Faltam técnicos (bons)!

E o assunto “falta de técnicos em TI” continua no topo das preocupações, com a demanda crescente por infraestrutura e serviços de TI, provocadas principalmente pelas aplicações em dispositivos móveis e todos os problemas que acompanham a nova área. Somente o Departamento de Defesa estadunidense necessita contratar, desde 2012,  seis mil profissionais técnicos com competência para gerenciar estruturas de rede e segurança das mesmas. Em 2014, conseguiram contratar mais novecentos, e só esperam terminar as contratações em 2016 (se tiverem sorte). E o salário médio anual, nos EUA, não é dos piores, fica entre US$35.000 e US$40.000, dependendo da experiência e qualificações profissionais (link aqui).

Computer healthTécnicos em TI (IT technicians) são aqueles capazes de: diagnosticar problemas com computadores; monitorar processamento; instalar software; aplicar testes em equipamentos e software; agendar manutenção; executar manutenção em hardware; ensinar clientes a usarem software específico. O conhecimento básico exigido é: estrutura dos computadores e seu funcionamento, incluindo conhecimento amplo sobre hardware, software, sistemas operacionais e básico de programação de computadores. A formação deste profissional geralmente é feita nos cursos profissionalizantes pós-secundário, que exigem dois anos de estudos adicionais. O foco da formação é prático, é o fazer com boa base de conhecimento técnico, o profissional termina o curso pronto para o mercado (supostamente).

A universidade não tem, por definição, a missão de formar esse tipo de profissional, seu foco é em cursos de longa duração com muita base em fundamentos. O profissional formado em Engenharia da Computação ou Ciência da Computação, por exemplo, tem outro perfil, mais voltado para o projeto e pesquisa, do que para execução das tarefas mencionadas acima. Um caminho que tem sido apontado como promissor para tentar suprir a demanda é o da educação continuada, cursos profissionalizantes de curta duração destinados a profissionais já formados que, por alguma razão, tiveram que sair do mercado de trabalho. Por exemplo, profissionais cuja profissão foi extinta com o avanço da tecnologia e automação, fechamento de indústrias, situação econômica ruim obrigando indústrias a demitir, etc. Há muita oferta deste tipo de solução, boa parte na modalidade semi-presencial, com uso intensivo do computador e internet, permitindo que cada profissional estabeleça seu próprio ritmo e objetivos do estudo. Claro, temos aí uma restrição, a da idade, o mercado não aceita bem profissionais mais velhos, acima de cinquenta anos de idade.

E o problema não é só em TI. Na área médica, por exemplo, a conta é de que são necessários, em média,  cinco profissionais técnicos e um médico para cada leito hospitalar, isso mundialmente. Por enquanto, porque com o avanço da automação nos procedimentos médicos, vamos ter também a demanda por profissionais de TI na área médica, já que estamos falando de hardware e software. Por aqui, vejo com preocupação e alguma tristeza, profissionais com graduação e mestrado  em Ciência da Computação, um investimento de tempo total entre sete e oito anos de estudos, fazerem concursos públicos para Técnico em Informática, serem aprovados (uma distorção a meu ver, deveria existir o conceito do super-qualificado para a vaga) e assumirem a vaga! Candidatos sérios a se transformarem em funcionários insatisfeitos e procurarem, em curto espaço de tempo, outra ocupação ou outro concurso. A rotatividade nesse caso, no Brasil, fica por volta de 60% dos profissionais aprovados em concurso, é muita perda de recursos públicos. E muitas das vezes prejudicando o candidato que tem a formação adequada para a vaga, conforme já comentei em outra postagem aqui no blog.

Obs.: 1-Fiz uma busca no Bing, usando os termos “shortage of technicians in the US technological market“, voltaram vários resultados que comprovam essa falta de profissionais qualificados por lá; 2-esta postagem foi parcialmente inspirada no artigo A Technician Shortage escrito por Peter Denning e Edward Gordon, publicado na Communications of the ACM (CACM) de março de 2015, páginas 28 a 30.

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Rádio FM no celular?

Acho que já comentei aqui que ainda gosto de ouvir rádio. Eu e mais um monte de aficcionados, temos até a turma do Philco Transglobe,  um dos marcos da indústria do rádio e que apaixonou gerações. O que eu tenho, presente do meu saudoso pai Juca, é semelhante ao da direita ai no site. É mania mesmo, mas cada vez mais difícil de manter, porque pegar ondas de rádio hoje, só mesmo se for na roça, longe das interferências do mundo real. Na cidade, difícil achar um local que dê uma boa recepção de ondas médias ou curtas, só FM.

IMG_20150811_164809256Bom, não é segredo para ninguém que os telefones celulares e smartphones têm nativo, na sua placa, um receptor de rádio FM, que exige um fone de ouvido plugado nele, que funciona como antena externa. A recepção é sempre local, como toda estação FM. Mas funciona muito bem, recepção limpa, e não depende de wifi ou da rede do seu provedor de telefonia. Por exemplo, eu gosto de ouvir notícias nacionais na CBN ou na BandNews,  e tenho a opção de ouvir via streaming na internet, ou se estiver em Belo Horizonte ou outra cidade grande, usando o receptor de FM do telefone ou de algum radinho de pilha que ainda tenho guardados como relíquias. Se optar por ouvir via streaming, aí tenho mais um mundo de opções de boas rádios tanto nacionais quanto de outros países, ótimo para treinar o ouvido num inglês ou em espanhol. É uma verdadeira viagem pelo mundo.

Nos EUA, por interferência das operadoras de telefonia celular e da FCC – Federal Communications Comission, a placa de FM da maioria dos celulares é desativada! Se quiser ativar, tem que solicitar explicitamente ao seu provedor de telefonia. Alguns fabricantes como Motorola e HTC vendem seus aparelhos com o receptor de FM ativado, mas Apple, LG e Samsung não fazem isso. Nos bastidores, mais uma briga de interferência no direito de o consumidor fazer o que bem entender com seu aparelho. As operadoras querem mais é vender acesso a rádios na web, o que significa aumentar o tráfego em seus planos de dados, que já são usados para música e vídeos. E usar o receptor FM dos aparelhos significa a possibilidade de ouvir a rádio da sua escolha fora da rede de telefonia. Já é uma briga de grandes envolvendo regulação federal e tomada de posição pelos dois maiores partidos de lá. Vejam a notícia na revista Smithsonian Magazine, a história está lá com detalhes, e em vários outros sites.

Aqui no Brasil não existe ainda mais esta interferência do governo na vida privada do cidadão. Mas, da mesma forma que Amos Genish, CEO da Telefonica, acusou o WhatsApp de pirataria porque usa a rede wifi para fazer ligações telefônicas, e as operadoras de canais de TV pagos querem enquadrar o Netflix, não vai demorar muito para quererem também meter a colher neste assunto, seguindo o péssimo exemplo regulatório dos EUA. Tem base?

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Preço dinâmico

Já perceberam como os preços de alguns ítens em lojas virtuais mudam rapidamente? Sobem, descem, estabilizam por alguns poucos dias, depois voltam a oscilar. Comprar em loja virtual hoje é um exercício de paciência, tem que ir acompanhando os preços e quando chegar num ponto que acharmos razoável, ai fechamos a compra. Normalmente isso acontece com eletrônicos, que têm uma procura muito grande, principalmente em algumas épocas do ano. Mas acontece também com o preço de passagens aéreas (vejam o Google Flights), reservas em hotéis, aluguel de carros para turismo, pacotes de viagem. É comum entrar em um avião para viajar tendo pago um valor X por sua passagem, e seu vizinho do lado ter pago 1/3 disto em uma oferta, e o do outro lado ter pago o dobro do que você pagou. Por aqui, temos até alguns serviços que nos avisam quando ocorre mudança de preço, com alguma liberdade para o usuário determinar a faixa de preço que deseja.

file4381234717787Nos EUA, a empresa TrueCar  presta esse serviço em um mercado forte e complexo, que é o do varejo de de automóveis em geral.  Essa empresa tem uma tecnologia proprietária que ajusta as metas dos três principais atores na compra de automóveis: o fabricante, o revendedor e o comprador/cliente, calculando um preço que seja aceitável para as partes e ajustando tudo dentro das faixas de ganho de cada um. Acontece com frequência de dois ou mais compradores entrarem na mesma revenda, no mesmo dia, comprarem exatamente o mesmo carro, e pagar preços com diferenças de até 30%, com pesquisa de preço feita no site da TrueCar. No caso de automóveis, essas diferenças são muito significativas porque carros são caros, têm impacto no orçamento das famílias, e uma diferença deste nível pode significar boa quantidade de dinheiro economizado.

O “fenômeno” se assim pode ser chamado, é o preço dinâmico: preço que varia de acordo com a aplicação de um algoritmo em seu cálculo, que leva em conta vários fatores na composição do preço. No caso da TrueCar, o volume de dados a serem processados é muito grande, exigindo processamento paralelo e muita memória para possibilitar esse processamento. O sistema deles compara necessidades dos clientes com a disponibilidade em estoque das revendas, leva em consideração o preço pago por outros clientes para o mesmo modelo de carro, condição dos veículos, demanda por modelos específicos, histórico para cada caso e centenas de outros dados e indicadores. O preço é calculado continuamente podendo variar até algumas vezes no mesmo dia.  O processamento também exige máquinas poderosas, dado o volume de dados a serem considerados nos cálculos. O resultado é que mais de 2% de todas as vendas de veículos nos EUA  acontecem via o sistema da TrueCar. Isso não é pouca coisa, o total de carros vendidos por lá em 2013 foi de 15,6 milhões!

As técnicas utilizadas são todas baseadas em soluções da área de big data: processamento distribuído, Hadoop (HDFS), MapReduce originada no Google, muita estatística e máquinas poderosas. Claro, a equipe que faz o milagre acontecer é formada por profissionais com sólida formação não apenas em computação, mas também em Estatística, Matemática, etc., vejam postagem sobre o assunto aqui no blog. A área é muito nova, e cheia de oportunidades para startups e inovadores, equipe com muita bagagem de conhecimento, e capital para investir na infraestrutura necessária.

(base para esta postagem foi o artigo What´s the price now?, Mark Broderick, CACM April 2015, page 21)

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FLOW

O livro Flow: the psychology of optimal experience, Mihaly Csikszentmihalyi, foi publicado em 1990, eu comprei em 2008 e desde então está aqui na estante aguardando o glorioso momento para ser lido e rabiscado. O que só aconteceu em 2015, mas foi no momento certo. Livros ficam nas estantes, nos lembrando sempre daquilo que não sabemos, até que aparece o momento certo de serem lidos e assimilados.

51CptgTsQzL._AA160_O assunto do livro é… alegria, felicidade (happiness)! Alegria é um estado da nossa mente (ou da nossa alma, se preferirem) que anda meio difícil de ser atingido, concordam?  Usando a caracterização do próprio autor, em tradução livre, “alegria não é algo que simplesmente acontece. Não é resultado de boa sorte ou de eventos aleatórios. Não é nada que possa ser comprado com dinheiro ou comandado externamente. Não depende de eventos externos mas sim da forma como os interpretamos. Alegria é, antes de mais nada, uma condição para a qual temos que estar preparados, cultivada e preparada por cada um de nós.” Por ai já é possível perceber que a leitura do livro é muito desafiante, uma surpresa a cada parágrafo. Mas como podemos atingir a alegria como um estado próprio, interior? O autor parte então para o conceito de flow (fluxo): “estado em que as pessoas estão tão envolvidas em uma atividade que nada mais parece importar; a experiência e o sentimento produzidos são tão agradáveis e envolventes que as pessoas topam desenvolver a atividade mesmo com um alto custo (pessoal ou material), simplesmente pelo prazer proporcionado.”

Esta relação entre alegria e fluxo é explorada no livro, sob perspectivas diferentes, sempre desafiantes e enriquecedoras. Sempre na busca do fluxo ótimo, que nos deixaria no nosso estado de máximo de alegria e prazer interior. A viagem passa pela anatomia da consciência e impacto da alegria na  qualidade de vida. Um dos capítulos, que discute as condições para atingirmos o fluxo máximo, é muito interessante, porque leva o assunto para o nosso diário, para as atividades diárias. “We have seen how people describe the common characteristics of optimal experience: a sense that one´s skills are adequate with the challenges at hand, in a goal-directed, rule-bound action system that provides clear clues as to how well one is performing. Concentration is so intense that there is no attention left over to think about anything irrelevant, or to worry about problems. Self-consciousness disappears, and the sense  of time becomes distorted. An activity that produces such experiences is so gratifying that people are willing  to do it for its own sake, with little concern for what they will get out of it, even when it is difficult, or dangerous.”

No meu caso, atividades que produzem fluxo máximo são a leitura antes de mais nada, seguida de perto pelo jogo de tênis (que pratico desde os 15 anos de idade). No livro, leitura é citada como uma das atividades mais prazerosas para o ser humano, e pensando bem, está certíssimo, pelo menos para mim. Recomendo o livro, a leitura não é fácil, tem que ir com tempo e calma, apreendendo os conceitos. Mas compensa o esforço, sem dúvida alguma. Boa leitura!

Atualização 24/08/2015 – Assistam ao filme happy!, todo sobre alegria e felicidade. O autor de Flow aparece lá falando sobre o livro. Para os que preferirem, está disponível também no Netflix.

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O arroz de Palma

O Arroz de PalmaO Arroz de Palma by Francisco Azevedo

My rating: 5 of 5 stars

Fantástico, história que se encaixa bem em qualquer família. Cheio de passagens lindas, de pequenos trechos que descrevem lindamente o cotidiano da família. Por exemplo, “Jovens, queremos o impossível, e isso é bom, porque o desatino nos dá preparo físico e fôlego para a realização de nossos sonhos. Adultos, aprendemos aos poucos a nos contentar com o possível, a beleza possível, a ousadia possível – e isso é bom, porque a moderação nos vai ensinando o desapego necessário para, chegada a hora, podermos deixar a vida que é vigorosa e linda demais.” Este é apenas um dos trechos que marquei, são inúmeros, rabiscaria a maioria das páginas desse livro, que li rápido, envolvente, difícil parar de ler.

Tem um texto, extraído do capítulo 1 do livro, circulando na web. O link para esse texto está na página do autor sobre o livro, escrito pelo próprio autor. Boa leitura, para ler e reler.

Minha página no GoodReads, visitem!

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Histórias de usuários

Histórias de usuários foram concebidas, no contexto de eXtreme Programming que faz parte dos métodos ágeis, para facilitar a extração de informações do domínio do problema, na fase inicial dos processos de desenvolvimento de software. A regra subjacente é extrair o máximo de informações sobre o problema, que somente vão estar disponíveis no mundo real. São muito utilizadas, muito exploradas, e muito já foi escrito sobre elas, não há novidades com relação a isso. Mas então, porque mais uma postagem? Na minha vida de professor, consultor e de interessado diretamente no assunto, vejo vários entendimentos e usos errados do conceito, deturpando a ideia original e levando a vícios de uso, misturando conceitos com a UML, pelo menos.

Histórias devem ser usadas apenas na fase inicial de contato com os atores identificados do sistema a ser desenvolvido. Na ideia original, atores do mundo real devem anotar em um cartão a sua atuação no sistema no mundo real, suas necessidades de informação, e como um novo sistema poderia facilitar sua vida. Tudo escrito de maneira informal, deixando as ideias fluírem sem pressão de tempo ou sem o formalismo de uma entrevista, o que poderia coibir os atores de descrever livremente o que acharem necessário informar. Os cartões são coletados, passam por análise,  voltam aos atores para esclarecimentos e para completar anotações importantes, como por exemplo procedimentos de exceção adotados e outras informações. Não é recomendável nesta fase inicial de conhecimento do problema o uso de conceitos e termos mais específicos do desenvolvimento, como por exemplo casos de uso, requisitos funcionais, não funcionais, restrições, sistema, banco de dados, etc. Isso fica para depois, relacionado a fases posteriores de desenvolvimento. São considerados erros comuns: -tentar derivar histórias de usuários a partir de um documento de especificação inicial, sem ir ao ambiente do problema e deixar os atores escreverem as histórias livremente; -exagerar no nível de detalhe, evitando contaminar essa fase com jargão e ideias de desenvolvimento; -histórias não constituem um artefato de desenvolvimento, são apenas uma ferramenta inicial de aquisição de conhecimento sobre o problema, e devem ser descartadas tão logo quanto possível; -histórias não são descrições de casos de uso, há várias diferenças entre ambos. O que vai ou não ser tratado como caso de uso é uma decisão posterior às histórias, já em um processo de análise e partindo para a especificação.

Talvez por conta do uso das histórias de usuários para extração de informações por parte da própria equipe técnica de desenvolvedores, que se encarrega de ir ao mundo real e de aplicar o conceito aos atores a serem atendidos pelo sistema, uma distorção importante e comum é já usar as histórias como artefatos de desenvolvimento, adicionando detalhes de desenvolvimento logo nos primeiros passos. Continuam usando o nome Histórias de Usuário durante o restante do processo, transformando-as em artefatos versionáveis (se tanto) gerenciados como um documento de desenvolvimento. Entende-se perfeitamente a distorção, pois empresas pequenas ou microempresas, com equipe de desenvolvimento reduzida e que trabalham com orçamento reduzido e baixa margem de lucro, não têm tempo disponível para duplicar esforços e gerar vários artefatos referentes talvez ao mesmo assunto, como manda o figurino. Mas é ilusão achar que essa queima de etapas vai funcionar, porque o objetivo principal e original das histórias, que é o de conhecer bem o problema e extrair do contexto o máximo possível de informações para subsidiar o desenvolvimento posteriormente, é perdido. E lá pelas tantas, equipe  já envolvida com desenvolvimento, aparecem detalhes que não foram esclarecidos devidamente no momento adequado, e ai começa a acontecer o desastre: alterações nos requisitos começam a ser solicitadas pelos atores, ou pela equipe de desenvolvimento. Vão percebendo que os resultados entregues não refletem o problema real, faltam detalhes, faltam exceções que deveriam ter sido relatadas e anotadas, e enfim, o esforço começa a aumentar, o orçamento vai para o espaço e seu planejamento, se é que existiu algum, vai pro lixo. E ai passa-se ao desenvolvimento estilo “salve-se quem puder”, sem controle de nada.

Ai é onde mora o perigo, e mesmo em microempresas com equipe reduzida, o conhecimento e uso adequado de métodos, processos e artefatos devem ser privilegiados. Por mais que pareça perda de tempo, em algum momento essa aparente “perda de tempo” reaparece cobrando seu preço muito mais alto. Quanto mais se avançar no desenvolvimento de um sistema, mais caro fica corrigir distorções e erros  introduzidos nas fases iniciais de extração de informação e de análise. Pelos resultados correntes da Engenharia de Software, pode ser até 100 vezes (ou muito mais) mais caro corrigir um erro de análise quando o sistema já estiver entregue e em uso. Boas práticas devem ser adotadas e usadas sempre, adequadas às necessidades de cada empresa e de seu nicho de mercado.

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Entendendo melhor o fim…

Na nossa cultura ocidental,  temos uma limitação enorme em lidar com o fim, com a morte. Chega a ser um assunto tabu, proibido ou adiado sempre. Mas é inevitável, um belo dia vamos ter que encarar mais esse passo da vida, querendo ou não. Já que por enquanto não temos escolha (pode ser que a tecnologia algum dia crie o elixir da vida terrena eterna!), temos pelo menos o conforto de podermos nos preparar para o último passo, criando nosso próprio modelo do fim da nossa jornada. Meu primeiro contato com o tema foi com o excelente livro A negação da morte, de Ernest Becker, um campeão mundial de venda, ganhador do Prêmio Pulitzer de Literatura Não-Ficção em 1974, que li em 1992. Fantástica leitura, lido e relido, passagens fortes, totalmente sobre o nosso medo da morte, as fugas e confortos que encontramos ao longo da vida, e como passamos a vida toda tentando marcar nossa presença aqui, como uma espécie de fuga da morte. Mais recentemente, fui ler outro excelente livro, Por um fio, do Dráuzio Varela. Que é uma coletânea de registros de conversas do autor com pacientes terminais de câncer, muitas lições de fim de vida, principalmente sobre como as pessoas mais simples encaram o inevitável fim, ainda mais sendo pacientes terminais. De um desses relatos, uma frase me marcou e repito sempre, pela sabedoria embutida nela: a beira do barranco é que assusta o cavalo! 

beingmortal_gawandeRecentemente, li uma resenha publicada no Brainpickings  sobre um livro recente, Being Mortal, autor Atul Gawande. Pela resenha, comprei imediatamente em formato Kindle, parei todas as demais leituras e fui enfiar a cara nesse livro fantástico. O autor, um indiano cirurgião residente nos EUA, filho de médico indiano que dedicou parte do que ganhou na vida a construir obras assistenciais na India, para melhorar a vida dos mais miseráveis naquele país. O assunto, mais uma vez: a morte e como lidamos com ela, como nos preparamos para ela. No caso, de um outro ponto de vista, focando numa questão moderna: a medicina tem os meios para curar, para prolongar a vida, mas na maioria das vezes seus praticantes não sabem, ou não querem, ou não têm a coragem de parar e de avaliar melhor o que traria mais ganho para seus pacientes: mais uma cirurgia de altissimo risco e com poucas chances de sobrevivência posterior com alguma qualidade de vida, ou simplesmente aceitar os fatos e passar para os tratamentos paliativos, aliviando os sintomas e deixando o paciente morrer em paz, talvez em casa, confortado, sem dor? É outro livro fantástico, bem escrito, com vários relatos e casos reais, muito realista, uma leitura muito forte. Mais uma vez, um livro que me fez muito bem ler, principalmente pelo impacto recente da morte de nosso querido pai, me deixando órfão de pai aos 63 anos e uns quebrados! Na verdade, um privilégio poder ter convivido com meu sábio pai por tanto tempo.

Algumas passagens do livro, que fiz questão de anotar (as outras estão no meu caderno de notas no próprio Kindle): “Arriving at an acceptance of one’s mortality and a clear understanding of the limits and the possibilities of medicine is a process, not an epiphany”; “This is what it means to have autonomy: you may not control life’s circumstances, but getting to be the author of your life means getting to control what you do with them”. E finalmente sobre o processo decisório final: “…the vital questions are the same: What is your understanding of the situation and its potential outcomes? What are your fears and what are your hopes? What are the trade-offs you are willing to make and not willing to make? and what is the course of action that best serves this understanding?”

Aos que conseguiram ler até aqui, não se assustem, não estou senil, nem estou preocupado com a morte. São apenas retalhos que a gente vai colecionando pela vida, que um dia se juntam de maneira harmoniosa, e temos finalmente a oportunidade de mostrar. Filosofando!

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