Viagens e dicas

Estou de volta à ativa, depois de longa ausência. Mais uma viagem longa, proveitosa, descanso e sossegando a mente. Vou contando as estórias aqui, aos poucos para não encher a paciência de vocês. Vou deixar aqui algumas dicas, que vão se confirmando a cada viagem, podem ser valiosas. Viagens de avião, principalmente, são sempre cansativas, tomam muito tempo, e são cheias de oportunidades de algo dar errado. Rotina de aeroporto não é lá essas coisas, todo mundo tenso, com pressa, querendo chegar ou sair do aeroporto.

Nossas saidas de viagem sempre acontecem pelo aeroporto de Confins. Depois da reforma da Copa, que só foi terminada bem depois da Copa, é a primeira vez que voltamos lá para viajar. Muita mudança, todas cosméticas e externas. luggage-1Acesso aos estacionamentos, novos estacionamentos sendo construídos, área externa ampliada, mais locais para alimentação, essa parte melhorou um pouco. Mas, o que afeta mesmo o viajante, que é a área de checkin e esteira de bagagens, continuam sendo uma decepção. O checkin continua sendo aquela beleza de sempre, embolado no saguão, sem muita informação de orientação, nem todos os viajantes são experientes, uma boa parte é de primeira viagem. Isso não mudou nada, e considero um descaso com o que deveria ser o principal foco do serviço dos aeroportos, que são os viajantes ou passageiros, deveriam receber prioridade máxima. E tem jeito de melhorar e muito, os bons exemplos estão pelo mundo afora em bons aeroportos. Ficamos bem impressionados com a mudança que vimos, por exemplo, no aeroporto internacional JFK, em New York, no checkin da American Airlines.

Próximo passo, passar pela Polícia Federal, checagem de passaportes, e passar para o salão de espera para o embarque. Outra decepção, o salão internacional continua também a mesma coisa, pequeno, apertado, pouco conforto para quem vai ficar ali umas duas horas esperando a chamada de embarque para o vôo. Na volta, acontece o pior: o espaço onde ficam as esteiras de bagagem dos vôos internacionais é uma vergonha, continua a mesma coisa desde que Confins foi construído. Pequeno, lotado de gente que desce de cada vôo, a esteira é estreita e curta, e uma só para atender a todos os vôos internacionais. Um ou mais funcionários da Infraero tem que ficar tirando malas da esteira, deixando acumular em uma pequena área, para dar vazão ao monte de bagagens que circulam por ali. Maior parte dos viajantes está estressado, depois de várias horas dentro de avião, mudando de aeroporto e de vôo, o que todo mundo quer é sair logo dali e ir embora para casa, tomar um banho, e recuperar as forças. Próximo passo, passar pela fiscalização alfandegária que também tem pouco espaço em Confins, alguns passageiros são escolhidos (aleatoriamente?) para inspeção mais rigorosa. Mas não há estrutura para uma checagem mais bem feita, a maioria casca fora sem problema algum com a fiscalização.

Uma dica interessante é deixar para fazer conexões em aeroportos fora do Brasil. Por exemplo, quando vamos para os EUA, saimos de Confins direto para Miami, e lá fazemos imigração, pegamos a bagagem, passamos no controle alfandegário, fazemos o reenvio das mesmas, e embarcamos novamente em conexão para o destino final dentro dos EUA. Funciona muito bem, o aeroporto de Miami é muito bom, espaçoso, as coisas funcionam, as esteiras são enormes e tem um monte delas, muita eficiência, muita fiscalização e funcionários para ajudarem pelo menos em ingês e espanhol. Também a fila para passar na imigração anda rápido, não agarra. E as informações para direcionar os passageiros estão bem visíveis e em grande quantidade, não tem como errar, basta seguir o fluxo.  Depois  disto, ficar lá no aeroporto esperando  a conexão é até agradável, dentro do possivel. Muito conforto, muita coisa para ver, cafés, restaurantes, wifi, o tempo passa rápido.

Mas, porque essa dica maluca? As conexões nos aeroportos brasileiros, pelo menos os que conhecemos, Guarulhos, Galeão e Confins, são muito desconfortáveis. Falta informação, a gente fica perdido e tem que ficar perguntando a um ou outro, mesmo assim para não receber a informação adequada. E tem muita improvisação, por exemplo a fila para embarque em vôo internacional no Galeão era no meio do saguão de checkin internacional, uma muvuca total. E na volta é o caos, desembarcar do vôo internacional num desses aeroportos, passar na PF, pegar as malas, passar no controle de alfândega e reembarcar é infernal. A informação para reembarque não existe, tem que ficar perguntando, de repente aparece uma fila enorme com um ou dois atendentes, leva um tempão para esvaziar a fila, e todo mundo cansado, preocupado com o tempo para reembarcar que vai se esgotando,  e puto da vida com a demora e aparente descaso de quem está do lado de dentro do balcão. Aliás, isso é uma constante por aqui: quem está do lado de dentro do balcão das companhias é o rei do pedaço, e dane-se quem está na fila. Conversam, riem, tranquilos, e você está lá querendo ser atendido logo, reembarcar ou embarcar o mais rápido possivel, sumir com as malas e ir para a sala de espera. Essa empatia entre o funcionário e o passageiro não existe, nunca vi acontecer.

Terminando a dica, na volta ao Brasil, pegamos o vôo internacional no JFK em New York, por exemplo, embarcamos as malas e entramos no vôo internacional, fazendo mudança de vôo em Miami mas sem pegar as malas, só com a bagagem de mão e sem necessidade, portanto, de reembarcar. O destino final é Confins, e só lá é que vamos pegar as malas e cascar fora do aeroporto. A dica final: procure sempre embarcar direto para um destino fora do Brasil, e faça suas conexões por lá, na ida e na volta.  Como disse, viagens são cansativas, caras, a maioria dos passageiros faz algum sacrifício para pagar as passagens e juntar uma graninha para comprar uns dólares ou euros e poder dar uma volta lá fora. Será que não merecemos respeito? Sempre que viajamos, voltamos com a impressão de que, nos nossos  aeroportos, o passageiro é a peça menos importante. O aeroporto e seu funcionamento ficam mais importantes que seu objetivo, que são os passageiros.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Dicas, Viagens
2 comentários em “Viagens e dicas
  1. Ademilson disse:

    Daqui a alguns dias volto para o Brasil e passarei por isto… Que canseira…

  2. OK Zé Luiz, muito legal tuas observações e úteis também. Gostaria de sugerir um “tour” de dicas sobre aeroportos mundiais. Podemos começar pelo aeroporto de Goiabeiras de Vitoria, ES, Brazil. Gente, em tempos de “Petrolão”, podemos adicionar este ” ex goiabão” como mais uma vitima do propinoducto que vem infestando este país. Posso te passar algumas dicas, também os pouquinhos senão o pessoal vai assustar “dimais”.
    Um grande abraço
    STulio Cassini

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