Riscos em projeto de software: tecnologia

A recente chegada do Windows 10 aos computadores do mundo todo deixa os desenvolvedores de software para Windows de cabelo em pé. Com uma nova versão, eles ganham de graça várias necessidades de adaptação em produtos já existentes e em produtos em desenvolvimento. As temíveis solicitações de mudança em requisitos começam a pipocar e, sabidamente, elas são um enorme problema gerencial principalmente para desenvolvedores 400px-2012G4Slide20pequenos, mesmo que não sejam originadas por clientes externos. Mais trabalho, mais retrabalho, problemas com a rastreabilidade, novas versões de produto, controle de versões, retestagem e validação,  etc. Mesmo que, no caso presente, a MS garanta que o novo sistema é 100% compatível com as versões anteriores: ninguém acredita nisso, sempre aparece algum pepino, principalmente no que se refere a comunicação com servidores de controle e de dados (mais grave). Alguma incompatibilidade é fatal, vai acontecer. Imaginem então a empresa que tenha produto  desenvolvido para plataformas mais antigas como o Windows XP que ainda é muito usado no mundo todo, e que possivelmente tem  versões para Windows 7 e Windows 8. Tem que manter todas as versões ativas, e ainda fazer a migração para novas versões do sistema operacional.

Um outro exemplo recente foi o anúncio feito pelo Google,  de abandono da platorma Adobe Flash, substituindo-a definitivamente pelo HTML5 (por enquanto). A pressão começou pela Apple, e foi se espalhando, até chegar em Setembro de 2015 com a decisão do Google de parar de exibir páginas com conteúdo em Flash no seu navegador Chrome. E que vai ser seguida rapidamente pelos outros browsers, são conhecidos os problemas de compatibilidade e segurança causados pelo uso do Flash.  Como é um software proprietário da Adobe, também há uma questão de custos que, neste caso, não é o maior problema. E essa mudança afeta os desenvolvedores pequenos e microempresas, que têm no desenvolvimento de sites e páginas web uma fonte indispensável de recursos.

Como lidar com a mudança tecnológica, e evitar que ela jogue seu projeto no buraco? Os modelos de maturidade conhecidos, como por exemplo o mpsBR, incluem exigência de práticas de gerência de riscos. Como estabelece o resultado esperado GPR6 do processo de Gerência de Projetos, para o nível de maturidade G, que é o nível inicial: Os riscos do projeto são identificados e os impactos, probabilidade de ocorrência e prioridade de tratamento são determinados e documentados. Para operacionalizar esse controle básico sobre os riscos de projeto, devem ser seguidas as recomendações de implementação do PMBOK, que é o padrão internacional. Claro, apenas seguir as regras e recomendações não garante que seus projetos vão ficar blindados contra os riscos de mudança tecnológica, é necessário saber enxergar os principais pontos do projeto sujeitos a riscos de qualquer espécie, o risco de mudança tecnológica é apenas um dos possíveis. Quanto mais experientes a equipe e o gerente de projetos, mais fácil fica a identificação de riscos.

Bom, mas voltando ao assunto do Windows 10, suponha o cenário: sua empresa está desenvolvendo um projeto iniciado há pouco mais de um ano, e não tem o selo mpsBR, o que significa que ainda não adota práticas de gerência de riscos. As situações principais são: 1-quando foi feito o contrato de desenvolvimento, consta explicitamente dele que o software será produzido para a versão Windows XXX, não contemplando versões posteriores. Aí sua empresa está temporariamente salva (sim, porque uma nova versão Windows 10 vai ter que ser produzida, em algum momento); 2-não consta do contrato a versão do sistema operacional a ser atendida, significando que sua empresa pode ter que fazer a migração. Por sorte,  sua empresa tem disponibilidade de tempo e recursos para fazer as alterações necessárias no projeto para acomodá-lo ao Windows 10. Neste caso raro, você tem ainda que negociar com seu cliente os custos envolvidos, as possíveis mudanças de cronograma devidas à necessidade de expandir prazos de entregas, etc., e torcer para que o cliente seja camarada e tope arcar com pelo menos parte dos custos não previstos. Uma variante deste último caso, é a sua empresa não ter disponibilidade nenhuma de fazer a adaptação no projeto, nem recursos humanos, nem materiais e nem financeiros. Nesse caso, a situação é complicada demais, o único caminho decente é também negociar com seu cliente, sempre lembrando que alguma concessão sempre vai ser necessária.

Mas será que é fácil enxergar os riscos de mudança tecnológica em projetos? Há um ano, o Windows 10 ainda não tinha previsão de lançamento, nem detalhes da sua estrutura interna eram conhecidos. Os detalhes que interessam mesmo, que podem causar impacto, só aparecem depois que ele é instalado e funções do seu produto param magicamente de funcionar. No caso do Adobe Flash, os rumores começaram muito antes, não sendo grande surpresa a decisão do Google. Mas há casos pesados na indústria, como por exemplo quando a linguagem Clipper, que devido a vários tropeços, foi descontinuada e substituida comercialmente pela Borland Delphi, que está ai até hoje como Embarcadero Delphi. O Clipper era muito usado, e várias empresas se viram no buraco negro, tendo que fazer migração para outras plataforma. Não vou nem comentar sobre os riscos de mudanças no hardware!

Olho vivo!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Economia, Engenharia de Software, Gestão de riscos, Tecnologia
Um comentário em “Riscos em projeto de software: tecnologia
  1. daniellainacio disse:

    Republicou isso em Blog da Rosinhae comentado:
    Vale a reblogagem!
    Alunos de GP, leiam!😉

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