Raciocínio lógico ainda é falha de formação

question-con-2-1444519Até parece que estava lendo notícia antiga de há mais de 10 anos:  “Entre os quase 1,3 milhões de jovens de 18 a 28 anos de idade, inscritos em 94 processos seletivos de 53 companhias ao longo de 2015, somente 0,3% deles atendiam aos requisitos impostos pelas companhias.”  E a surpresa maior, isso independente da universidade de origem, os alunos das nossas grandes universidades também estão nessa amostra aí. Os critérios de seleção mudaram um pouco para outras habilidades não ensinadas ou incentivadas nos cursos superiores pelo país. Os dois principais fatores de eliminação: 54% dos candidatos não atendem ao requisito de “domínio do idioma inglês no nível intermediário ou superior“, e 45% têm “baixa capacidade de raciocínio lógico, análise e resolução de problemas“.

Achei que a exigência de inglês fluente já estivesse resolvida, afinal isso é antigo, todo mundo sabe disso. Mas aumentaram a altura do sarrafo e o salto tem que ser mais forte e mais alto, não basta mais o yes-no-ok-maybe, tem que ter fluência e saber falar de fato. Já a capacidade de raciocínio lógico raros alunos conseguem desenvolver, tem que ser trabalhada muito antes de o aluno entrar no curso superior. Seu aprendizado tem que ser associado com a exposição dos alunos a problemas reais, situações que exijam capacidade de análise e tomada de decisão. Na minha opinião, no curso superior a participação em Empresas Juniores provoca o polimento e desenvolvimento destas habilidades, pois os alunos assumem responsabilidade de fato sobre projetos a desenvolver. Têm que se dedicar a fazer planejamento (por mais rasteiro que seja, é um aprendizado real), acompanhamento do desenvolvimento, resolução de conflitos, habilidades sociais, participação profissional em reuniões com os clientes, contato com empreendedorismo e seus desdobramentos, inovação, etc. Aquisição de visão sistêmica de problemas, este é o ponto. O inglês é até considerado secundário, pois pode ser aprendido em qualquer fase da vida (em termos). Já a desenvoltura nos negócios é mais difícil de aprender, piora muito enquanto o tempo passa.

Um outro atributo é a castigada resiliência, termo usado e abusado pois se tornou modismo e ficou bonito incluir a palavra em qualquer palestra ou notícia. Na maioria das vezes, é usado errado, vejam o correto: “Resiliência significa voltar ao estado normal, e é um termo oriundo do latim resiliens. Resiliência possui diversos significados para a área da psicologia, administração, ecologia e física. Resiliência é a capacidade de voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica e fora do comum.” (vejam no site original aqui). É uma capacidade que só se adquire com a vida e com as pancadas que a gente leva dela, não acho que seja possível ficar lendo livros sobre o assunto, lendo exemplos, e aprender a ser resiliente. Quanto mais dura for a sua vida, mais oportunidades de aprender a ser resiliente você vai ter. Falei um pouco sobre essas questões em uma postagem recente, Profissões em extinção.

Os raros que são aprovados nos programas de trainee estão recebendo treinamento complementar para desenvolver as habilidades sociais, convivência em grupos, resiliência, liderança, visão sistêmica. Mas lembre-se sempre de que uma parte da sua formação é responsabilidade sua mesma, hoje o aprendizado é mais autônomo, contínuo e dinâmico, aprende-se a vida toda. Não adianta ficar esperando conhecimento cair de graça no colo, de mão beijada. Tem que saber buscar as boas fontes, aproveitando as oportunidades que surgirem. Assuma o rumo do seu futuro e da sua vida o mais cedo possível. 

Artigo inspirador deste post: EXAME de 21 de dezembro de 2016, seção GESTÃO – Recursos Humanos, jornalista Aline Scherer. Recomendo a leitura, tem muita informação importante. 

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

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2016 foi ruim? Feliz 2017!

20172016 foi um ano ruim? Ao invés de fazer aqui uma análise do ano que passou, polarizada pelo meu entendimento dos fatos e meus próprios valores ou semântica, vou enveredar por outro caminho. Entendo que como seres humanos, devemos usar extensivamente nossa capacidade única de crescer e aprender na medida em que vivemos a vida. Não nascemos com modelos e reflexos pré-estabelecidos como os demais animais da natureza (exceto o da alimentação), não temos predadores naturais e não temos capacidade de sobrevivência autônoma no mundo assim que nascemos. Nosso processo é mais longo, e dependemos de outros seres humanos (pais inicialmente, depois a rede se expande) para nossos passos pela vida afora. Somos seres sociais, políticos.

Olhando para 2016 que já ficou no passado, enxergo que foi um ano rico em aprendizado para todos nós. Muita informação foi gerada, muitas oportunidades de aprender com nossos próprios erros e acertos. Nossos governantes fizeram um monte de merda, maracutaias mil, erramos na escolha de nossos representantes legislativos e executivos. Um mar de dinheiro foi desperdiçado, desviado e pessimamente mal usado em benefícios que nem sabemos direito quais foram. O que sabemos é que educação, saúde, miséria, fome e outras mazelas não foram resolvidas, ao contrário pioraram e muito nos últimos 15 anos ou mais. Isso se enxergarmos apenas internamente, mas o mundo nos ensinou muito em 2016, quem não se entristece ao ver a guerra na Síria, os refugiados, as mortes no mar, as mortes de fome?

Independente de análises, parcialidades, interpretações com viés etc. que possam ser feitas, o que interessa é que tivemos em 2016 uma enorme oportunidade de aprendizado. Isso sim, nos permite adquirir informação que se transforma em conhecimento em algum momento, em um processo dinâmico e infinito enquanto estivermos por aqui na terra. Isso enriqueceu demais nossa capacidade de enxergar os fatos e saber analisá-los, separando as falsidades e exageros. Escolher fontes confiáveis de informação não é tarefa fácil, e eu considero que temos que pelo menos inicialmente, ler de tudo, até termos um filtro semântico (dinâmico) para entender melhor a realidade.

E ai estamos em 2017, esperando que esse ano seja um ano melhor que 2016. Mas, isso não vai acontecer por inércia, sem nossa participação. E é aí onde a porca torce o rabo: se não nos reinventarmos a cada novo ano, se não crescermos como seres humanos e aproveitarmos as oportunidades de crescimento, todos os anos vão ter a mesma cara, nosso mau humor não vai mudar, vamos ficar na ranzinzagem de sempre, reclamando de tudo e de todos. Criticar é muito fácil, principalmente sem conhecer os fatos completamente. Ficamos enraivecidos com informação rasa e manipulada, sem buscar fonte confiável. E pior, mandamos notícias falsas e sem base adiante nas redes sociais, sem verificar a veracidade e sem ler o conteúdo.

Então, fica um desafio: que tal usarmos melhor nosso cérebro e nosso potencial, e junto com as reclamações mandarmos adiante também as soluções para nossas reclamações? que tal agirmos positivamente para mudar o que estiver ao nosso alcance?  Reclamar no Facebook não resolve nada, fica tudo do mesmo tamanho, a realidade precisa de ação para ser alterada.

Feliz 2017!

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

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Previdência 1: Repartição Simples

Acho que é um bom momento para escrever sobre previdência e seu modelo público no Brasil. A discussão está no ar, embora eu veja muita gente reclamando da proposta de Reforma da Previdência Oficial feita pelo governo, sem perceber que esteja acontecendo uma discussão séria e necessária sobre o assunto. Vão aqui meus poucos centavos de contribuição ao entendimento da situação.

A previdência social no Brasil tem sua origem em 1888 com o Decreto 9912, de 26/03/1888, direcionado à aposentadoria dos funcionários dos Correios, com o requisito de 30 anos de efetivo serviço e 60 anos de idade mínima. Essa foi a semente da previdência social por aqui, e a história é muito longa e pode ser acessada aqui, por exemplo. Quero me concentrar aqui no aspecto “como é que funciona a previdência oficial”. O regime financeiro adotado aqui é o denominado de repartição simples, ou regime de caixa ou fluxo de caixa. Os recursos arrecadados são utilizados imediatamente no mês da arrecadação, não existe capitalização de qualquer espécie. A lógica é simples, temos um monte de compromissos para pagar, e o dinheiro disponível para fazer os pagamentos é o que foi arrecadado naquele mês, muito parecido com nossas finanças domésticas (para quem tem algum controle sobre ela). Esse é um modelo solidário, em que todos que contribuímos para a previdência estamos pagando a aposentadoria dos muitos aposentados, um dia será nossa vez de mudar de lado, passando de pagadores a recebedores (em termos). Em linhas gerais é assim que funciona, relativamente simples.

cashflowBom, se é tão simples assim, porque é que temos tantos problemas? Para início de conversa, o que garante a sobrevivência do sistema é tanto os novos entrantes/pagantes no sistema, melhorando a arrecadação, quanto a mortalidade da massa de aposentados. Claro, embora seja um aspecto desagradável lidar com a ideia de morte, o sistema tem que contar com essa variável. Se não acontecer esse fluxo dinâmico, a previdência fica em apuros, e os recursos podem não ser suficientes para saldar os compromissos de cada mês. O que é que pode dar errado? Por exemplo um fato marcante da nossa época, o avanço da medicina e da saúde dos idosos, aumentando a longevidade e a média de sobrevivência da população (felizmente). O impacto na previdência é grande, pois serão necessários recursos por mais tempo para continuar pagando as aposentadorias. O fator sobrevivência ou mortalidade é um dos mais importantes para manter o equilíbrio do fluxo de recursos do sistema, que deveria ser sustentado pela entrada de novos pagantes no sistema, normalmente jovens que levarão muito tempo para se aposentar e que manterão o sistema em funcionamento. Nesse ponto, podem imaginar várias situações que melhorariam o sistema, desde a entrada de muitos novos pagantes com bons salários iniciais, indo até o aumento da mortalidade dos aposentados. Ou aportes extras nos recursos, como por exemplo impostos criados pelos governos para garantir mais recursos entrando no sistema. O que não resolve muito, pois se o sistema todo não for sustentável (essa é a ideia chave), ele nunca vai se manter em equilíbrio, e de tempos em tempos vai ser necessário criar novos tributos com o mesmo objetivo. É a natureza do problema que determina esse comportamento.

Quem leu até aqui já percebeu que o problema tem uma natureza dinâmica, a cada período de anos ele muda, pois muda o perfil de mortalidade da população, variando para mais ou para menos. E os técnicos que trabalham com a previdência têm esses modelos (espero que sim) que ficam em constante execução e monitoramento, mostrando as variações e subsidiando as decisões para os anos seguintes. Por exemplo, como é calculado o valor de contribuição para a previdência oficial? Várias variáveis entram na conta, e uma delas é a tabela de mortalidade da população de aposentados, que é um elemento importante usado nos modelos. E é por isso que os governos do mundo todo, nos países que usam o mesmo modelo de previdência brasileiro, têm que fazer ajustes na idade mínima de aposentadoria (que é o que nos afeta mais diretamente). Isso tem lógica, pois se a média de sobrevivência aumenta, aumenta também o tempo de pagamento das aposentadorias, introduzindo desequilíbrio no sistema. Aumentando a idade mínima para aposentadoria, mantém-se mais gente pagando por mais tempo, dando um fôlego extra ao sistema.

Mas é só isso? Mais ou menos, pois governos costumam provocar mudanças no sistema, que só pode ser alterado por mudanças na constituição, pois a previdência é regulamentada lá, em vários artigos e seções importantes. Difícil ou não, o sistema tem ralos e benesses introduzidas por governos, o que sobrecarrega os pagamentos a serem feitos, sem a introdução da necessária entrada de recursos para suportar as alterações. E esse é o nosso terror de aposentados, a cada mexida inconsequente ou irresponsável, o fluxo de recursos sofre alteração, e o que parece fantástico à primeira vista, passa a ser um inferno depois de alguns poucos anos. Como estamos lidando com um sistema supostamente em equilíbrio, qualquer mexida em variáveis críticas provoca desequilíbrio, e os efeitos deste desequilíbrio só vão ser sentidos muitos anos adiante, em um efeito de atraso ou delay. Normalmente, quem toma a decisão de mudar, errada ou não, não estará mais vivo para perceber a merda (ou benefício) que introduziu no sistema.

Não vou me alongar, só queria esclarecer esse ponto. Teria muito mais a escrever e a contar, mas a postagem está longa e já dei meu recado. Só mais um detalhe, se é você é contribuinte da previdência oficial no Brasil, e acha que “contribuí durante 30 anos mês a mês com um valor proporcional a  R$xxxx,xx, então eu devo ter armazenado 30 x 12 x R$xxxx,xx no sistema”, não se iluda, não é assim que funciona. Não tem nada armazenado, o nosso sistema não funciona assim, embora possa ser assim. Vou falar dessa possibilidade em uma postagem seguinte, sistema de capitalização. E depois, previdênvia privada que está em alta por aqui. Aguardem!

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Profissões em extinção

O ciclo de mudanças sociais provocadas pelo avanço da ciência e da tecnologia é implacável com as profissões. Algumas vão sendo extintas, outras vão sendo criadas, habilidades e conhecimentos vão aparecendo como exigência para os novos entrantes no mercado de trabalho. E ao mesmo tempo, habilidades mais antigas vão sendo substituídas por máquinas, por software com inteligência artificial. De um modo geral, profissões baseadas em rotinas que podem ser descritas como uma sequência de passos passíveis de serem executados por máquinas virtuais, que envolvam apenas decisões rotineiras, são passíveis de serem substituídas.

Muitas profissões sumiram dentro desse contexto. Por exemplo, talvez as novas gerações não se lembrem, mas até há bem pouco tempo existia a profissão do Desenhista, profissional com formação superior responsável por desenhar, a mão, plantas de obras de engenharia, desde casas e prédios até desenho industrial, peças, ferramentas, objetos de decoração, etc. Utilizando grandes pranchetas, papel vegetal e tinta nanquim, sabem o que é isso? Com o surgimento dos computadores pessoais mais poderosos, software de projeto de engenharia e as mesas plotadoras (mesas para desenhos), aos poucos essa profissão foi sumindo. Um escritório de engenharia ou arquitetura tem disponíveis hoje várias ferramentas que facilitam esse trabalho, ajudam na produção de protótipos visuais perfeitos, e cuidam da impressão em escala e dentro das normas estabelecidas. Desenhista deixou de ser necessário, tiveram que mudar a qualificação profissional para poderem sobreviver no mercado.

Um outro exemplo é o do Protético, aquele que produz as partes de dentes ou dentes completos utilizadas pelos dentistas, ainda existente e muito usado, mas que aos poucos vai sendo substituído por equipamentos sofisticados, ainda caros para chegar a todos os consultórios. Equipamentos de laser escaneiam perfeitamente as cavidades onde vão ser implantadas as próteses, o modelo virtual vai direto para uma máquina ou impressora 3D que produz a peça na hora, dentro do consultório, com um nível alto de perfeição e aderência ao local. O sistema bancário mundial é cheio de exemplos de funções substituídas por máquinas ATM ou pelos aplicativos que rodam em máquinas que cabem no bolso (smartphones, tablets). Neste caso dos bancos, uma parte da responsabilidade é transferida para o usuário final, que tem que acompanhar e se preparar para o uso dos aplicativos. Outros exemplos de profissões que já estão na transição de mudança: Motorista (carros autônomos), Piloto de avião (drones cada vez mais sofisticados) e até Professor!

fyareportUm relatório recente da FYA – Foundation for Young Australians traz um estudo longo, cuidadoso, sobre as escolhas de cursos superiores de boa parte dos jovens australianos, que estarão em extinção nos próximos cinco anos. Em linhas gerais: -ocupações de nível de entrada no mercado de trabalho desaparecerão (secretárias, recepcionistas, caixa de supermercado, programador de computador, e outras que seguem rotinas automatizáveis); -70% dos novos entrantes na força de trabalho serão afetados diretamente pela automação (associada com inteligência artificial); -60% dos estudantes que estão atualmente nas universidades australianas estão sendo treinados em trabalhos e rotinas que serão totalmente alterados pela automação; -mais de 50% dos que já estão no mercado de trabalho serão exigidos, num período estimado de 2 a 3 anos, a terem habilidades reais para configurar, usar ou construir (programar, código mesmo) sistemas digitais. Embora o estudo tenha sido feito para a realidade australiana, a sua leitura permite concluir que ele se aplica a qualquer país do mundo que esteja adotando a tecnologia, o que inclui o Brasil evidentemente, mas não tão rápido. O relatório segue detalhando os dados levantados, e no final propõe diretrizes ao governo Australiano, para proceder a uma reforma do ensino profissionalizante e superior, para incluir disciplinas que preparem os jovens para as novas exigências de mercado. Dentre elas, as citadas como mais importantes forças que vão moldar o mercado de trabalho: Automação, Globalização (embora o novo presidente estadunidense não queira…) e Colaboração. Vale a pena a leitura do relatório completo, que pode ser baixado do site da FYA, é muito ilustrativo e bem produzido. A figura acima foi extraída do relatório da FYA.

Atualizações: Will a robot take your job? 05/12/2016 (obrigado Victor Avalos);

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High output management

downloadO título da postagem é o mesmo do livro escrito por Andy Grove em 1983 com reedições em 1995 e 2015. Quem foi Andy Grove? Falecido em março de 2016, era o CEO da Intel, um dos responsáveis pelo sucesso da empresa e por ela se manter sempre na dianteira da concorrência, num mercado difícil e altamente competitivo. Por conta disto, escreveu posteriormente o livro Only the paranoid survive (1986), onde conta como era a sua vida de CEO da Intel, suas preocupações, suas noites sem dormir para se manterem na ponta da inovação. Admiro o autor desde que li esse livro, no final do século passado (já estamos falando de séculos!).

O High output management está na mira há um bom tempo, mas como sempre tenho uma fila grande de bons livros, tem que esperar chegar a hora certa, para o livro ser apreciado. Foi publicado a primeira vez em 1983, e seu valor tem que ser avaliado neste contexto. Se formos analisar à luz da administração e seus avanços nos dias de hoje, talvez o livro pareça ingênuo. Mas, seu grande valor está em outra mensagem: na experiência relatada pelo Andy Grove como administrador muito bem sucedido da Intel. Suas práticas, seus erros, seus incontáveis acertos, a forma de lidar com equipes. O livro é baseado em três ideias principais: 1-abordagem baseada em resultados para a administração da empresa, uma visão tomada emprestada da manufatura (que é baseada em produção e resultados); 2-os resultados de qualquer negócio devem ser perseguidos não apenas por indivíduos, mas apenas por equipes bem treinadas e bem sintonizadas com objetivos e resultados; 3-uma equipe somente será capaz de entregar resultados se o máximo de desempenho for solicitado (extraído) da equipe. (mais ou menos isso, tentei versionar ao invés de apenas traduzir, espero que entendam).

Em alguns trechos do livro, tive a impressão de que alguma referência a Scrum iria aparecer, de tanta semelhança entre o que ele relata como prática recomendável com as práticas do Scrum. Mas, claro, o Scrum é bem mais novo, em 1983 os problemas eram outros, o ciclo de desenvolvimento em cascata ainda reinava mas já perdia algum terreno para ideias mais modernas. Outro ponto importante é que processos são enfatizados o tempo todo, deixando claro que a administração baseada em processos é requisito para administração de alto desempenho. O que hoje não é mais novidade, todo livro introdutório de administração explora bem a questão.

Enfim, gostei muito do livro, e recomendaria sem susto a qualquer interessado no tema. É um curso curto em administração de alto desempenho, apropriada para os nossos tempos. Boa leitura!

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Is our world a simulation? Why some scientists say it’s more likely than not | Technology | The Guardian

http://www.theguardian.com/technology/2016/oct/11/simulated-world-elon-musk-the-matrix

Este artigo me intrigou logo pelo título completamente inusitado. Lendo o artigo, mais inusitado ainda, porque são cientistas e visionários como o Elon Musk que concordam com a ideia, e ainda a discutem. 

Mas o assunto não é tão novo assim, na filosofia da ciência é recorrente. Lembrem-se de que o objetivo da filosofia é explorar assuntos de qualquer natureza,  discutindo as implicações, possibilidades, alcance, conceito e posicionamento sistêmico. E essa é uma questão que já discutimos na sala de aula: o mundo como o conhecemos existe de fato? ou é produto da nossa imaginação e cristividade? Por exemplo, o conceito cadeira é uma criacao do ser humano, cadeiras não existem no mundo real. E fomos nós seres humanos que associamos o nome ao objeto, aumentando nossa linguagem na medidade da nossa necessidade. 

Concordam que cadeiras não existem por ai na natureza? Imaginem que a humanidade seja exterminada da face da terra (humanidade também é um conceito criado pelo ser humano, humanos não existem na natureza, existem apenas as instâncias do conceito). E imagine que alguns anos depois dessa catástrofe, um membro da nossa espécie totalmente desenvolvido em laboratório, sem nunca ter tido contato com o mundo como o conhecemos, consiga sair do laboratório e comece a passear pelo mundo real. O que seria a cadeira para ele? Certamente não seria nada, como também carros, casas, prédios, etc. Conseguem abstrair o suficiente para entender o argumento?

Sendo assim,  a ideia acima de que caminhamos rapidamente para um mundo virtual, cada vez mais presente, uma matrix, não é assim tão absurdo. Se ainda não perceberam, comecem a perceber, embora ainda vivamos no mundo real. Mas essas mudanças são exponenciais, todas baseadas em informação, em bits e não em átomos, e acontecem em tempos muito curtos. Pode ser que daqui a uns xx anos, a gente não saia de casa para mais nada, nosso mundo será completamente virtual. Impossível? Nao, de jeito  nenhum, já está acontecendo. 

Para pensar! 

(from Jersey City, NJ. Using a Logitech Bluetooth Keyboard)

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Os Bórgias, a série

Depois que li o excelente livro A little history of the world, E.H.Gombrich, que recomendo demais, não percam, me baixou a curiosidade de reler partes da história mundial. Particularmente, meu interesse é pelo Renascimento, Iluminismo e Revolução Industrial, períodos da história que deixaram legados imensos para a nossa sociedade moderna, motivado pelos meus estudos em Filosofia da Ciência. Bom, comecei pelo Renascimento, um monte de excelentes referências e dificílimo escolher uma obra única. Com a enorme vantagem de a grande maioria delas já ser de domínio público, preços próximos de zero para as edições Kindle (ou outros formatos). Fui me guiando pelos comentários que achei na web e escolhi o The Civilization of the Renaissance in Italy, Jakob Burkhardt, excelente escolha, satisfez minha curiosidade em poucas páginas, tudo muito bem documentado e cheio de referências valiosas para quem quiser se aprofundar no tema. Consegui entender melhor como era a vida na Itália do Renascimento, a organização da sociedade e sua relação com o poder, o Papa Católico e seu poder absoluto tanto espiritual quanto no mundo real, a organização geopolítica da Itália com suas várias cidades-estado como Roma, Florença, Veneza, Nápoles, etc. Cada uma com seu rei, seu exército, suas regras, suas fortalezas em torno das cidades. A unificação da Itália veio muito tempo depois.

mv5bmtu1mjy1nja1mf5bml5banbnxkftztcwndu4mtg2nw-_v1_uy268_cr90182268_al_Depois dessas leituras que melhoraram muito a minha ignorância sobre o assunto, fui então assistir a Os Bórgias, uma série atualmente com três temporadas, sobre a família Bórgia, originária da Espanha (Valença) e que com as devidas mutretas e conchavos, teve Rodrigo Bórgia escolhido papa, Alexandre VI, cujo papado durou de  1492 a 1503, virada do século XV para XVI, incluindo um dos jubileus da tradição da igreja católica, o de 1500. Com os fatos históricos da leitura recente ainda na cabeça, foi fácil seguir a série toda e entender os acontecimentos e suas implicações. A série é romanceada obviamente,  mas é fiel aos fatos históricos. Pelos menos os principais acontecimentos da época estão lá registrados, tendo como personagens principais o próprio papa Alexandre VI, seu filho Cesare Bórgia e sua filha famosa na história, Lucrécia Bórgia. Tudo gira em torno dos três, a luta pelo poder, os conchavos, os assassinatos de conveniência, a formação dos exércitos, o uso do poder pelo papa, as amantes do papa, os amantes de Lucrécia e sua influência política, e a agressividade de Cesare Bórgia rumo ao poder. Aparecem outros personagens da história do Renascimento, com o famoso Niccoló Machiavelli, assessor direto do rei de Florença Lorenzo de Médici, que deixou obras valiosas para a posteridade, como por exemplo O Príncipe, inspirado em Cesare Bórgia e seus métodos em busca de poder.  Os Médici da República de Florença merecem um capítulo à parte, por seu reconhecido apoio e financiamento de artistas em Florença, considerada o berço do Renascimento, já escrevi sobre um livro que li sobre eles, vejam aqui.

Recomendo a série, sem dúvida nenhuma. Mas recomendo também que, antes, leiam alguma coisa sobre a época, na web mesmo. Não é preciso ler muito, é apenas para entender o contexto. Eu exagerei na leitura por interesse pessoal, e também por atualmente ter tempo disponível para me dedicar aos prazeres da leitura e da cultura.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

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