WWW, BI e Grafos Universais: organizando o conhecimento do mundo

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Um Universal Graph é definido em matemática como uma superestrutura de grafos aninhados, construídos recursivamente. Isso para encurtar a conversa, a definição formal é muito mais complicada, mas vamos pular essa parte. De maneira mais inteligível e nada rigorosa, estamos falando de um grafo (ou rede) em que um bloco de informação anotado em um nodo pode ser conectado com outros nodos relacionados e assim sucessivamente, até que toda a informação disponível esteja integrada nesta estrutura.

Ontologias são uma base fundamental da inteligência artificial moderna, e foram  caracterizadas por Tom Gruber (Stanford University), pensando em seu uso prático na inteligência artificial,  como “uma especificação de conceitualizações, utilizada para auxiliar programas de computador e humanos a compartilharem conhecimento”. É um conjunto organizado de conceitos (coisas, eventos e relacionamentos) descritos de alguma maneira e utilizadas para estabelecer o vocabulário necessário para troca de informações. A ideia é a de que todo o conhecimento disponível sobre algum domínio específico possa ser organizado dessa forma. A partir de um conceito qualquer, todos os demais relacionados podem ser acessados também, estabelecendo o contexto semântico para cada conceito. De certa forma, estamos falando aqui também de grafos aninhados, que podem ter estrutura tão complexa quanto o conhecimento disponível no mundo real.

Agora vamos ao que interessa a esta postagem. Imaginem todo o conhecimento disponível na web conectado da forma de um grafo (ou ontologia) como o descrito acima. A partir de qualquer nodo deste grafo enorme, seria possível navegar para qualquer nodo que esteja conectado diretamente a ele, e  assim sucessivamente, passando  de um nodo a outro. Isso já não é grande novidade, porque em escopos mais restritos essa estrutura já existe e já é usada com sucesso para processamento de conhecimento em aplicações de inteligência artificial. Vamos aumentar o escopo um pouco, e vamos enxergar um pouco adiante, talvez ampliando os horizontes uns cinco anos aproximadamente. Teremos dispositivos incorporados à roupa, smartphone, carros, geladeiras, tablets, notebooks, sapato, tênis de corrida, e até no próprio corpo, monitorando tudo o que acontece e gerando um volume enorme de dados pessoais e do ambiente que nos circundar. Todos os dispositivos devidamente conectados à internet via redes móveis, todos com endereço IPv6 acessível, realizando a internet das coisas, IoT – Internet of Things.  Todos esses dados podem ficar disponíveis no grafo universal depois de devidamente processados e transformados em informação útil, utilizando técnicas de BI – Business Intelligence que já estão disponíveis. O cenário é este: um ultra-grafo com informações sobre qualquer coisa que tenha um endereço IP, com os nodos sendo enriquecidos com informações novas continuamente, a vida toda. Uma loucura, não acham? Mas, nem tanto assim, a tecnologia já está em parte disponível, ainda dependemos de alguns avanços (por exemplo internet banda-larga de verdade, ainda inexistente por aqui), que vão acontecer na medida em que forem economicamente viáveis. Para terem uma ideia mais rica do que estou tentando dizer aqui, sugiro esta leitura.

Enfim, o cenário que se visualiza em um horizonte médio de tempo, é aquele em informações sobre virtualmente qualquer coisa vão estar disponíveis para consulta e uso em decisões. Desde dados pessoais, ficha médica, remédios que você toma diariamente, onde prefere tomar sua cerveja de final de semana, quantos filhos tem, quanto ganha, preferências e hábitos. Isso no âmbito pessoal, no organizacional a coisa explodiria. Seria possível resolver problemas e fazer consultas de satisfação ou de preferências diretamente nessa superestrutura. Podem imaginar o que quiserem, será possível obter informações e tomar decisões autônomas, baseadas nas informações disponibilizadas. Claro, teremos que contar com um nível de segurança infernal, pois as informações podem ser usadas para o nosso bem (é o que se deseja) ou para nosso mal (é o que se deseja evitar ou bloquear). Como estamos falando de avanço tecnológico, não adianta muito espernear, se esconder, etc. , pois é questão de tempo (pouco tempo) para estarmos todos pendurados nessa rede universal. Que de certa forma, poderia ser chamado de um enorme cérebro universal, um big brother que tem toda a informação possivel sobre o mundo.

Bom, ainda fica faltando um pedacinho. Essa superestrutura é estática, ou seja, não tem capacidade “pessoal” de processamento e extração de conhecimento. É necessário que seja dotada desta capacidade, e as técnicas virão principalmente da inteligência artificial incluindo fortemente as técnicas de inteligência computacional, como redes neurais, algoritmos genéticos, etc., e da estatística. Que já são largamente usadas em dispositivos hoje, até em câmbio automático de alguns carros (sabiam disto?), permitindo uma mudança de marcha imperceptível e no momento certo. Para completar o entendimento, sugiro mais um artigo, da Singularity University, disponível aqui (aproveitem para explorar o sitio da Singularity University, recomendo demais). Uma previsão das tecnologias que estarão disponíveis nos próximos 8 anos, até 2025. Vocês vão entender que esse cenário que descrevi aqui não estão tão longe assim. E pode não ser tão ruim quanto possa parecer à primeira vista.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Inovação, Reflexões, Social, Tecnologia

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