Mulher ganha o ACM Turing Award 2006

A ACM – Association for Computing Machinery criou o prêmio anual ACM A. M. Turing Award, em homenagem a Alan Mathison Turing, o matemático britânico (1912-1954) que estabeleceu inicialmente os fundamentos da computação e os seus limites com máquinas sequenciais. Na segunda guerra mundial, foi o principal cientista do grupo aliado responsável por decifrar o código secreto de criptografia criado em máquinas Enigma, utilizado nas comunicações alemãs. O ACM Turing Award é outorgado a cientistas da computação e a engenheiros que reconhecidamente contribuiram para o desenvolvimento da indústria de tecnologia da informação, com a criação de sistemas e seus fundamentos teóricos subjacentes. O prêmio é considerado o Nobel da área de Computação e significa, além do reconhecimento da comunidade, um prêmio em dinheiro de 100 mil dólares.

Em 2006, quem ganhou o prêmio foi a cientista Frances Allen, 75 anos, IBM Fellow Emerita, que fez mestrado em Matemática(1957) na University of Michigan, tendo sido admitida na IBM em 1957. Sua maior contribuição foi na área de teoria e prática de otimização do código gerado automaticamente por programas tradutores a partir de programas fonte, o que permitiu o avanço nas pesquisas em paralelização automática de programas e a execução dos mesmos em múltiplos processadores, aumentando a eficiência da execução. Essas técnicas contribuiram para o avanço no uso de computadores de alto desempenho em problemas reais tais como previsão de tempo e casamento de padrões em sequências de DNA, que consomem muito tempo de processamento e se beneficiam diretamente do paralelismo (notícia completa aqui).

Mas afinal, porque a notícia de que uma mulher ganhou o Turing Award causou tanta movimentação na mídia e na área de computação? Estamos vivendo uma fase de queda de interesse dos jovens pelos cursos relacionados com Computação (Ciência da Computação, Sistemas de Informação…), e essa queda é muito mais acentuada entre as mulheres. Essa tendência de queda é paradoxal, pois é fato sabido que existem muitas vagas na área de TI no mundo todo, e não há profissionais qualificados em número suficiente para ocupá-las.

Pesquisas foram e estão sendo desenvolvidas e publicadas em revistas especializadas sobre o tema mulheres na área de computação, incluindo ai o Computação Brasil, da SBC – Sociedade Brasileira da Computação. Uma das teorias é a de que os cursos de computação formam programadores que ficam o dia todo enfiados em salas refrigeradas, na frente de computadores, produzindo código sem parar em alguma linguagem de programação. E essa visão está necessariamente associada àquela do pária social que almoça, janta e sonha com bits, bytes, linguagens, testes, etc. Será isso mesmo? Ou será que a explicação é mais óbvia: as mulheres são mais espertas, e estão partindo para outras profissões mais interessantes?

Eu gosto mais da idéia de que estamos passando por um ciclo negativo, de baixa procura, com relação às carreiras ligadas à computação,  semelhante aos ciclos econômicos de Joseph Schumpeter, que é um dos precursores do empreendedorismo moderno. E o melhor momento de investir numa nova profissão é exatamente quando ela está em fase de baixa procura, pois logo em seguida o ciclo passa para o lado positivo, a procura aumenta, e você vai estar no mercado com o diploma na mão sendo disputado a tapa pelas empresas.

(8 de Março, Dia Internacional da Mulher)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

Publicado em Carreira
4 comentários em “Mulher ganha o ACM Turing Award 2006
  1. Vinci disse:

    Talvez a queda da procura por cursos de computação seja influenciada pela popularização dos computadores e da internet. Parece um paradoxo, mas se hoje saber “mexer com um computador” deixou de ser privilégio para algumas mentes, o curso de computação pode ter perdido um pouco do encanto perante aos jovens. Muita coisa deixou de ser um mistério.

    Mas como esta tendência está na contramão do mercado, é de se esperar que se reverta logo. E numa espiral positiva, o aumento da procura por cursos na área de TI
    pode aquecer ainda mais o mercado e assim aumentar ainda mais a procura pela área…

  2. Zé, compartilho desta mesma opinião. Se não me engano, o Sílvio Meira escreveu algo sobre a perda do “aura mística” envolvendo os computadores impactando na queda na procura pelos cursos de computação. Há estatísticas apontando um déficit muito grande de profissionais de tecnologia nos próximos anos no Brasil se nada for feito para alterar o quadro. Acredito que os bons profissionais serão realmente supervalorizados no futuro. Saiu uma reportagem no jornal A Gazeta do ES listando as 30 profissões mais bem remuneradas. Só para constar, entre as 10 mais estavam Engenharia da Computação (3), Sistemas de Informação(6) e Ciência da Computação(10). Se quiser te mando a reportagem depois!! 🙂

  3. Quero a reportagem sim, Rodrigo. Da uma olhada no guia de carreiras em computacao publicado pela ACM, num dos proximos posts vou falar sobre ele, esta muito interessante.

  4. Aline disse:

    sabe duma coisa não seguiria isso nem á pau, sonho em ter um futuro melhor e ganhar mais, não estudei a minha vida inteira só pra me contentar com isso se ao menor ganhase mais…

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