tocar blues ainda me persegue, vai ser resolvido em breve.

Como podem ver, não estou tendo uma vida muito fácil como aposentado! Os dias costumam ter atividades direto, desde a manhã até o final da tarde, uma depois da outra. Mas sempre dá tempo, no dia seguinte, de ficar tranquilo aqui no meu canto, escrevendo para o blog, lendo muita coisa interessante. A quantidade de cursos de excelente qualidade, gratuitos, que podem ser feitos via internet, é incalculável. Estou me mantendo atualizado com esses cursos, e em breve vou intensificar e aprender coisas novas em outras áreas, os cursos são muito bons. Tenho um tablet que ajuda bem com o acesso a internet, verificar email, redes sociais, leituras de notícias,  pois fica sempre por perto, e basta abrir a cobertura que ele já está no ar, não tem aquele tempo enorme dos notebooks e desktops para começar a funcionar. Também comprei um leitor digital de livros, no meu caso um Kindle Paperwhite, que se transformou num grande companheiro, com a vantagem de não encher mais ainda minhas estantes e de os livros serem mais baratos. Embora ainda leia os livros impressos, estou cada vez mais habituado com a leitura no Kindle. E com uma carga da bateria, dá para ler uns trinta dias, se desconectar da internet (wifi gasta muita bateria dele).  Detalhe: não é preciso comprar o Kindle, basta instalar o software no tablet ou no celular (se tiver uma tela de pelo menos 4.7″), e funciona do mesmo jeito. Outras marcas também têm o aplicativo para ser instalado, como o Kobo da Livraria Cultura e vários outros.

Concluindo: aposentadoria vai chegar em algum momento, e quanto mais tempo a gente demorar para tomar a decisão de pular fora, pior fica. Pois fica mais dificil o ajuste com a vida cá fora, a gente vai ficando mais restritivo (quer dizer, mais enjoado), e acaba deixando escapar as oportunidades.  E sair pela compulsória é mais complicado ainda, pois aos setenta anos, tudo fica mais dificil, os contatos já sumiram ou se aposentaram também, e a turma nova vai continuar firme no seu pé.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Reflexões, Social

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