Raciocínio lógico ainda é falha de formação

question-con-2-1444519Até parece que estava lendo notícia antiga de há mais de 10 anos:  “Entre os quase 1,3 milhões de jovens de 18 a 28 anos de idade, inscritos em 94 processos seletivos de 53 companhias ao longo de 2015, somente 0,3% deles atendiam aos requisitos impostos pelas companhias.”  E a surpresa maior, isso independente da universidade de origem, os alunos das nossas grandes universidades também estão nessa amostra aí. Os critérios de seleção mudaram um pouco para outras habilidades não ensinadas ou incentivadas nos cursos superiores pelo país. Os dois principais fatores de eliminação: 54% dos candidatos não atendem ao requisito de “domínio do idioma inglês no nível intermediário ou superior“, e 45% têm “baixa capacidade de raciocínio lógico, análise e resolução de problemas“.

Achei que a exigência de inglês fluente já estivesse resolvida, afinal isso é antigo, todo mundo sabe disso. Mas aumentaram a altura do sarrafo e o salto tem que ser mais forte e mais alto, não basta mais o yes-no-ok-maybe, tem que ter fluência e saber falar de fato. Já a capacidade de raciocínio lógico raros alunos conseguem desenvolver, tem que ser trabalhada muito antes de o aluno entrar no curso superior. Seu aprendizado tem que ser associado com a exposição dos alunos a problemas reais, situações que exijam capacidade de análise e tomada de decisão. Na minha opinião, no curso superior a participação em Empresas Juniores provoca o polimento e desenvolvimento destas habilidades, pois os alunos assumem responsabilidade de fato sobre projetos a desenvolver. Têm que se dedicar a fazer planejamento (por mais rasteiro que seja, é um aprendizado real), acompanhamento do desenvolvimento, resolução de conflitos, habilidades sociais, participação profissional em reuniões com os clientes, contato com empreendedorismo e seus desdobramentos, inovação, etc. Aquisição de visão sistêmica de problemas, este é o ponto. O inglês é até considerado secundário, pois pode ser aprendido em qualquer fase da vida (em termos). Já a desenvoltura nos negócios é mais difícil de aprender, piora muito enquanto o tempo passa.

Um outro atributo é a castigada resiliência, termo usado e abusado pois se tornou modismo e ficou bonito incluir a palavra em qualquer palestra ou notícia. Na maioria das vezes, é usado errado, vejam o correto: “Resiliência significa voltar ao estado normal, e é um termo oriundo do latim resiliens. Resiliência possui diversos significados para a área da psicologia, administração, ecologia e física. Resiliência é a capacidade de voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica e fora do comum.” (vejam no site original aqui). É uma capacidade que só se adquire com a vida e com as pancadas que a gente leva dela, não acho que seja possível ficar lendo livros sobre o assunto, lendo exemplos, e aprender a ser resiliente. Quanto mais dura for a sua vida, mais oportunidades de aprender a ser resiliente você vai ter. Falei um pouco sobre essas questões em uma postagem recente, Profissões em extinção.

Os raros que são aprovados nos programas de trainee estão recebendo treinamento complementar para desenvolver as habilidades sociais, convivência em grupos, resiliência, liderança, visão sistêmica. Mas lembre-se sempre de que uma parte da sua formação é responsabilidade sua mesma, hoje o aprendizado é mais autônomo, contínuo e dinâmico, aprende-se a vida toda. Não adianta ficar esperando conhecimento cair de graça no colo, de mão beijada. Tem que saber buscar as boas fontes, aproveitando as oportunidades que surgirem. Assuma o rumo do seu futuro e da sua vida o mais cedo possível. 

Artigo inspirador deste post: EXAME de 21 de dezembro de 2016, seção GESTÃO – Recursos Humanos, jornalista Aline Scherer. Recomendo a leitura, tem muita informação importante. 

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Carreira, Educação, Empreendedorismo, Social

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