Extinção, chegando rápido

123764511_1GGFinalmente, um livro conciso, bem escrito e extremamente informativo, que conta mais um pedaço do quebra-cabeças da nossa passagem aqui pela terra. Na verdade, foi escrito com a finalidade de ser informativo e levar o assunto desmistificado ao leitor não-técnico, por isso ganhou o Prêmio Pulitzer 2015 na categoria Não-Ficção. A autora, Elizabeth Kolbert, é jornalista da revista estadunidense The New Yorker, com várias outros livros publicados sobre o mesmo tema de sustentabilidade, mudanças climáticas e vida no planeta terra.

Com a extrema facilidade de migração e viagens do homem proporcionada pela tecnologia, espécies vão sendo transportadas intencionalmente ou não, entre as regiões do planeta. Bactérias, fungos, corais que antes viviam em um habitat propício e único, são levadas a outras regiões (por exemplo em água dos tanques de flutuação de navios, em aviões, na bagagem de passageiros, na sola do sapato, na carcaça de embarcações, etc.), causando desequilíbrio ecológico em outras espécies que não têm defesas contra os invasores. Assim vemos a dizimação de morcegos na Nova Inglaterra causada por um fungo até então inexistente na região, o sumiço das abelhas sentido em várias regiões do planeta, a invasão das piton de Burma na Florida (chegando a níveis incontroláveis), o desaparecimento de orangotangos, rinocerontes, elefantes por ação predatória do homem. Mudanças climáticas, aumento da temperatura nos oceanos, acidificação das águas dos oceanos por causa do aumento da temperatura, extinção de espécies que não conseguem sobreviver em meio ácido. Estamos presenciando, possivelmente, a sexta extinção: o homem causando a sua própria extinção no planeta.

Copio a seguir uma citação fantástica que aparece no livro, do biólogo estadunidense Edward Osborne Wilson, que merece ser lida e entendida: “Se houver qualquer risco para a trajetória humana, ele não reside tanto na sobrevivência de nossa própria espécie, mas na concretização da suprema ironia da evolução orgânica: no instante em que alcançou o conhecimento de si própria por meio da mente humana, a vida condenou suas mais maravilhosas criações.”

Já adianto que não é um livro catastrofista, que fica o tempo todo tentanto empurrar um ponto de vista goela abaixo do leitor. É um livro sensato, descritivo e que estabelece as relações necessárias ao entendimento, e mostra as evidências de extinções de espécies ao redor do planeta, em sítios que a autora visitou, acompanhou junto com grupos de pesquisa, coletou material e ajudou a analisar. Passa, antes de mais nada, uma visão sistêmica isenta sobre o que anda acontecendo silenciosamente no nosso planeta, por nossa própria ação não-intencional na maioria das vezes. Vale a leitura, muito acessível, mostra um cenário que a maioria de nós nem de longe imagina. Mudança climática não é nosso único problema. Nós somos nosso maior problema!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Educação, Emergência, Livros, Reflexões, Social, Tecnologia
2 comentários em “Extinção, chegando rápido
  1. Marcio Molica disse:

    Zé, deixou uma provoação….. se o homem faz parte da natureza porque os seus atos seriam anti-naturais? Será que isso tudo já não estava previsto? Será que isso (a destruição de outras especies, ecossistemas, etc) não é algo natural tambem?

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