Google, Apple, IBM deixam de exigir diploma

A notícia, publicada ontem aqui neste link, já não é novidade. É uma tendência verificada nos EUA, por questões particulares internas dos EUA. A notícia já foi publicada antes, não é novidade, vejam aqui neste link. Provoca a imaginação de quem está no ramo da tecnologia, afinal conseguir um emprego numa prestigiada empresa dessas ai, e outras do setor de tecnologia, sem ter que fazer curso superior, quem não quer?

Mas não se iludam, não é nenhum carnaval de contratações. Se lerem os dois artigos que indiquei acima, vão perceber que essas contratações estão acontecendo somente dentro dos EUA, e os motivos de as empresas não estarem exigindo o diploma são fáceis de entender, dado o contexto deles. Vejamos: -o custo de um diploma universitário nos EUA é proibitivo para a maioria dos estudantes e famílias. Termina-se o curso superior com uma dívida enorme, normalmente acima dos US$ 100.000,00 dependendo da universidade e do curso. O débito estimado das famílias e formandos fica acima de 1 trilhão de dólares, uma fábula. Se forem para a pós-graduação, piora a situação. Vejam algumas estatísticas neste artigo da Forbes; -as empresas de tecnologia na área de TI têm o foco em profissionais que se formaram nas grandes universidade, como Stanford, Berkeley e outras, criando um círculo meio vicioso de arejamento de ideias. Esse arejamento é enormemente favorecido pela diversidade; -algumas funções em TI podem perfeitamente ser desempenhadas por pessoas sem o diploma superior. Por exemplo programador de jogos, como citado no artigo. E outras com o mesmo baixo nível de risco para o usuário final.

Como podem ver, não é nada que possa ser entendido como uma tendência mundial, nem de longe é isso. A questão da diversidade, por exemplo, é fundamental para um país como os EUA que depende da inovação para se manter na frente do desenvolvimento tecnológico. É também mais que sabido e estudado que a diversidade (no sentido amplo) favorece a criatividade e, em alguns casos, a inovação. Para algumas funções, há profissionais disponíveis no mercado dos sem-diploma, que podem tranquilamente ser contratados. Mas, não se iludam: funções de alto-risco, as de salário mais alto e com maior nível de risco envolvido, dificilmente vão ser ocupadas por profissionais sem a formação adequada, algumas funções têm exigência até de doutorado. Isso não muda nem um milímetro, pelo menos por enquanto. Engenheiro ou arquiteto de software, arquiteto corporativo, especialista em segurança, segurança de redes, analista de dados, segurança de dados, cloud computing, etc., exigem formação e diploma, muito estudo e muita prática.

O mais sábio é terminar seu curso superior, ficar com seu diploma garantido, pois embora ele possa não ser exigido pelo mercado de trabalho, é uma garantia a mais da sua empregabilidade, sendo uma parte inicial do seu currículo profissional. Claro, sem estabilidade e crescimento econômicos sustentáveis, não há diploma que nos salve do desemprego, em qualquer parte do mundo. Lembrem-se também de que o Brasil tem excelentes universidade públicas, gratuitas de fato (as universidades públicas nos EUA não são gratuitas, sabiam disso?), que vão deixar vocês muito próximos do mercado de trabalho. Para os que podem pagar, o mesmo deve ser dito para as universidades privadas, temos várias de excelente qualidade, competitivas e que formam profissionais competentes para o mercado nacional e mundial.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Marcado com:
Publicado em Carreira, Educação, Tecnologia
2 comentários em “Google, Apple, IBM deixam de exigir diploma
  1. Vinci Amorim disse:

    * Será que todo estudante do futuro vai ser “autodidata”?

    * Será que teremos menos diplomas e mais certificações?

    * Será que o professor do futuro vai responder menos e perguntar mais?

    * Será que a prova do futuro vai ser sempre com consulta?

    • excelentes pontos levantados, Vinci. Estão sendo discutidos há um bom tempo, como exercício de futurologia. Minha opinião de hoje, depois de ler muito e entender os impactos da economia da colaboração, é a de que vamos sim ter um impacto grande na educação formal, nas exigências de diplomas. O sistema colaborativo é mais baseado em reputações auditadas, que tende a ser confiável ao longo do tempo. Uber, Lyft, Airbnb são os exemplos mais batidos, mas há muitos outros. Estou terminando de ler um livro excelente sobre o assunto, uma análise profunda dos impactos e possiveis caminhos futuros, da economia colaborativa. Tem muito mais acontecendo do que a gente consegue acompanhar e apreender. abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: