Como aprendi a pensar (Pondé)

Considero filosofia dificilimo de ler, sem estar inserido no contexto de um estudo ou trabalho específico. Ou em um caminho formal, como um curso de mestrado ou doutorado. A leitura de filósofos isoladamente não é muito produtivo, porque a gente fica perdido em um mundo de opções e de linhas filosóficas diferentes. Acaba se perdendo e entendendo pouco ou quase nada, data a vastidão de possibilidades e combinações.

O livro do Pondé ajudou demais, pois mostra uma trilha de leituras e formação moderna,  seguida por um filósofo contemporâneo e respeitado, que é o Luiz Felipe Pondé. Coincidentemente, boa parte dos filósofos que ele cita eu já li alguma coisa, alguns mais, outros apenas superficialmente. Foi a oportunidade para ler por exemplo Antígona (Sófocles) como exemplo da tragédia grega (e finalmente entender o que a tragédia significa no nosso mundo). E também li Sobre a brevidade da vida… (Seneca), como exemplo da linha estóica.

Foi uma parada estratégica nas leituras para me dedicar inteiramente ao estudo da filosofia, e não apenas leitura da filosofia. Estou me sentindo menos ignorante depois deste livro, que é obra de referência e tem que ser relido eventualmente. Por isso, li o livro impresso, sem marcar nada nele próprio, apenas anotei no meu caderno de leitura. Para não viciar as releituras, que certamente vão levar a entendimentos diversos.

Se você gosta de filosofia, ou se ainda não gosta mas tem vontade de gostar, este livro é um excelente começo. Mas prepare-se para estudar e não apenas ler. E para uma infinidade de desdobramentos em novas leituras e ideias que vão se abrir.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG) (Estou no GoodReads)

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Fake news? isso é muito antigo…

Impressionante o que é relatado no livro. Somos inocentes, essa é a verdade. Enquanto o mundo discute fakenews via internet, outro mundo é especialista no assunto, usando e abusando de fakenews para destruir e construir reputações.

Muito do que a gente acredita hoje no ocidente, é resultado de notícias geradas na máquina de noticias. Tudo relatado por seu principal agente, o romeno Ion Mihai Pacepa, ex-alto funcionário do governo Romeno (na época do Nicolai Ceasescu), que em algum momento da sua vida resolveu romper com o comunismo e fugir para os EUA. Ganhou cidadania, e publicou livros anteriores sobre o que era especialista em fazer enquanto agente romeno. Este livro, em particular, todo factual, muitas referências e citações de fatos reais, tem um conteúdo denso, e que nos mostra o quanto fomos enganados desde antes da guerra fria.

Mesmo que o relato possa conter parcialidades do autor, a mensagem é clara. Minha opinião é a de que o livro deve ser lido na primeira oportunidade, se você quer entender melhor os acontecidos, e nosso amadorismo no assunto.
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It is very impressive what is reported in the book. We are innocent, that is the truth. While the world discusses fakenews via the internet, another world specializes in the subject, using and abusing fakenews to destroy and build reputations. Much of what we believe in the West today is the result of news generated by a fakenews machine. Everything reported by its main agent, the Romanian Ion Mihai Pacepa, a former high official of the Romanian government (at the time of Nicolai Ceasescu), who at some point in his life decided to break with communism and flee to the USA. He gained citizenship, and published previous books on what he specialized in doing as a Romanian agent. This book, in particular, all factual, many references and quotations from real facts, has a dense content, which shows us how much we have been deceived since before the cold war.

Even if it may contain partialities from the author, the message is clear. My opinion is that the book should be read at the first opportunity, if you want to better understand what happened, and our amateurism in the matter.

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História do medo no Ocidente

Completei, com o livro abaixo, meu quadricentésimo livro registrado no GoodReads. Entendam bem, não foram 400 livros lidos ao longo da vida até hoje. São 400 livros registrados no GoodReads, ou seja, apenas aqueles mais recentes de que consegui me lembrar. Como sempre tive a leitura como atividade favorita desde que aprendi a ler (atualmente mantenho a média de 40 livros anuais, que considero até poucos dada minha curiosidade e disposição), certamente li muito mais, nem me lembro. História do medo no Ocidente é um marco importante na minha vida de leitor, livro marcante e forte, que mudou minha forma de encarar nosso mundo maluco atual.

Livro todo baseado em evidências obtidas por levantamento bibliográfico extenso, cobrindo principalmente os séculos de XIII a inicio de XVII. Fases da história da humanidade que incluem a peste que assolou o mundo (lições valiosas para os nossos dias), a dominância da igreja católica e seus diversos preconceitos, muitos dos quais eu nem poderia imaginar que foram originados no seio da igreja católica, via encíclicas e bulas papais. O papel secundário imposto à mulher na sociedade, o ódio aos judeus, levando a preconceitos que se arrastam até nossos dias. Impossível julgar todos os atos e ocorrências daquela época à luz de nossos dias, o que seria um anacronismo: tirar os ocorridos do contexto em que ocorreram e transportá-los ao mundo atual. Muito embora a maioria dos relatos do livro sejam perceptíveis ainda hoje. Não é leitura fácil, exige atenção, muito denso, muitas citações e muitas passagens de obras da época. Assimilação de tudo o que está lá é lenta, como deve ser. Muito enriquecedor, relato vivo e poderoso. Recomendo demais, é um demolidor de mitos.

 

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Quando tudo isso terminar…

Em tempos de quarentena, todo mundo enjaulado em casa, cononavirus rodando livre lá fora sem sabermos direito onde ele está e quem será sua próxima vítima. O medo do desconhecido, da falta de perspectiva sobre quanto tempo isso tudo vai durar, quando é que vamos ter vacina?, quando acontecerá o pico de contaminações no Brasil (pergunta errada, pois os picos são setorizados, nosso país é muito grande)?, vamos ter recuperação econômica em V ou em U ou em outro formato mais desastroso?, quando os empregos vão voltar?, etc. etc. etc.

O que é que tem chance de ficar definitivamente enraizado entre nós, depois que tudo isso acabar e voltarmos a ter vida livre novamente? Do lado pessoal, pouca coisa mudará. Mudanças sociais não acontecem de repente, em pouco tempo. A maioria das mudanças são culturais, são necessárias gerações para assimilar novos hábitos a ponto de alterar comportamentos. Assim, nosso hábito de cumprimentar as pessoas com aperto de mão, abraço, beijos em alguns casos, cervejinha no final da tarde de sexta, churrasquinho (alguns na laje), futebol, bailes funk, cultos religiosos, por enquanto não vão mudar, ou se mudarem, será muito pouco. Para que a mudança ocorra nesses costumes, a geração das crianças que estão vivendo este momento de restrição social tem que chegar à vida adulta, carregando consigo a semente da mudança, para que algo possa ser percebido. É possível que nossos netos (meu caso), ao chegarem à adolescência, tenham hábitos alterados.  Quando tudo isso terminar, talvez levem uma vida mais arredia um pouco, guardem naturalmente um distanciamento físico um do outro, etc. Não é possivel prever o que vai acontecer, não estaremos aqui para comprovar as previsões, mesmo as mais superficiais.

No tocante à tecnologia, algumas mudanças de hábito vieram para ficar. Mas não são novidade, já estavam acontecendo em baixa escala, lentamente, e foram aceleradas pelo enjaulamento social. Crianças estão sendo expostas à teconologia das aulas remotas via internet, usando aplicativos simples que já estão disponiveis. Houve uma aceleração na disponibilização desse tipo de aplicativo, e hoje temos muitas e boas opções (não vou listar aqui para não correr o risco de esta postagem ficar desatualizada mais rápido). Reúnem-se com os colegas, aprendem novas habilidades, seguem aulas de ginástica, de dança e muitas outras opções. Usam os aplicativos por conta própria, vão perdendo o medo da tecnologia que vai sendo incorporada ao seu mundo diário. O mesmo acontece com os dinossauros que até então não tinham utilizado nem aplicativo bancário, e que hoje, com as restrições de entrada nas agências para terem atendimento pessoal, tiveram que aderir ao conforto de fazer tudo via telefone. Quando tudo isso terminar, o virtual certamente vai continuar presente no nosso convívio social.

Do ponto de vista organizacional, nas empresas a adoção de reuniões remotas, trabalho em casa (homeoffice) se transformaram em rotina. Quem exerce função que admite trabalho remoto, não sai mais de casa. A melhoria da qualidade da internet disponível, banda quase larga, competição entre provedores levando o preço dos pacotes a níveis pagáveis por uma maior quantidade de usuários, bons aplicativos garantindo a boa qualidade das reuniões com recursos profissionais como gravação das reuniões, apresentações de slides, envio de documentos, chat, etc. O gerenciamento de equipes remotas ficou também facilitado pela disponibilidade de aplicativos que permitem o acompanhamento de trabalhos remotos, quadros kanban compartilhados, etc. Não são novidades, e não desceram numa nave de Marte e se espalharam em uma semana. São mudanças que estão acontecendo lentamente e que foram aceleradas pelas restrições impostas pela pandemia. Quando tudo isso terminar, reuniões virtuais e trabalho em homeoffice vão continuar sendo usados em maior escala, pois já eram tendência mundial, diminuindo necessidade de deslocamentos e consequentemente custos. Mas… trabalho em homeoffice permanente ninguém aguenta, já é uma constatação, vão ter que achar um meio termo entre o presencial e o remoto.

O setor mais favorecido com o enjaulamento está sendo o de comércio eletrônico de modo geral. Compras pela internet aumentaram muito neste periodo, delivery de qualquer coisa é uma comodidade enorme, restaurantes, padarias e assemelhados encontraram no delivery uma saída para manter pelo menos parte da estrutura em funcionamento. A atividade de entregador agradece demais, pois muitas oportunidades apareceram por conta desta mudança para o comércio eletrônico. Quando tudo isso terminar, o comércio eletrônico vai permanecer em crescimento, como já vinha acontecendo e foi acelerado. Essa é tendência mundial, irreversível. Claro, se tivermos dinheiro para comprar qualquer coisa quando tudo isso terminar, pois os impactos econômicos vão ser presença constante em nossas vidas por muitos anos.

Enfim, não faço previsões, o ser humano é péssimo nisso. Minha contribuição aqui é apenas ajudar a organizar melhor as ideias.

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O problema não é conhecido…

O Coronavirus, a pandemia, o isolamento social, as discussões que surgem, o gerenciamento da crise, a questão econômica, etc., são oportunidades inesgotáveis de aprendizado. Principalmente se soubermos olhar para as interseções entre as áreas, que são as fontes inesgotáveis de conhecimento “novo”. Vou fazer aqui um exercício de imaginação, com um paralelo entre o problema da pandemia que o planeta está tentando domar e resolver, e os problemas com desenvolvimento de software. A visão aqui é mais para o lado da engenharia de requisitos de software, particularmente para o pior problema que podemos enfrentar, que são os requisitos mutantes em alta frequência. Explico abaixo meu ponto de vista.

O problema que se apresenta tem as seguintes características, pelo menos: -o problema é novo na proporção em que se apresenta; -o conhecimento disponível não é totalmente suficiente para lidar com o problema; -os requisitos não são conhecidos, e mudam a cada instante; -os atores envolvidos no problema são de perder de vista, espalhados por todo o planeta: profissionais de saúde, médicos, pesquisadores, infectados, familias de infectados, governos de modo geral em todos os níveis; indústria farmacêutica; economistas e administradores, etc.; -ninguém no planeta tem experiência em lidar com o problema presente, o conhecimento disponível se refere a outras pandemias passadas, que têm alguma interseção com a atual; -as soluções emergenciais possíveis e de aplicação imediata são da área social, principalmente isolamento social, quarentena, identificação da população mais suscetível, etc.; etc.; etc.; e mais meio metro de etc. Resumindo, no melhor estilo tirinha Dilbert: o planeta está tentando resolver um problema que não sabe exatamente qual é!

Quem é da área de TI, que frequentou uma boa disciplina de Engenharia de Requisitos :), já percebeu o tamanho do pepino. A primeira pergunta para os gerentes de projeto: suponha que o contrato seja de muitos milhões de dólares, para a sua empresa implementar uma solução planetária de software que resolva um problema com essas características (pelo menos). Vocês encararariam o desafio de lidar com um problema que vai mudando de lugar na medida em que o tempo vai passando (com consequente mudança forte em escopo), e fatos novos vão sendo agregados ao conhecimento disponível? Temos métodos de desenvolvimento, profissionais experientes no problema, ambientes e ferramentas, infraestrutura planetária (redes, soluções cloud), que possam ser utilizados para encaminhar a solução do problema? Lembrem-se que somam-se à enorme lista de requisitos não-funcionais, também os de nível gerencial, como o gerenciamento de equipes localizadas remotamente, planejamento dinâmico, gestão dinâmica de projetos (que é relativamente novo).

Alguns países (ou estados dentro dos países) têm lidado com o problema de maneira adequada, baseados em experiência do administrador principal em qualquer nível. O que se percebe é que estão lidando com o problema de maneira iterativa-incremental, ajustando as decisões e soluções prévias na medida em que fatos novos vão surgindo. Em “fatos novos” estão incluidos dados das curvas epidêmicas (número de infectados, curados, mortos, saturação da curva, etc.) que se renovam a cada momento, e são usados em uma janela diária de decisões. Claro, também estão incluidos avanços da tecnologia, como o surgimento de algum remédio promissor, possibilidade de vacinas no médio prazo, utilização de leitos em UTIs, etc. Do meu ponto de vista, a informação nova, oficial, segura, confiável, é fundamental para transmitir à população que se expõe ao vírus do lado de cá o sentimento do que anda acontecendo. Sempre contando com a imprensa para a divulgação das informações (e verificação da sua veracidade). Assim temos um quadro de gestão da crise que funciona, dadas as condições atuais.  Não esquecendo de uma boa quantidade de recursos financeiros é fundamental para que tudo isso dê certo, coisa restrita a poucos países ao redor do planeta. Não vou citar exemplos, vocês tirem suas conclusões e peguem seus exemplos do que está sendo exposto na TV.

Esta postagem expressa uma opinião, pelo que tenho visto e acompanhado. A relação que enxergo com o desenvolvimento de software é no  nível gerencial, como é possível perceber logo no inicio da postagem. As decisões não são simples, a informação disponível muitas vezes não permite que governantes tomem decisões técnicas e bem embasadas. O ideal seria termos a informação total e completa disponível, o que custa caríssimo, e nunca vai estar disponível. As decisões são tomadas com algum nível de risco associado e, no caso presente, muito risco.

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Deixem os velhos em paz

Desde que me entendo por gente pensante, certamente nunca vi tanta atenção dada aos velhos. Eu e minha esposa, e 99% dos meus amigos, estamos incluídos nesse grupo enorme, que inverteu a pirâmide populacional no mundo todo, e no Brasil em particular. Involuntariamente, estamos quebrando os sistemas de aposentadoria e de pensões do mundo, e também a assistência a saúde. Claro, velho tem problema de saúde, raros escapam. São consequências da idade, o ser humano vive hoje muito mais do que aquele tempo para o qual foi “projetado” inicialmente. Alguma coisa certamente vai falhar nesta máquina maravilhosa que é o corpo humano.

De repente, frases como “vamos cuidar dos nossos velhos”, “temos que isolar nossos velhos”, “temos que manter nossos velhos em quarentena dentro de casa” e mais um monte, algumas piores e algumas melhores, começaram a pipocar. Por exemplo, já ouvi “velho tem mais é que morrer, não servem prá nada”, que certamente é um extremo, não expressa o sentimento da sociedade em que vivemos. Pelo menos eu acho que não. Mas aí veio o Covid19, hoje já carinhosamente chamado de coronga,   e botou pressão em todo mundo. Depois desse tempo que já passamos em isolamento social, economia mundial já foi para o brejo, previsões são de que estaremos em recessão econômica com efeitos negativos comparáveis com os da grande depressão de 1929,  naturalmente o povo quer retomar as atividades econômicas, é questão de sobrevivência para todos, incluídos municípios, estados, país. Aí entramos nesse final de campeonato brasileiro de futebol sem fim: vertical versus horizontal, libera uma parte da economia, não libera nada, os estados é que devem decidir, o prefeito é quem deve decidir, o presidente não decide pelos estados, o ministro está mandando bem, etc.

Mas e aí, quem tem que ser salvo?  Os velhos, obviamente. E ai vêm as propostas “xxxxxxx, mas vamos preservar nossos velhos”, onde xxxxxxx pode ser qualquer coisa. Por exemplo, “vamos abrir as padarias, mas vamos preservar nossos velhos”, “vamos liberar o carnaval, mas vamos preservar nossos velhos”, etc. Magicamente, o velho passou a ocupar lugar de destaque, que ajuda a justificar a adoção de qualquer medida de relaxamento das regras de isolamento social impostas.

Porra, tomem as decisões que quiserem tomar, mas deixem os velhos em paz. Estamos informados de que somos população de risco, que não podemos e não devemos arriscar nada. Como se isso fosse alguma novidade, nossa vida já é assim, um risco diário, 24 horas. Velho perde mobilidade, está sujeito a quedas, se levar um esbarrão mais forte na rua (e como isso acontece!) cai no chão e machuca, está sujeito a pneumonia (que é um terror para o velho), está sujeito a cair e quebrar o fêmur ou quadril, tem que tomar muita água, não pode esquecer dos remédios que só aumentam em quantidade, e vamos por ai afora. Já vivemos dentro de casa a maior parte do tempo, nunca perceberam isso? Saímos de vez em quando, para ir comprar pão na padaria, talvez passar no banco para pegar uns trocados ou receber aposentadoria, passar em alguma farmácia para completar o estoque de remédios (camisinha não está incluída, não é remédio :)). Raros são os que ficam dando bobeira na rua o dia todo.

Parem de encher nosso saco, por favor! Se querem cuidar dos velhos, não usem a pandemia do coronga como justificativa para isso. Lembrem-se de que o destino de todos nós é ficarmos velhos, isso é imutável. Alguns podem até ficar velhos com cara de jovem (e a mão enrugada), mas é um ganho de perna curta, a biologia cobra a fatura de qualquer jeito. Eu sou você amanhã!

Vão resolver os problemas econômicos prá lá, queremos é viver o resto da vida em paz. Agradecemos a atenção, mas queremos continuar nossa jornada!

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Curva de aprendizagem: aprendendo com a crise

Na minha carreira como professor de Engenharia de Software no Departamento de Informática da UFV, procurava sempre novidades para incentivar meus alunos a enfrentarem os obstáculos que sempre surgem quando estamos aprendendo coisas novas. São desafios, e temos que estar preparados para enfrentá-los, a vida nos apresenta desafios diários, aprendizagem, mudanças. Vamos aprendendo e amadurecendo, lidando com problemas cada vez mais complicados, a vida toda. Já perceberam isso? Dentre as ferramentas ou metáforas que eu usava, uma ficou famosa, a ponto de ser assunto de uma das minhas aulas da saudade na UFV (vejam aqui).

É a curva de aprendizagem, que vem lá da Economia, onde recebe o nome de função logística. Belo nome, e tem inúmeras aplicações e variações no seu desenho e no seu uso.  Adotei esse que aparece aí na figura, que aparece em um livro de Engenharia de Requisitos muito utilizado no mundo todo. Flagrantemente desenhado por mim mesmo minutos antes de começar a escrever, não está uma maravilha, mas suficiente para esta postagem. É uma curva que relaciona Competência e Tempo: aquisição de Competência (experiência) e aprendizado ao longo do Tempo. Extrapolando um pouco, podemos considerar que estamos falando de aquisição de Competência (experiência) ao longo do nosso Tempo de vida.  Na medida em que o tempo passa, nossa competência (ou experiência ou aprendizado) também cresce. A velocidade de crescimento depende de cada um e das condições de vida, situação econômica, etc. O fato incontestável é que aprendemos, e muito, ao longo da vida. E o que se pretende com esse desenho aí é expressar essa relação.

Essa visão da curva tem uma grande utilidade didática, para a sala de aula inicialmente. Ao iniciar minhas disciplinas, eu mostrava esse desenho (algo parecido com ele) aos alunos, e gastava um tempo explicando o que vem adiante. Olhando a figura, o ponto 1 na Competência indica o nosso ponto de partida, é o estado de conhecimento atual dos alunos, antes de iniciarmos a disciplina. Aquele ponto onde a gente se sente confortável e consegue resolver os problemas que aparecem, mesmo que não seja da forma mais adequada. De repente, começa a entrar conhecimento novo, e aquela competência anterior é desafiada, levando-nos a uma queda na habilidade de resolver problemas, ou queda na competência. Sim, é isso mesmo, o primeiro passo no aprendizado é uma queda na competência, aquele ponto em que começamos a sentir que nosso conhecimento anterior está ultrapassado, e começamos a assimilar conhecimento novo. Desse ponto em diante, caimos no denominado Vale do Desespero ai na figura: não temos competência no conhecimento novo (ainda) para resolver problemas. É aquele ponto onde bate o desespero, e dá vontade de largar tudo para lá e voltar a fazer as coisas como antes. Depois de algum tempo de esforço, estudo, entendimento, leituras, conversas, etc., vamos aprendendo e saindo do vale do desespero, subindo na curva até atingirmos o ponto de competência 2, onde já teremos outro nível de conhecimento e evoluímos, fomos adiante, aprendemos. Exemplos são muitos, eu posso citar pelo menos um bem ilustrativo. Desde jovem toco violão, aprendido por mim mesmo, vendo outros tocarem, procurando entender as posições, cifras, lendo revistas de músicas cifradas, aprendendo as batidas de ouvido. É assim que todo mundo começa, não é? Sem professor, vamos na turma. Lá bem adiante, resolvi arrumar um bom professor de violão, para me ajudar a organizar meu aprendizado, e aprender a fazer as coisas mais formalmente. E ai foi o desastre, em pouco tempo não conseguia mais tocar violão como eu tocava antes (posições e batidas tinham mudado), e eu ainda não tinha competência para tocar as músicas que eu já tocava antes com os novos conhecimentos (estava no vale do desespero). Parei com as aulas ai, e só voltei a pegar no violão uns três ou mais anos depois. Voltei ao ponto 1 de competência, não consegui (faltou tempo para dedicar) avançar. Já aconteceu com vocês?

Bom, mas e daí? Qual a relação com a nossa situação atual de ameaça pelo Covid-19, que paira sobre o mundo? Talvez vocês já tenham enxergado o que vou tentar mostrar. Estamos nesse momento (no Brasil) começando a entrar no Vale do Desespero: saímos de nossa situação de conforto anterior, sem Covid-19, e caímos num buraco cheio de novidades e opiniões e fakenews. O mundo está infestado, muita gente morrendo, todo mundo em isolamento social por um período longo, estatísticas apavorantes, e nosso conhecimento anterior, nosso ponto 1, não serve para muita coisa. Nossos remédios conhecidos, pomada Minâncora, bala de hortelã, etc., não se aplicam. O desespero leva as pessoas a estocarem comida, entupir as geladeiras, acabar com papel higiênico e álcool gel (eu sei que o certo é álcool em gel) nos supermercados, estocar paracetamol, etc. E sendo bombardeados por notícias o tempo todo, cada canal de TV mais alarmista que o outro (alguns com fins politiqueiros, claramente), depoimentos variados. É um periodo de desorganização total. Tudo isso serve para acumularmos conhecimento e irmos aprendendo, filtrando, adquirindo senso crítico, enquanto o tempo vai passando e vamos vencendo o que realmente importa: o tempo necessário para que o vírus perca velocidade de propagação e de letalidade, chegando no ponto em que o isolamento pode ir sendo relaxado aos poucos, gradativamente.

Em breve sairemos do vale do desespero, e iniciaremos a subida mais suave para o ponto 2, nosso novo nível de experiência e competência. As coisas vão se estabilizar ai, até que apareça outro virus ou outra crise, talvez um Covid-25-Plus, e jogue o mundo em outro vale do desepero. E assim vamos, sucessivamente, até onde for possível ir.

Recado aos puristas: sei de tudo, entendo a curva de logística, já estudei tecnicamente, etc. etc. etc. Meu objetivo aqui é apenas mostrar uma metáfora muito útil para nos ajudar a enfrentar os desafios que a vida nos impõe, apenas isso.

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Covid-19, os negócios e os velhos

O susto inicial do surto do Covid-19 está começando a se estabilizar, e vozes mais sensatas estão começando a aparecer. Prefeitos, governadores e presidentes (no plural mesmo, estou me referindo a outros países também) já estão começando a entender melhor a situação, ouvindo vozes que conseguem enxergar sistêmicamente, e conseguindo enxergar melhor o impacto social e econômicos que as medidas radicais (e necessárias inicialmente) podem ter na sociedade no curto prazo.

Inicialmente, enxerga-se somente o Covid-19, os níveis de contaminação, as mortes, os casos recuperados, o total despreparo em termos de equipamentos do sistema de saúde, a não disponibilidade de insumos e equipamentos básicos (álcool gel, luvas, máscaras, leitos em UTI, etc.), a não disponibilidade de profissionais capacitados a lidar com o problema, etc. É tudo muito grave, e não há como resolver as deficiências em curto prazo. E certamente nenhum sistema de saúde ao redor do mundo está preparado para enfrentar uma catástrofe dessas, é a triste verdade. Enxergando apenas os fatores citados acima e as variáveis relacionadas exclusivamente a esta visão reduzida do problema, está tudo correto. As decisões foram acertadas, e o desespero inicial é perfeitamente justificável e temos que aplaudir as decisões. São decisões que qualquer dirigente tomaria sem pensar muito.

Passado o susto inicial, outras vozes sensatas começam a aparecer. Pessoas experientes, que já passaram por crises no passado, e que conseguem enxergar o Covid-19 no contexto sistêmico mais amplo, impactos sociais e econômicos. Ai o bicho pega, porque o número de variáveis ou fatores a serem incluídos nos modelos teóricos aumenta assustadoramente. Por exemplo: queda pronunciada na atividade econômica com a consequente queda nas bolsas do mundo todo (não há negócios), alta exagerada do dólar e outras moedas, queda no consumo interno, queda na produção, lojas e pequenos comércios fechando, empresários indo à falência, cidadãos e governos sem recursos para honrar seus compromissos imediatos (o que inclui salários, pagamento de fornecedores, manutenção de segurança, hospitais, educação, etc.), e muitos outros fatores que nem consigo enumerar aqui.

Mas vejam que o grave não é apenas o aumento do número de variáveis a serem consideradas. Muito mais grave, mais dificil de enxergar e de estimar, são as interações entre esses fatores e variáveis, que podem causar efeitos não planejados e inesperados ao longo do tempo. Esses efeitos não se manifestam imediatamente, levam um tempo para acontecer, o que na modelagem chamamos de “delay” ou atraso nos efeitos observáveis. Por exemplo, a quantidade de pessoas com doenças mentais (crise de pânico, depressão) aumenta como consequência do fechamento de negócios, perda de empregos, falta de recursos para manter os filhos e as casas funcionando. Impactando o sistema de saúde que já está saturado. Vai faltar comida na mesa, e quer desespero maior do que não conseguir alimentar os filhos? Não estou me referindo apenas aos pequenos negócios, esses são os que entram em colapso mais rapidamente. Estou me referindo a grandes corporações, como por exemplo as poderosas companhias aéreas com milhares de vôos cancelados e tendo que devolver o dinheiro das reservas aos seus clientes, aeronaves no chão, pessoal de bordo e pilotos dispensados ou colocados em estado de espera, com salários reduzidos.  São consequências que se retro-alimentam, pois teremos menos gente consumindo bens e produtos, o que vai ter impacto na produção, em outros níveis de emprego, etc. A espiral de danos tem efeitos de realimentação negativa, em algum tempo leva o mundo ao colapso total. Outros fatores e interações podem ser considerados, coloquem a cabeça para funcionar ai que vocês vão perceber que em poucos minutos, a lista passa a ser enorme, e os problemas passam a ser astronômicos, catastróficos.

Outra pergunta surge no horizonte: há outros caminhos que podem ser seguidos, que não sejam tão danosos assim? Ou teremos que continuar mantendo as decisões iniciais sem considerar o contexto que tentei descrever acima? Outras alternativas começam a aparecer, que levam em consideração o contexto mais amplo, e que não levam ao colapso da economia mundial. Claro que mudanças culturais devem ser mantidas, isolamento social continua a ser fundamental para evitar o espalhamento do virus, aglomerações não podem ser toleradas, etc. Mas é tudo suportável, tendo em vista o tamanho do problema que estaremos evitando. Não adianta vir com argumentos ideológicos, esses não levam a nada. A questão é puramente técnica, de tomar decisões difíceis que minimizem os impactos sistêmicos lá adiante. Não tem nada a ver com marxismo, com Piketty, com esquerda ou direita. E muito menos com os governantes de plantão, o problema é de todos nós.

Afinal, o que é que o velho tem a ver com tudo isso? De repente, o velho (eu incluido com meus 68 anos de boa saúde) passou a ocupar um lugar de destaque, saindo da posição de vilão que consome recursos, quebra os planos de saúde e de previdência, inverte a pirâmide demográfica, acaba com as tabelas de mortalidade e sobrevivência utilizadas nos cálculos atuariais. Passamos a uma posição “privilegiada”, ao ponto de termos patrulhas nas ruas, os catavelhos (aqui em Viçosa temos), que não deixam velho nenhum ficar de bobeira nas ruas para não ser contaminado. Tudo muito correto, somos o grupo de maior risco, e o prêmio pelo descuido pode ser a morte. No contexto atual, o melhor é que o velho fique dentro de casa, com tudo esterilizado, sem contato social, só comendo, vendo televisão e dormindo. Tem uma falha enorme nesse raciocínio: estão partindo do pressuposto de que todos os velhos têm uma familia estruturada, uma casa confortável com TV, geladeira, comida, espaço, poltrona para descansar, remédios, etc. Em lugar nenhum do mundo isso é verdade, a realidade é bem outra, principalmente por aqui. A maioria dos velhos não tem casa e, se tiver, ela estará lotada de filhos casados ou descasados, netos, bisnetos, noras, genros, todos vivendo no mesmo ambiente pequeno, e consumindo o pouco que ainda resta. E o velho tem que sair, ir para a rua, porque não aguenta ficar dentro de casa, não tem condições mínimas de sobrevivência. E pior ainda, mais sujeito a contaminação dentro da própria casa, o que já é fato que faz parte das estatisticas (vejam o caso da Itália). Sacaram? Ninguém faz essa análise, o velho se transformou em número,  apenas isso.

Essas minhas considerações vêm de longos anos trabalhando com modelagem sistêmica de problemas, utilizando simulação com dinâmica de sistemas para visualização de cenários. Não são modelos normativos, que dão uma solução final acabada (como os modelos quantitativos mais comuns). São modelos descritivos, que partem de modelos desenhados das variáveis e suas relações, dados ou gráficos disponíveis, e permitem avaliar cenários de decisão possíveis. Assunto para outra postagem, e longa!

Nota: deixei de usar imagens para ilustrar minhas postagens. A questão dos direitos autorais sobre imagens públicas disponíveis na internet torna impossível usar imagens de terceiros. Eu teria que produzir minhas próprias imagens para ser aderente à legislação, e nem sempre isso será possível.

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Depois da crise…

Somos péssimos em fazer previsões, por não termos acesso à informação completa (assimetria), ou não termos as ferramentas adequadas para analisar e enxergar o contexto atual lá no futuro, onde esperamos que as previsões funcionem. Informação completa custa caríssimo, e a esmagadora maioria das decisões e previsões são feitas assumindo algumas premissas e os riscos associados. Dito isso, segue minha modesta contribuição sobre o que eu enxergo como possível cenário, depois da crise do Covid19. Se é que ainda estaremos por aqui para podermos avaliar.

A economia mundial vai sofrer (já está sofrendo) uma enorme queda, que vai levar o mundo a uma recessão sem precedentes. Negócios vão ser desfeitos, empresas vão fechar, endividamento vai subir muito, produção vai cair porque a demanda vai cair, o dinheiro vai ficar escasso, o nível de desemprego vai subir assustadoramente. A confiança do consumidor cairá, e os gastos vão se restringir à subsistência e sobrevivência, se é que vamos ter uns trocados para isso. O consumo vai cair a um nível muito baixo, podem apostar.

O turismo vai (já foi) ser muito afetado, as viagens entre países vão ficar mais escassas e mais dificeis. Certamente exigências sanitárias vão ser estabelecidas nas fronteiras entre países. A cultura da viagem vai mudar, e muito. Com isso, a oferta de vôos internacionais vai cair muito, elevando mais o preço, que já é alto. As reuniões de negócio vão ser realizadas preferencialmente pela internet para evitar deslocamentos desnecessários. A tecnologia vai se desenvolver para facilitar nossa vida, como já vem acontecendo. Realidade virtual (e aumentada em alguns casos) vai ser cada vez mais usada nas salas de reunião virtuais. Exigindo aumento da capacidade da internet, latência baixa, segurança, velocidade. Vejam que nesses tempos de crise, provedores de filmes em stream estão tendo que piorar um pouco a qualidade da transmissão, para não sobrecarregar tanto as redes, dado o enorme aumento no uso.

O comércio eletrônico vai sofrer um grande crescimento, dadas as restrições de deslocamento físico das pessoas. Na verdade, esse crescimento já se verifica hoje, e vai aumentar. Tudo o que puder evitar deslocamentos: delivery de qualquer coisa, internet banking, e mais um monte de oportunidades que as startups devem enxergar claramente e aproveitarem o momento de crise para crescerem. Mesmo nas cidades menores, onde é comum ir ali na venda da esquina comprar qualquer coisa, o delivery vai aos poucos se instalar e se tornar a opção. Telefone celular todo mundo tem, nem precisa de internet para isso, basta telefonar (coisa do passado).

Vou deixar de expor o que penso sobre a sociedade e o convívio social, porque as variáveis são muitas, e interagem umas com as outras. Impossível arriscar qualquer tipo de previsão razoável, vai dar errado.

Neste momento, 24 de março de 2020, 11h20m, é o que posso dizer sobre a questão. As coisas mudam muito rapidamente, e é possivel que um novo direcionamento dos governos no enfrentamento do Covid19 (e outros que virão por ai) mude, flexibilizem as regras, deixem a economia funcionar. As regras não podem ser as mesmas para todos os estados da federação (no caso do Brasil), as decisões vão precisar de mais foco nos locais onde a crise é mais pronunciada. Levando em consideração que a ameaça que ronda todos nós é a recessão aguda, que vai empobrecer o mundo.

Nota: deixei de usar imagens para ilustrar minhas postagens. A questão dos direitos autorais sobre imagens públicas disponíveis na internet torna impossível usar imagens de terceiros. Eu teria que produzir minhas próprias imagens para ser aderente à legislação, e nem sempre isso será possível.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG) (Estou no GoodReads)

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Anacronismo

Há alguns dias, lendo o livro Escravidão (Laurentino Gomes, recomendo demais), topei mais uma vez com o a palavra que dá nome a esta postagem: anacronismo. Fui mais uma vez consultar as fontes preferidas, e topei com o significado abaixo, tirado do dicionário Michaelis online:

anacronismo
a·na·cro·nis·mo
sm
1 Impropriedade cronológica: erro de data relativo a fatos ou pessoas.
2 Erro de cronologia que consiste em situar, em uma época, personalidades, acontecimentos, ideias e sentimentos ou estilos próprios de outra: “[…] essas psicoses epidêmicas despontam em todos os tempos e em todos os lugares como anacronismos palmares, contrastes inevitáveis na evolução desigual dos povos […]” (EC).
3 Ideia, fato, atitude, modo de vestir ou método retrógrado em relação à atualidade.
4 Costume ultrapassado ou pertencente a uma época passada (duelo, monóculo etc.). ETIMOLOGIAder do voc comp do gr aná+gr khrónos+ismo, como fr anachronisme.
Particularmente, estava interessado na significado 2: Erro de cronologia…. O que a semântica nos diz é que NÃO VALE comparar acontecimentos e fatos ocorridos em épocas diferentes. Para fazer isso adequadamente, temos que transportar para o contexto correto os acontecimentos a serem comparados, para não incorrermos no enorme erro de tirar conclusões descabidas e comparações que não são válidas. Hoje é muito comum esse tipo de falha, pessoas tomam decisões do passado, tomadas em contexto e situações específicas, e transportam essas decisões para o presente, sem preservar o contexto da época. Aí é covardia, como muda o contexto, fica parecendo que foi uma decisão completamente errada (para a época atual), quando na verdade foi adequada e talvez a única possível na época em que foi tomada.
Esse tipo de argumento aparece com muita frequência nesses nossos tempos, em que tudo é criticável e nada parece correto.
Obs.: a partir desta postagem, não vou mais usar imagens para ilustrar as postagens. A menos que sejam produzidas por mim. A questão dos direitos autorais sobre imagens disponíveis na internet ficou muito séria.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG) (Estou no GoodReads)

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