Vitimas da internet

Antes de entrar no assunto, uma provocação: vocês se lembram do que é fita de vídeo? Deixo o link para a Wikipedia, apenas para dar contexto. E locadora de vídeo, lembram? Já ouviram falar da Blockbuster? Era a maior cadeia de aluguel de vídeo do mundo, nascida nos EUA e com lojas espalhadas no planeta todo, várias no Brasil. Um ícone do mercado, inovadora, tinha um esquema de aluguel com devolução direta nas caixas receptoras que ficavam externamente nas lojas físicas, as fitas alugadas podiam ser devolvidas em qualquer horário. A notícia da semana passada foi a do fechamento das duas últimas lojas Blockbuster no Alaska, ainda existiam por lá devido principalmente aos invernos longos e ao serviço de wifi fraco, o que impossibilitava o uso de serviços de streaming para vídeo. Vejam a notícia e fotos da loja aqui.

A disponibilidade de internet de boa velocidade, acessível com pacotes de preços pagáveis por qualquer bolso, causou e continua causando mudanças nos costumes, nos negócios e nos modelos de negócios. YouTube é disparado o canal de informação preferido das novas gerações, colocando a mídia tradicional (jornais e TV) no aperto por falta de assinantes e leitores. No Reino Unido, em 2017, o número oficial de assinantes de serviços de streaming (Netflix, Amazon e Sky Now TV), 15,4 milhões, superou o total de assinantes de pacotes de TV por assinatura, que está em 15,1 milhões, o que coloca a TV tradicional na linha de queda (está acontecendo em outras partes do mundo também). A telefonia tradicional vai pelo mesmo caminho, está no aperto, o telefone de verdade é pouco usado, a comunicação se dá mais por aplicativos de redes sociais via internet.  Quem usa a linha telefônica para se comunicar está com um pé no passado, a comunicação moderna dispensa a telefonia e prefere os canais de mensagens, ou canais próprios no YouTube, é facílimo criar um para a sua empresa. Já é comum comprar pacotes das operadoras apenas com internet, sem incluir telefonia, para utilização em qualquer parte do mundo. Vejam aqui um exemplo, operadora WorldSim.

Vários segmentos de negócios não perceberam as mudanças se aproximando, a internet chegando forte, os negócios migrando de plataforma, o smartphone se transformando no principal equipamento de comunicação do mundo moderno, acessível a todos. Vários negócios não suportaram o impacto das mudanças e fecharam as portas, substituídos por outros modelos já nascidos dentro do contexto da internet. Quais lições os empreendedores podem assimilar a partir destes acontecimentos? A mais importante certamente é acompanhar o  mercado e seu setor de atuação, munindo-se sempre de boa informação, atualizada, melhorando sua visão sistêmica do negócio em seu contexto. É imperdoável, hoje, ser atropelado por uma mudança tecnológica, elas nunca acontecem em períodos curtos de tempo, os avisos chegam com muita antecedência. Uma outra lição, não menos importante, é não cair na armadilha da tecnologia: ter um produto inovador e altamente tecnológico, e ficar achando que sua vantagem competitiva vai durar para sempre. Seu produto inovador, uma vez no mercado, vai ser imediatamente copiado, melhorado, desafiado. Você vai ficar na pressão de manter a dianteira e não perder a liderança. É um enorme desafio manter a posição.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG) (publicado originalmente na minha coluna no SIMI)

 

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Social, Tecnologia
Um comentário em “Vitimas da internet
  1. Marcio Soares disse:

    Operadoras de telecomunicações estão no aperto mesmo. Elas perceberam que se transformaram “apenas” em provedor de acesso móvel a Internet. Sendo que o filé do negócio esta nas OTTs. Assim, provavelmente veremos operadoras comprando ou se associando a empresas de streaming ou que operam sobre a nuvem.

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