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ÍndiceEm mais uma das minhas longas visitas a livrarias, fui achado por esse livrinho sensacional, Travels with Epicurus: a Journey to a Greek Island in Search of a Fulfilled Life, autor Daniel Klein. Bastou ler uma citação de Epicuro, filósofo grego, na quarta página do livro,  e não precisei de mais argumentos para comprar e começar a ler imediatamente na própria livraria Barnes&Noble (Union Square, NYC): “It is not the young man who should be considered fortunate, but the old man who has lived well, because the young man in his prime wanders much by chance, vacillating in his beliefs, while the old man has docked in the harbor, having safeguarded his true happiness. EPICURUS”

Nunca tinha lido nada diretamente sobre Epicuro, minhas aulas eram voltadas para Filosofia da Ciência, mas eu tinha conhecimento de Epicuro que vez por outra aparecia  citado nos livros. Epicuro de Samos (Epicuro significa aliado, camarada) foi um filósofo grego, criador da linha filosófica do epicurismo, que tinha o propósito de levar o homem a atingir a felicidade, um estado caracterizado pela aponia, a ausência de dor física, e pela ataraxia, ou imperturbabilidade da alma. Buscou na natureza as bases para o seu pensamento: o homem, a exemplo dos animais, busca afastar-se da dor e aproximar-se do prazer. Vejam o texto completo na Wikipedia, de onde adaptei o resumo acima.

O envolvimento com Epicuro e com a vida feliz que ele prega se dá através do relato da experiência do autor, aposentado e já nos seus 70 anos (muita coincidência…), que ao invés de gastar uma pequena fortuna e muito tempo em um tratamento dentário longo e doloroso envolvendo vários implantes,  resolve investir em uma viagem a uma ilha grega, a ilha de Hydra, conhecida por sua tranquilidade, pela longevidade de seus nativos, e pela forma como levam a vida. Sem os atropelos da vida moderna, sem eletrônicos, sem necessidades materiais excessivas, exatamente o contrário da sociedade em que vivemos nossa vida louca. A lição principal do livro é aprender a desacelerar o ritmo da vida na medida em que a idade avançar, o que (pelo menos para mim) não é nada fácil depois de ter vivido a vida toda acelerada, estressado, filhos, aulas, serviço público, finanças sempre no talo, trânsito, televisão, carro, banco, pagamentos, mestrado, doutorado, pós-doutorado, ônibus, assaltos, barulho, carnaval, falta d’água, e vamos por ai afora. Chega um momento que tudo isso precisa ser redimensionado, se quisermos viver plenamente o que nos resta de vida útil aqui na terra. O ritmo tem que baixar, não há outro caminho. Supostamente, aposentadoria seria para atingirmos esse estado de tranquilidade, mas isso não acontece automaticamente. Se não enxergarmos essa necessidade, e não trabalharmos para ela acontecer, vamos continuar acelerados e exigindo muito de um corpo que já está desgastado e pedindo mudanças.

Esse livro foi meu companheiro inseparável de viagem, sempre no bolso do casacão, lido, relido e anotado. Veio para as minhas mãos em um momento em que eu precisava desta leitura e deste primeiro encontro com Epicuro. Não acredito plenamente em coincidências, mas sim em serendipidade, que é o termo usado para o acaso em ciência: você tem que estar preparado para enxergar o que está ali diante dos seus olhos. Por sorte minha, eu estava preparado para perceber mais esse acaso em livrarias.

Coincidências da vida: comprei esse livrinho um dia antes da morte do meu saudoso orientador de doutorado na PUC-Rio, Roberto Lins de Carvalho. Um grande amigo, incentivador, otimista, filósofo, despertou em todos nós seus orientados o gosto pela filosofia, pelas leituras filosóficas, pelos argumentos lógicos.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

Estou me preparando para ler a festejada trilogia Getúlio, escrita pelo historiador Lira Neto. Para entender e rever o contexto histórico, o antes, o durante e o depois, usei (e continuo usando) o livro de História do Brasil do historiador Boris Fausto, edição 1994. Esse excelente livro encontra-se atualizado na edição de 2012, incluindo o período histórico atual. Para rever os anos Getúlio e seu contexto, a menos que tenha ocorrido alguma descoberta de pesquisa documental nova, não faz muita diferença usar uma ou outra edição. Encarei a leitura neste período de carnaval de 2015, que para mim foi muito proveitoso.

file631243445559Lendo o livro, encontrei um monte de parágrafos, passagens e observações que, se lidos fora do contexto, poderiam passar a impressão de que se referem ao momento atual da nossa história. Como o que transcrevo a seguir: “Outro dado importante se encontra no fato de que a expansão industrial vinha sendo estimulada, apesar dos estrangulamentos nas áreas de transporte e de energia, acarretando elevações de custos e do preço final dos produtos. Dada a natureza dos investimentos em infra-estrutura, as medidas tomadas pelo governo só produziriam efeitos a médio e longo prazos. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento industrial era incentivado pela concessão de crédito fácil ao setor privado por parte dos bancos oficiais, especialmente o Banco do Brasil…” (extraído da página 410 da edição de 1994).

Percebem alguma semelhança com o que acontece atualmente no Brasil? Principalmente se trocarmos o Banco do Brasil (que continua tendo o mesmo papel) por BNDES, aí teremos quase que uma reprodução histórica. E não é apenas isso, vários outros parágrafos mostram que evoluimos muito pouco. Dá até a impressão de que alguns de nossos politicos atuais, principalmente o grupo que se encontra no poder, leram tudo isso e se empenharam em reproduzir ações, reações, legislações da época, trazendo-as para nosso contexto, sem se lembrar de que a sociedade mudou, e hoje não é mais possível ter uma replicação de tudo o que aconteceu na época. As instituições são outras, o povo é outro, a tecnologia é outra, o acesso rápido à informação e a facilidade de organização proporcionados pela internet é insuperável e impossível de controlar. Talvez isso explique em parte nossos desastres políticos e econômicos atuais.

Por exemplo no caso de “…estrangulamentos na área de transporte e de energia…”, é de assustar, o que é que mudou? Nada, tivemos um enorme aumento de demanda do transporte rodoviário que foi a opção adotada no governo de Juscelino Kubstichek (1955-1960), sem que a infraestrutura acompanhasse a necessidade de maneira adequada. E hoje continuamos a ter os mesmos problemas, agravados pelo grande aumento de carros particulares. Essa opção do governo JK pelo transporte rodoviário e pela solução individual em detrimento do coletivo, praticamente matando o transporte ferroviário, tem consequências gravissimas na nossa infraestrutura de transportes atual. Vejam a passagem do livro: “Vista em termos numéricos e de organização empresarial, a instalação da indústria automobilística representou um inegável êxito. Lembremos porém que ela se enquadrou no propósito de criar uma civilização do automóvel, em detrimento da ampliação de meios de transporte coletivo para a grande massa. A partir de 1960, a tendência a fabricar automóveis cresceu a ponto de representar quase 58% da produção de veículos em 1968. Entre 1957 e 1968, a frota de automóveis aumentou cerca de 360% e a de ônibus e caminhões, respectivamente, cerca de 194% e 167%. Por outro lado, como as ferrovias foram na prática abandonadas, o Brasil se tornou cada vez mais dependente da extensão e conservação das rodovias e do uso dos derivados do petróleo na área de transportes.” (extraído da página 429 da edição de 1994). Vejam aí um erro de decisão que nos levou à situação atual na infraestrutura de transportes, nunca corrigido e cada vez mais difícil de acertar. Claro, temos que considerar o contexto da decisão da época, falta de dados, etc. Mas essa decisão seguiu na contramão do que foi feito nas regiões mais desenvolvidas do planeta, na época, e estamos pagando caríssimo por ela.

Os chineses, em sua sabedoria secular, dignificam os mais velhos, sendo um costume antigo que os anciãos contem a história para os mais novos, repetidamente. Para evitar que os erros do passado se repitam no presente. Sabedoria secular (que talvez nem seja mais praticada nessa era de internet), mas que infelizmente ainda não aprendemos. Principalmente nossos políticos, que aparentemente passaram longe dos bons livros de história.

Vejam uma postagem mais antiga sobre Sociedade do carro, relacionada com esta postagem.

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Há pouco tempo, fiquei assustado e ao mesmo tempo meio incrédulo com uma notícia que li e ouvi, sobre o movimento anti-vacinação nos EUA. Pais não vacinam os filhos nem contra gripe, muito menos contra poliomielite, tuberculose, catapora, sarampo, coqueluche, etc. Incrível, como é que em pleno século XXI, isso pode acontecer exatamente no país mais rico do planeta, em que a maioria da população tem acesso à educação básica e à informação?

mmr-vaccine-300x294Fui primeiro olhar na Wikipedia, para ver se o assunto já estava por lá. Olhem o link do que encontrei, isso é apenas o começo. Tirando direto de lá, com tradução livre:  “A despeito das enormes vantagens conhecidas da vacinação, as controvérsias começaram há pelo menos 80 anos, e continuam até os dias de hoje. Os que se opõem à vacinação proclamam que as vacinas não funcionam, que elas são ou podem ser perigosas, que os cidadãos devem confiar mais na higiene pessoal ao invés de se vacinarem, ou mesmo que as campanhas de vacinação obrigatórias lançadas pelos governos violam direitos individuais ou princípios religiosos. Esses argumentos reduziram muito os índices de vacinação em algumas comunidades, resultando em novas ocorrências de epidemias totalmente evitáveis e que são, em alguns casos, fatais para as crianças.”  

Se procurarem na web, vão achar um monte de notícias, documentos e argumentos dos mais variados contra a vacinação. Todos, a meu ver, contrariando completamente o bom senso comum. Como é que os pais têm a coragem de por em risco a saúde dos filhos, em troca de uma crença? O pior argumento que eu li, foi que vacinas podem causar autismo! Pior, está acontecendo nos EUA um surto de sarampo (measles), e a controvérsia voltou com força total, muitos não respeitam as campanhas e não vacinam os filhos. Vejam o artigo do jornal USAToday, com exemplos e um depoimento assustador, com uma discussão sobre a questão. A coisa é tão séria, que os pediatras estão se negando a atender crianças cujos pais não tenham cumprido as exigências de vacinação obrigatórias até o momento, vejam a notícia aqui.

As campanhas de vacinação são obrigatórias aqui no Brasil, existe um controle rigoroso através da carteira de vacinação, que é exigida quando a criança entra na escola, e suas atualizações são cobradas a cada ano. E deve mesmo ser obrigatório, no meu entendimento a decisão não deve e não pode ficar a cargo dos pais, isso é um problema de saúde pública nacional, que se não for tratado adequadamente pode ter impacto negativo em toda uma geração. Não é, de forma alguma, uma decisão pessoal. Se não fosse assim, não teriamos conseguido erradicar doenças graves como a poliomielite, por exemplo. Lá fora as vacinações também são obrigatórias e controladas da mesma forma, recém-nascidos têm sua carteira de vacinação sempre atualizada, que é exigida nas escolas, sempre, até uma certa idade. Mas, aceitam-se os argumentos dos cidadãos, afinal estamos falando de uma democracia em que os direitos individuais são respeitados, e os estados têm legislação própria sobre cada assunto, formam uma federação de estados, onde a constituição do país tem que ser seguida por todos, mas cada estado pode ter refinamentos específicos.

Mais uma vez fica claro que o grau de instrução formal a que uma população tem acesso não garante, necessariamente, uma melhoria na capacidade de pensar sobre problemas e se informar sobre eles. É incrível e assustador!

Atualização 15/02/2015 – Excelente artigo, publicado no NYTimes, sobre o assunto. Baseado em livros curtos discutindo a questão. Continuo assustado com os argumentos contra a vacinação! Vejam aqui, se tiverem paciência, vale a leitura.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

Bagagem de bordo é aquela que a gente pode levar dentro da cabine do avião, quando em viagem. Claro, todo viajante sabe disto, não é novidade. Existem padrões internacionais para esse tipo de bagagem, estabelecendo dimensões, peso e quantidade tanto para a bagagem de bordo quanto para aquela a ser despachada. Normalmente, o passageiro pode levar um ítem pessoal (bolsa, laptop, travesseiro, etc.) e uma mala pequena, que deve ser acomodada no compartimento de bagagem acima da poltrona. Essa mala pequena pode ter, no máximo, 56cm de comprimento, 36cm de largura e 23 cm de espessura/altura, sendo que a soma destas dimensões não pode ultrapassar os 115 cm. Existe também uma restrição de peso, que é de 7 kg, mas em vôos internacionais, as companhias fazem vista grossa e permitem um pouco mais, uns 10kg que nunca são verificados. Normalmente, as companhias usam um gabarito, uma armação de ferro, para verificar se a mala de bordo está dentro do padrão, ela tem que entrar e sair do gabarito sem problemas. Regras semelhantes existem também para as malas a serem despachadas, tanto para as dimensões quanto para o peso.

ba2_bags_dimMas com relação a bagagem de bordo, nada disso é verificado, eu nunca vi ninguém ser impedido de entrar na cabine por causa da bagagem de mão. Talvez um ou outro caso mais exagerado, em que o passageiro tenta levar uma mala daquelas caprichadas, pesando uns 20kg, fica retido e a bagagem tem que ser despachada. O resto vai no olhômetro mesmo, e ai começam os problemas. Malas que não cabem no espaço reservado a elas acima das poltronas, e que os passageiros marretam até caberem completamente, entupindo o espaço e certamente tirando espaço de outros passageiros. Principalmente nas viagens de volta ao Brasil, notoriamente aqueles vôos que saem de Miami, lotado de gente que foi lá fazer compras, aquele monte de malas a despachar como excesso de bagagem, e a mala de mão barriguda e pesada.  Como a entrada na cabine é feita ordenadamente, por setor do avião, quem fica no último grupo invariavelmente não consegue acomodar sua bagagem, mesmo que esteja muito dentro das regras, porque os maleiros já vão estar entupidos. E ai começa a zona, comissários de bordo tentando ajeitar a bagagem que sobrar, vão abrindo os maleiros e vão empurrando para tentar abrir espaço, muitas vezes o passageiro vai na rabeira do avião e sua bagagem de mão tem que ser acomodada lá na frente. Correndo risco, porque sabe-se lá quem é que está dentro do avião, que pode perfeitamente abrir sua bagagem para tirar alguma coisa, ou até mesmo para colocar lá dentro algo comprometedor (esse é o pior problema, eu acho).

Eu vi essa verificação ser feita rigorosamente apenas uma vez, num checkin de um vôo da AerLingus, empresa irlandesa, no embarque em Barcelona para o vôo até Dublin. Toda bagagem de mão tinha que entrar no gabarito, senão teria que ser despachada. E eu estava com uma maleta dentro dos padrões de tamanho e peso, e não é que a desgraçada entalou no gabarito, porque é de material duro e meio barriguda na parte baixa, resolvido sem problemas. As companhias aéreas erram muito nesse particular, porque não verificam as normas de bagagem de bordo, e permitem os excessos, que vão causar transtornos para os passageiros que estão com a bagagem dentro do padrão estabelecido.

Sempre viajamos dentro das normas, a bagagem de bordo sempre é uma mochila dentro das dimensões e peso permitidos, para evitar aborrecimentos. Mas, olhando os demais da fila de embarque, a gente mais uma vez acaba se sentindo um trouxa, idiota seguidor das regras que ninguém segue, e que não são verificadas por ninguém. Mas, já estamos acostumados a isso aqui no Brasil, pois seguir a regra estabelecida passou a ser a exceção, o certo passou a ser errado e o errado passou a ser exemplo. Se reclamar, você ainda é mal visto tanto pela tripulação quanto pelos passageiros!

Nota: a imagem acima foi tirada do site da American Airlines.

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Atualização 01/02/2015 – Li esta semana uma nota, publicada na CNN Money, na coluna Best Jobs in America, falando sobre a subida do Arquiteto de Software no ranking de salários e de carreira prestigiada dentro da TI. Sobre o que faz um Arquiteto, a postagem abaixo publicada originalmente em Julho de 2012 aqui no blog esclarece tudo, talvez mereça incluir mais alguma coisa sobre Cloud Computing, que hoje é uma solução tecnológica obrigatória em algumas aplicações. O salário do Arquiteto, no mercado estadunidense, teve uma boa valorização, a média  hoje é de US$124.000 anuais, atingindo um máximo de US$169.000, que devem ser acrescidos das vantagens tradicionais, como plano de saúde familiar, recebimento de ações da empresa (depende da empresa e do setor da economia), ajuda de custo para escola dos filhos (não é pouca coisa), e outras menores. Reafirmo que são raros os profissionais que podem se candidatar a Arquiteto, a experiência e a bagagem de conhecimento necessários são grandes, não é um cargo para iniciantes que não tenham uma base excelente nos fundamentos da computação. Atualização profissional continua sendo obrigatória na área.

POSTAGEM ORIGINAL, 01/07/2012

Continuando nossa conversa sobre arquitetura de software, iniciada com a postagem anterior Arquitetando o software, vou comentar um pouco sobre o papel principal da estória toda, o Arquiteto de Software. Quem é essa figura, que conhecimento e experiência ele deve ter, como deve se preparar?  Pensando de uma forma mais organizada, a Arquitetura de Software deve ser obtida segundo uma sequência de passos que definem um processo (disciplina, workflow), que podemos chamar de Processo de arquitetura (Architecting). O responsável por executar o processo é o Arquiteto de Software, gerando ao final a Arquitetura do Software, que define a estrutura e o comportamento do software a ser produzido. Dependendo do porte do sistema a ser construido, o papel do Arquiteto pode ser desdobrado, indo desde um único profissional até uma equipe com vários arquitetos: de software, de banco de dados, de segurança, de tecnologia, etc.

images Nosso herói Arquiteto de Software deve, antes de mais nada, ter experiência de mercado, e muita. Não basta ter todos os livros e saber recitar tudo o que está neles, tem que saber fazer usando conhecimento adquirido na estrada. Leva tempo, muito tempo, até que um profissional de Engenharia de Software chegue até lá. O Arquiteto de Software deve também ter perfil de liderança técnica o que, por si só, já significa ter várias outras habilidades: boa comunicação, habilidade de negociação e bom tomador de decisões,  sendo respeitado pela equipe de que fizer parte. Tem que dominar processos de desenvolvimento de software (definição, artefatos, papéis, passos, compatibilidade com processos de gerência de projetos, etc.), e ter conhecimento dos domínios de negócio a serem abrangidos no projeto (focos do projeto). O conhecimento em programação é fundamental e mais uma vez não adianta pegar um livro de Java e ler todo ele do começo ao fim, a experiência é indispensável. Programação hoje é uma tarefa complexa que não se resume a saber programar apenas, tem que conhecer frameworks, bibliotecas, ambientes de produção e prototipação e claro, várias linguagens. Já ia me esquecendo, o Arquiteto de Software tem que dominar o projeto de software e suas variações: Métodos ágeis,  Métodos baseados em planejamento, RUP (Rational Unified Process), OpenUP (Open Unified Process), SCRUM, UML, e mais o que vocês acharem que deve ser incluido na sopa de letrinhas.

Mas será que um Arquiteto de Software experiente precisa entender bem de redes de computadores? de sistemas distribuidos? de bancos de dados? de frameworks para bancos de dados? de linguagens de script? de compiladores? de segurança e firewalls, arquitetura de três ou mais camadas? claro que sim, praticamente todo o conhecimento de um bom curso em Computação vai compor sua base de conhecimento técnico. Mas o que é que um Arquiteto de Software vai fazer com Compiladores? fácil de imaginar, e se o sistema a ser projetado exigir a definição de uma linguagem específica de domínio para ser usada pelo usuário final? ela vai ter que ser toda desenvolvida como parte do projeto e vai fazer parte da arquitetura do sistema, e quem é que vai enxergar isso e vai tomar a decisão de incluir isso na arquitetura? Puxa vida, mas será que precisa de Análise de Algoritmos e Matemática Discreta? também é fácil arrumar um exemplo, sistemas devem ser sintonizados para terem um desempenho estabelecido pelos requisitos não funcionais, e quem é que vai enxergar que vai ser necessário implementar rotinas de medida e análise de desempenho do sistema como um todo? comportamento do sistema diante de uma quantidade não esperada de usuários, provocando um pico de uso não planejado (escalabilidade)?

Todas essas citadas, e muitas outras, são decisões que têm que ser tomadas pelo Arquiteto de Software, e que podem ter maior ou menor impacto na arquitetura. Sistemas comerciais para a web, para serem usados a partir de smartphones, estão cada vez mais comuns e são quase que a norma. As decisões a serem tomadas com relação a arquitetura deste tipo de sistema são inumeráveis, e vão até decisões tecnológicas para implementação, e todas elas têm que ser tomadas e monitoradas pelo Arquiteto de Software e sua equipe.

E o salário, é bom? Claro que é, mas as empresas pagam o salário não pelo que o profissional é, mas sim pelo que ele faz. O Arquiteto de Software é um profissional raro, caro, e procurado no mundo todo. Eu diria que é o topo da carreira de Engenharia de Software,  e não é para todo mundo, é para poucos mesmo. E tudo começa no curso superior, no interesse pelo curso e suas disciplinas, sem preconceitos, se dedicando a todas elas com a mesma vontade. Oportunidades de aprender não podem ser adiadas, tem que aproveitar as oportunidades no momento em que aparecerem, elas podem não aparecer novamente em outro momento. E para terminar: não existe um curso superior que forme Arquiteto de Software com todos esses atributos. Não se iludam, os cursos conseguem formar a base sólida de conhecimentos para entrar na carreira, o que acaba por formar o Arquiteto é a combinação de base sólida em fundamentos associada fortemente com a experiência de mercado.

(a figura acima foi tirada do site http://wthreex.com, onde estão disponíveis definições do processo RUP com variações)

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11970941391835042039any_ono_mous_Maze.svg.thumbAfinal de contas, é história ou é estória? Têm o mesmo significado, são diferentes, como é que se usa uma ou outra? Essa questão passou a me incomodar mais, a partir do aparecimento do termo user stories, a valiosa técnica auxiliar na elicitação de requisitos  adotada inicialmente pelos agilistas (mais sobre isso em outra postagem em breve). Como seria o correto em português, histórias do usuário ou estórias do usuário? No Novo Dicionário Aurélio, não há distinção. Procurei estória, que me remeteu para história, e aí não há nem referência a estória, os termos são indistintos. Procurei mais, e achei distinção no dicionário online Michaelis-UOL, segue abaixo editado focando apenas no que achei que interessa mais para irmos direto ao ponto.

estória 
es.tó.ria
sf (gr historía) Narrativa de lendas, contos tradicionais de ficção; “causo”: “Ouviram atentos aquelas estórias de mentira, da ‘mula sem cabeça’, do saci, do curupira.

história 
his.tó.ria
sf (gr historía1 Narração ordenada, escrita, dos acontecimentos e atividades humanas ocorridas no passado. 2 Ramo da ciência que se ocupa de registrar cronologicamente, apreciar e explicar os fatos do passado da humanidade em geral, e das diversas nações, países e localidades em particular. 3 Os fatos do passado da humanidade registrados cronologicamente. 4 Ramo da ciência que se ocupa com a natureza animada e inanimada.

Portanto, pelo Michaelis, há uma distinção entre os dois termos, embora seja muito sutil, talvez mais uma dificuldade dispensável da nossa língua. Mas ainda não está resolvida nossa questão, pois usando o Aurélio, user stories seria corretamente traduzido como histórias do usuário, e usando o Michaelis, o correto seria traduzir como estórias do usuário. A ambiguidade que eu queria esclarecer, continua ambígua e sem solução. Pesquisando mais um pouco na imensidão da web, achei o artigo esclarecedor A triste história de ESTÓRIA, escrito pelo professor Cláudio Moreno, que finalmente esclareceu minha dúvida. Para a nossa língua, os dois termos são mesmo indistintos desde a sua origem, e estória foi usado inicialmente pelos estudiosos do folclore, para tentar diferenciar narrativas desta área que são mais causos daquelas referentes à história baseada em fatos reais e com base científica. Assim, teriamos estórias do Saci-Pererê e não histórias do Saci-Pererê, coisas diferentes.

Bom, mas continuo perdido que nem cachorro quando cai de mudança! Tenho usado estórias do usuário, por achar o significado do termo mais compatível com estória do que com história, mas é apenas questão de preferência, ambas as formas são corretas. Arre!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

glowing-2015-vector-free_23-21474989962014 foi mais um ano bom, embora para muitos pareça que não. Quem soube aproveitar, aprendeu muitas lições. Mais uma vez, a corrupção dominou o cenário das noticias no Brasil, parece que é uma coisa endêmica, as origens estão bem contadas nos excelentes 1808, 1822 e 1889 escritos pelo Laurentino Gomes, se ainda não leram, saibam que estão perdendo uma excelente oportunidade de entenderem melhor nosso país, seus governantes e seus habitantes. Parti para as leituras “boas” do meu ponto de vista, fui tentar superar minha ignorância vencendo muitas pendências de conhecimento político e social, li um monte de livros de bons autores, tanto liberais quanto não-liberais. E vou continuar lendo, a lista é interminável, foram tantos livros que não consegui comentar todos aqui no blog, estou devendo isso aos leitores. Seguramente, foram mais de 20 livros, quase todos marcantes na formação de minhas opiniões.

Aproveitei também para fazer uma enorme limpeza nas minhas conexões nas midias sociais de que participo. Principalmente na época das eleições presidenciais, vi tanto besteirol, tanta gente mandando adiante besteira pura, sem qualquer conteúdo de informação, isso me incomodou demais. Eu não consigo admitir que um cidadão que teve acesso ao estudo até o doutorado, chegando a uma parcela ínfima da nossa população que teve esse privilégio, venha para as redes sociais falar asneira sem tamanho, sem análise crítica, sem uma opinião embasada. Isso é querer piorar o que já é muito ruim, não tem nada de construtivo.  Pior ainda, boa parte dessas pessoas hoje é professor em universidade pública, o que me fez pensar também em como devem estar as salas de aula, doutrinação politica pura e simples, sem preocupação em formar o bom cidadão pensador e com ideias livres.  Tenho pena dos alunos! Quem não consegue pensar livremente, não consegue por consequência formar pensadores livres, com competência para adquirir conhecimento por conta própria e ter espírito crítico e honesto.

Algo muito positivo aconteceu em 2014: tomamos conhecimento de muita sujeira que anda acontecendo no país, corrupção, desmandos com verbas públicas, quadrilhas de corruptos e corruptores destruindo a reputação de empresas públicas que são nosso orgulho, aparelhamento do estado,  decisões tendenciosas e coloridas de nossas cortes mais altas. O cidadão comum teve oportunidade de conhecer tudo isso, se informar e, espero,  ter um espirito crítico melhor. Começando pela onda de protestos e vandalismo que sacudiu a sociedade, depois  pela Copa do Mundo quando vimos mais um exemplo de descoordenação e falta de gerência.  Depois passando pelas eleições presidenciais e por todo o besteirol despejado pela militância dos candidatos principais, o que ajudou muito a enxergar mais claramente o interesse puro e simples em tomar o poder, foi uma luta pelo poder e nada mais. Não vi um projeto de país, que nos permitisse enxergar com clareza os próximos cinco anos, por exemplo. E nosso país entrando na descendente, até chegarmos onde chegamos hoje, será que foi tudo planejado? Como podem ser tão irresponsáveis?

A vida só vale a pena se nós, seres humanos, soubermos aproveitar as lições que ela nos oferece. Que aparecem a cada minuto e em cada esquina, temos que saber enxergar e entender imparcialmente cada situação, e melhorar nossa visão de mundo a cada lição. O ser humano tem a capacidade de aprender, de construir mentalmente modelos de mundo próprios, que são nosso filtro da realidade, que nos ajudam a continuar vivendo.

Feliz Ano Novo, 2015 está prometendo muitas lições novas, e muitas oportunidades de aprendizado. Olho vivo!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

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