Rua Curitiba, Centro, BH

Tivemos que ir ao centro de BH para pegar documentos no posto UAI da Praça Sete, exatamente cinco anos depois que fomos lá pela primeira vez, escrevi uma nota aqui no blog sobre o local e o serviço prestado.  Antes de continuar, reforço a impressão da nossa primeira visita: continua sendo um local com serviço de primeira qualidade, bom atendimento, horários marcados, senhas, triagem e pessoas para dar informação. A única diferença que percebemos nesses cinco anos, foi a quantidade de gente por lá, entupido de gente precisando dos serviços, mas nada caótico, tudo organizado, filas andam tranquilamente, triagem e senhas organizam tudo. Continuamos achando que o local merece elogios, o serviço idem, e pelo movimento, a PBH deveria abrir outro UAI no centro mesmo.

ruacuritiba-centro-bhBom, saimos de lá com os documentos prontos e na mão, sem atropelos, coisa de 20 minutos no máximo desde que chegamos. E ai fomos dar uma volta pela região, começando pela Galeria Ouvidor, que era o shopping da nossa época de estudantes em BH (inicio da década de 1970). Já tínhamos passado por lá pouco antes, continua com o mesmo aspecto, mesmo tipo de lojas, aquele cheiro de fritura, e um monte de gente circulando, transitando entre a rua São Paulo e a rua Curitiba.  Sempre foi assim, quem viveu BH nessa época, tem boas lembranças. Resolvi dar uma escapulida e fui para a Rua Curitiba, olhar um desejo antigo que eu tinha certeza que ia achar lá: um rádio de pilhas de duas faixas, bom, daqueles de levar para o estádio de futebol e jogar na cabeça dos torcedores adversários (hoje só jogam as pilhas, o rádio ficou caro e raro). Coisa de velho, não? Porque eu não uso meu celular e escuto as rádios nele, usando os aplicativos próprios? Simples, porque eu acho mais fácil e mais tranquilo usar o rádio mesmo, e o meu Sony companheiro antigo deixou de funcionar, sem recuperação.

A rua Curitiba, nas quadras entre as ruas dos Tamóios, Carijós  e Tupinambás, tinha um monte de lojas de eletrônicos, uma do lado da outra, nós estudantes de Engenharia Elétrica fazíamos a festa por lá, tinha de tudo. Componentes, equipamentos importados, medidores, alicates, fiação, ponteiras. Rodei, e não achei mais nada disso. Claro, eu esperava que alguma mudança tivesse ocorrido, mas não tanto. Só achei lanchonetes, restaurantes, lojas de eletrodomésticos das grandes redes, uma do lado da outra, mais de uma loja de cada uma das grandes redes naquele pequeno espaço do centro de BH (Rikardo Eletro, Casas Bahia, Magazine Luiza e PontoFrio). Nessas lojas, eu nem ouso perguntar se vendem rádio de pilha, os vendedores até riem, alguns ainda sabem o que é isso.

Mas, para onde foram as lojas de eletrônicos? Resposta óbvia: o centro da cidade voltou a ser atrativo, as grandes redes chegaram e se instalaram por lá, aluguel subiu demais  por causa da chegada das grandes redes que foram comprando ou alugando os espaços, os pequenos vão sendo empurrados para mais longe, onde conseguem se manter, e possivelmente foram parar nos shoppings populares, Oiapoque, Xavantes, UAI ou Tupinambás, ou então fecharam as portas.  O termo usado para essa movimentação urbana de ocupação de áreas empurrando os antigos moradores e pequenos comércios para mais longe é Gentrificação, vem do inglês Gentrification. Mas, a Americanas original  ainda continua lá no mesmo local, grande e lotada de gente como sempre foi. E a sapataria Americana original também, está firme na mesma esquina de Tupinambás com Afonso Pena. Pelo menos por enquanto.

O centro de BH mudou para melhor, a meu ver. Está mais valorizado, mais vigiado, muitas lojas como sempre, muitas linhas de ônibus passam por ali, serviços, bancos, muita gente circulando. Claro, também muito mais perigoso, tem que ter muita atenção e cuidado para andar por ali, tem muito esperto de olho num descuido seu para levar uma carteira, um telefone, uma bolsa ou seja lá o que for. Mas, BH continua sendo a nossa cidade do coração!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Reflexões, Social
2 comentários em “Rua Curitiba, Centro, BH
  1. daniellainacio disse:

    A Galeria do Ouvidor era meu lugar favorito quando criança. Eu ia uma vez ao ano com a minha mãe para que ela comprasse os adereços para fazer nossas fantasias de carnaval. E o que mais me encantava na época eram os salões que vendiam perucas de cabelo natural. Eu achava aquilo tudo mágico e mórbido ao mesmo tempo.
    Adorava!

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