Netflix: a regra é não ter regras (No rules rule)

Lendo esse livro, me lembrei de um artigo de 2001 que eu usava em minhas disciplinas de Engenharia de Software: Zepellins x Jet Planes (citação no final do texto). O contexto era processos de desenvolvimento de software, comparativo entre métodos sequenciais (waterfall é o representante mais usado), e os métodos iterativos-incrementais (no final da linha, métodos ágeis que ainda não eram realidade da disciplina).

Problemas e situações mais estáveis e menos sujeitos a mudanças, são comparados a Zeppelins, fáceis de abater pela sua lentidão e baixa altitude de vôo. Esse tipo de problema aceita melhor a abordagem sequencial dos métodos waterfall. Já os problemas mais dinâmicos, que por sua natureza exigem mais mudanças para adaptação rápida à realidade mutante, eram comparados a JetPlanes, que voam alto, rápido e mudam de direção com muita facilidade, e exigem métodos de desenvolvimento que permitam promover com facilidade as mudanças no sistema exigidas pelo contexto.

Nesse livro sobre a cultura gerencial da Netflix, que é A regra é não ter regras, temos exatamente isso: gerenciamento de empresas menos sujeitas a mudanças de contexto e mais adequadas ao gerenciamento por processos com mais controle de atividades, e o gerenciamento de empresas que estão completamente imersas na inovação, seu contexto exige mudanças com muita frequência para se manterem no mercado. Essas exigem métodos de gerenciamento que permitam decisões rápidas, acompanhando as evoluções do mercado, com menos controle e muito mais contexto para decisões acertadas, sem controle. É o caso da Netflix, imersa em um contexto de inovação contínua, que exige gestão que permita adaptação também continua, descentralização quase-total do processo decisório, etc. Um enorme desafio aos métodos tradicionais de gerenciamento, mais baseados em processos, monitoramento e controle.

É um livro que desafia os nossos conceitos de gestão o tempo todo, a cada página, muitas lições, muita revisão de conceitos. Uma evolução nos métodos atuais de gestão. Valeu a pena a leitura, recomendo demais, para ser lido mais de uma vez. Proporciona evolução de conhecimento e uma nova visão do que anda acontecendo pelo mundo.

Phillip Armour. The business of software: zepellins and jet planes: a metaphor for modern software projects. CACM 44(10), October 2001.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG) (Estou no GoodReads)

Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Dicas, Livros, Opinião
2 comentários em “Netflix: a regra é não ter regras (No rules rule)
  1. daniellainacio disse:

    Já quero ler esse livro. Obrigada pela dica. 🙂

  2. Geraldo Cruz disse:

    Boa analogia Zé Luiz. É a “dicotomia” dos métodos, sempre em evidência. Boa dica, vou ler o artigo, para entender “as regras sem regras.”

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