Inovação e sobrevivência

indexMinha mais recente leitura em inovação foi o livro Crear o Morir!, escrito pelo jornalista Andrés Oppenheimer, lançado nos EUA no final de novembro de 2014. Apesar de eu já ter lido vários livros sobre inovação, e de já ter formado uma base em conhecimento no assunto, fui fisgado pelo livro desde o seu início. O forte do livro são as entrevistas com profissionais  que se dedicaram  à inovação e tiveram sucesso, apesar da origem humilde e das dificuldades por que passaram. Alguns conhecidos e outros nem tanto, as entrevistas do livro foram feitas pelo jornalista em seu programa sobre inovação na rede CNNEspañol. Gastón Arcurio (chef peruano), Pep Guardiola (jogador do Barcelona e mais tarde seu técnico bem sucedido), Salman Kahn (Kahn Academy), junto com vários outros, têm suas histórias contadas no livro.

Das entrevistas,  Andrés Oppenheimer extrai um padrão que parece comum a todos os entrevistados. A partir deste padrão, enuncia no capítulo final seus cinco segredos da inovação, que transcrevo aqui sem comentar: 1-Criar uma cultura de inovação; 2-Fomentar a educação para a inovação; 3-Acabar com as leis que impedem a inovação; 4-Estimular o investimento privado em inovação; 5-Globalizar a inovação. A discussão sobre esses cinco segredos é muito rica, com muitas dicas de leituras complementares e sitios web. Embora não sejam exatamente novidades, a forma como aparecem ao longo do livro a partir das entrevistas, é muito interessante e muito rica em conhecimento.

O futuro certamente é sem emprego, em que boa parte dos cidadãos terá que criar sua própria sobrevivência, a partir da inovação. Isso já está acontecendo, mas aqui na América Latina, onde os problemas econômicos tornam a sobrevivência e os horizontes dos jovens muito incertos e cheios de riscos sociais, não conseguimos vencer parte da cultura tradicional, do ensino modelo prussiano (a tradução não é muito boa) criado para manter os cidadãos subservientes e sem capacidade de crítica, lotados de provas e atividades que não deixam margem à criatividade.  Economias fracas, cultura anti-empresarial, escolas fracas, jovens desamparados,  governos fracos com raras exceções, ausência de políticas específicas e visão de longo prazo, é dificil inovar em um volume que faça a diferença. Vez por outra um jovem se sobressai, mas por esforço próprio, são casos raros e não são produto do sistema.  O livro mostra os caminhos que podem e devem ser seguidos para que a nossa triste realidade mude.

Na minha opinião, é leitura obrigatória para pais, educadores, gestores e formuladores de políticas educacionais, e até por políticos, quem sabe passam a prestar mais atenção na inovação e no que ela pode representar. O livro favorece a mudança, sem dúvida alguma.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Carreira, Economia, Educação, Inovação, Social
4 comentários em “Inovação e sobrevivência
  1. Marcio disse:

    Estamos muito distantes de ser uma sociedade inovadora. Como bem salientado a coisa é cultural e, portanto, só mudará daqui a decadas se comessássemos a agir agora. Veja o caso da Coreia do Sul. Infelizmente, como sequer iniciamos o processo não resta esperança que seremos inovadores no futuro.

    • infelizmente, é isso. os passos necessários não foram dados, e vamos perder a janela de tempo da inovação. quando nossos governantes acordarem, não teremos mais tempo para mudanças, vamos continuar no refrão do país agrícola, exportador de comida, e apenas isso…

  2. Evaldo disse:

    Vou ler, Zeluis. Muito importante relacionar inovação e desenvolvimento. Quando iremos entender isto em nosso país?!

  3. railer disse:

    como sempre, ótima dica!

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