Apple, Error 53 e o aprisionamento de marca

Um termo muito utilizado na economia é o “aprisionamento de marca” (vendor lock-in) que tem variações como o “aprisionamento de tecnologia” (technology lock-in) e outras possíveis, que significa você comprar um produto de determinada marca, e ficar preso à marca enquanto tiver o produto, ou eternamente se preferir. Se a manutenção do dispositivo, por exemplo, somente puder ser feita por autorizadas (fora do período de garantia), é um caso de aprisionamento de marca.

Do ponto de vista do consumidor, nada pior que o aprisionamento de marca, pois o preço da manutenção tende a ser alto, com aquela velha desculpa de que só vão usar peças originais, totalmente compatíveis, etc. Para o consumidor médio, o que importa mesmo é que o produto funcione corretamente, com peça original ou com peça de outro fabricante que mantenha o funcionamento original, e principalmente que ele tenha a liberdade da escolha. Isso é muito comum com qualquer produto, notoriamente na indústria automobilística, que é antiga e consolidada, e tem inúmeros fornecedores de peças para qualquer veículo produzido aqui. Alguns deles são os mesmos que fornecem as peças originais que equipam o veículo, só que o preço na autorizada é um, e no mercado é outro normalmente bem menor.

O que acham de comprar um equipamento caro, um iPhone 6 por exemplo, ficar com ele até passar o prazo de garantia, e ai por azar, o botão Home dá um pau, ou o aparelho cai no chão e quebra a tela? E aí você telefona para uma autorizada e cai duro no chão com o preço do reparo, tenta então uma oficina alternativa confiável, e o preço cai para 1/4 do valor inicial? A decisão tem uma componente pessoal forte, pois um iPhone 6 custa por aqui a merreca de R$3500,00 para a versão de entrada com tela de 4.7″, é um verdadeiro investimento pessoal ao invés de ser um gasto de consumo. Para manter o equipamento, a maioria vai preferir fazer qualquer reparo, em qualquer tempo, na rede autorizada, não é isso? Mas, é direito do consumidor escolher, não é? Ficar aprisionado na marca é que não dá certo, não é aceitável.

É o que está acontecendo com o já famoso Erro 53 que aparece em iPhones 6 consertados fora da rede autorizada. O iOs 9 detecta a intrusão via algum problema que aparece no sistema de identificação biométrica do aparelho, e aí bloqueia o aparelho, ele fica inutilizado e o proprietário perde tudo o que tinha nele, a memória interna fica inacessível. Vejam aqui neste link, por exemplo, o artigo que saiu no BoingBoing, com um relato de um fotógrafo que perdeu todas as fotos que estavam armazenadas no seu iPhone reparado fora da rede autorizada.  É um desastre do ponto de vista de direitos do consumidor, tanto que a Apple já está pensando num remendo feio, que é o “owner override” em que o proprietário do aparelho concorda formalmente com a alteração que está sendo introduzida pela manutenção fora da rede. Eu acho isso uma solução péssima, que eu nem ouso chamar de gambiarra pois gambiarras são soluções criativas de modo geral. Ou seja, eu tenho um aparelho, que eu comprei com meu dinheiro, eu levei para consertar fora da rede credenciada por minha própria iniciativa, e eu ainda tenho que concordar formalmente com a “quebra de monopólio” da manutenção? Pela madrugada, isso é intervenção demais na minha vida, nós aqui no Brasil já estamos de saco cheio disto, ou não?

Claro que existe o argumento de que esse tipo de política da empresa é para garantir a qualidade dos seus produtos. Pode ser, mas a escolha tem que minha, do consumidor. Estão, no meu entendimento, caindo no mesmo erro que outras empresas que lidam com tecnologia cometeram no passado, de “prender o hardware” e acabaram morrendo por asfixia.

Desdobramentos: InformationWeekTIME Magazine; ZDNet;

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Superbowl 50, 2016

Mais uma vez tenho que me assustar com o tamanho do evento Superbowl nos EUA, este ano acontecendo em Santa Clara, California, no estádio Levis’s Stadium, considerado o maior e mais moderno estádio para essa modalidade nos EUA. É a final do campeonato nacional de futebol americano, que leva zilhões de pessoas aos estádios durante toda a temporada, movimenta jornais, revistas, patrocinadores, jogadores, famílias, crianças, adultos. O evento deste ano é o Superbowl 50, sua quinquagésima ocorrência.

IMG_4939Os números são de impressionar, e alguns se referem a toda a temporada, e não apenas à final: US$5 milhões para uma inserção de comercial de 30 segundos; US$25000 o preço do troféu a ser entregue aos campeões, produzido pela Tiffany & Co; 9 milhões de libras (aprox. 4.5 milhões de quilos) de creme de abacate, ou guacamole como é conhecido por lá; 1.25 bilhões de asas de frango serão consumidas como tiragosto; 14.500 toneladas de chips de todos os tipos; 325 milhões de galões de cerveja (1 galão aprox. 3.8 litros); 1.5 milhões de trabalhadores vão alegar algum tipo de doença para faltarem ao trabalho no dia do Superbowl 50. Acho que isso aí já é suficiente para avaliarmos o tamanho de uma temporada da NFL.

Na semana que antecede o Superbowl 50, eventos relacionados acontecem a semana toda, incluindo campanhas educativas (câncer por exemplo), eventos esportivos envolvendo crianças para ativar o interesse por esportes, vejam a lista aqui.  Claro que é um evento comercial e muito forte, mas não deixa de ter seu lado social, para angariar simpatias e aumentar os números no próximo ano. Crianças e jovens serão os futuros torcedores, frequentadores dos estádios e talvez até novos jogadores, ficam de olho na sustentabilidade do negócio.

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Curso superior, qual o melhor para mim?

800px-Where_to_go-Qual curso superior é a melhor escolha para mim? Esta é a pergunta recorrente que gerações de jovens querem ver respondida, de preferência com muita certeza. Afinal, estão fazendo uma escolha de curso que pode significar a determinação de todo o seu futuro. Mas é uma pergunta que não faz mais muito sentido hoje, discuto abaixo. Lembro-me de que quando eu escolhi meu curso superior, não tinha muitas opções. A única certeza que eu tinha era a de que eu não queria ir para áreas biológicas ou da saúde, Medicina inclusa. Queria ir para Exatas, e as opções na época eram: Matemática, Física ou Engenharias. E eu já tinha uma experiência como programador de computadores, usando Fortran (a linguagem bisavó das linguagens de programação atualmente em uso), queria continuar na trilha da computação, que tinha e ainda tem enormes desafios, tanto práticos quanto na pesquisa acadêmica e no desenvolvimento tecnológico. Não existiam ainda cursos plenos na área de computação, a escolha óbvia seria uma Engenharia, que me permitiria continuar na computação. Apesar das poucas opções, foi uma escolha baseada na abrangência, pensando em que um curso de engenharia me prepararia muito bem para várias funções e carreiras futuras, com uma visão ampla de problemas e situações, visão sistêmica.

Assim, escolhi a Engenharia Elétrica, e vim para BH estudar no IPUC-UCMG (Instituto Politécnico da Universidade Católica de Minas Gerais), hoje PUC-Minas. Arrependimento nenhum, fiz um bom curso, de fato me preparou para a vida e seus desafios, e eu ainda trabalhava como programador COBOL na PRODEMGE, desde o meu segundo ano de curso. Muita experiência adquirida, muitos desafios, muita gerência de tempo, que me permitiram determinar e ir ajustando minha carreira profissional depois da formatura. A escolha: fiz concurso na UFV por opção pessoal, fui ser professor, segui toda a carreira do mestrado ao doutorado e ao pós-doutorado, até atingir o nível de Professor Titular em que me aposentei recentemente. Nunca me arrependi da escolha da Engenharia Elétrica, foi acertada para a época, o mesmo posso dizer de ter escolhido a carreira acadêmica, que na época era uma boa escolha (hoje nem tanto).

Entendo que o problema hoje é muito mais complicado. Os cursos foram se dividindo e se especializando em áreas, antes eram mais concentrados e mais abrangentes, mais sistêmicos, e alguns hoje são mais especializados aumentando demais as opções, dificultando enormemente as escolhas. Não vou citar exemplos, para não melindrar profissionais que já estão no mercado, mas é muito fácil achar vários. Uma escolha mais específica pode de fato dificultar a mobilidade profissional futura, com o complicador de que o corporativismo impera no mercado profissional, limitando ou até impedindo algumas mudanças de rumo após a formatura. Aquela ideia de que posso escolher um determinado curso e depois da formatura, se eu quiser mudar de rumo, posso fazer um mestrado na nova área escolhida que fica tudo resolvido, não é mais tão válido e tão fácil assim de aplicar. Editais de concursos costumam colocar travas corporativas, e é muito comum encontrar editais exigindo profissionais com formação superior específica, quando na verdade não seria necessário nem prudente especificar tanto assim. Em algumas situações é obrigatório exigir formação específica, mas são casos justos e raros, em áreas críticas.

Bom, mas e daí, como é que decide? Se eu fosse escolher meu curso superior hoje, com a experiência de vida que tenho, continuaria na mesma linha que adotei no passado: escolheria o curso superior com a maior abrangência possível dentro das minhas preferências, e deixaria para me especializar no futuro, quando minhas escolhas profissionais exigirem. Por exemplo, eu escolheria Administração ao invés de qualquer ramificação que especialize mais: Gestão de AlgumaCoisa é mais especializado, no meu entendimento uma escolha menos adequada que Administração, o mesmo raciocínio vale para as demais escolhas. Isso explica, por exemplo, porque as Engenharias continuam com um nível alto de procura e concorrência nos vestibulares, vale o que eu disse no inicio da postagem. O formando sai com visão sistêmica, um bom preparo na resolução de problemas, o que lhe facilita os ajustes futuros de carreira. Exceto, é claro, se sua preferência ou tendência profissional for para um curso superior de Matemática, Física, Biologias, etc., que são na verdade  cursos em áreas fundamentais, escolhas adequadas para quem quer seguir carreira de pesquisador ou professor.

Não existe, para mim, a “escolha do melhor curso”, daquele curso que vai  proporcionar mais brilho e mais sucesso na carreira. As escolhas devem ser “adequadas”, e as correções de rumo podem e devem ser feitas com coragem e foco, sempre (tenho vários ex-alunos que largaram o curso de Computação em algum ponto  para começarem outro curso, sem problema algum, corrigiram o percurso no momento adequado). Para ter sucesso profissional, fatores fortes e importantes estão em jogo: sua dedicação ao curso, seu nível de desempenho, os estágios que você fez, as atividades extra-curriculares que você desenvolveu (festas não fazem parte destas atividades), as boas leituras extra-classe, suas habilidades em outras línguas, etc.

Boa parte dos jovens das novas gerações vivem de “informação rasa”, o que não leva a mudança de mentalidade ou melhora do nível de conhecimento em algum assunto. O padrão é fazer uma busca no Google, pegar um link “bom” entre os três primeiros que aparecerem, ler rapidamente o conteúdo (se for longo demais, não serve), e daí formar opinião sobre assunto sério e complicado, de certa forma “terceirizando” sua opinião. Do ponto de vista profissional, de carreira, isso é inaceitável sob todo e qualquer aspecto, é um desastre. Profissional com opinião rasa tem carreira rasa, esbarra em qualquer pedra no meio do caminho, não resiste a uma entrevista bem conduzida. Basta entrar em alguma rede social, para verificar o que estou dizendo: todo mundo tem opinião definitiva sobre qualquer assunto, é incrível.

Sem dedicação, trabalho sério, construção diária de experiência e conhecimento, foco no curso e no seu conteúdo, você só vai perder tempo e dinheiro na vida. Dificilmente vai chegar ao tão desejado “sucesso”, que é outro conceito conturbado e cheio de nuances, não é mais um conceito absoluto.  Portanto, mãos  à obra, sem trabalho não há como avançar e ser feliz profissionalmente.

Postagens relacionadas:  –Mercado ou mestrado?; –Serviço público ou iniciativa privada?; –Orientação acadêmica;

Esta é uma postagem baseada na minha experiência de educador e orientador, testada em inúmeros casos de sucesso. Como tal, certamente pode não coincidir com a opinião de alguns leitores, mas se ela servir para pelo menos acender alguma luzinha, já terá cumprido seu papel.

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CSF acabou, e agora?

Com o fim inesperado do programa CSF  – Ciência sem Fronteiras, muitos jovens viram seus sonhos, ou parte deles, interrompidos talvez definitivamente. Escrevi o que penso sobre o CSF aqui, e não mudei de opinião. É um programa necessário e indispensável, que mostrará seus impactos positivos em alguns anos, quando os alunos beneficiados até agora chegarem ao mercado de trabalho. Claro, precisava correções, acertos, avaliações de objetivos, seleção mais rigorosa, etc. Como de resto, qualquer programa financiado com dinheiro público (o CSF foi parcialmente financiado pela iniciativa privada,  uma parceria). Não é assim com as bolsas de pesquisa, de iniciação científica, de mestrado, de doutorado, de pós-doutorado e etc.? Regras infernais para entrar, regras infernais para sair, e regras mais infernais ainda para se manter vivo dentro do programa. Uma pena ter sido encerrado.

Mas e agora, como é que você vai continuar perseguindo o seu sonho? Felizmente, não é o fim do mundo, e programas de intercâmbio existem há tempos, há oportunidades e possibilidades fora do CSF. Vários ex-alunos meus saíram para passar um ano fora estudando em outras universidades, trabalhando em tempo parcial e estudando inglês ou outra língua, tiveram a mesma oportunidade e adquiriram o mesmo conhecimento. Esses programas continuam ativos, uma busca rápida usando “programa de intercâmbio” como frase de busca no Google que sabe tudo, e vão aparecer várias indicações. Eu não saberia dizer qual programa de intercâmbio é bom ou ruim, mas isso é fácil descobrir, novamente recorram ao santo Google, tem que gastar um tempo nisso para ter segurança. Normalmente esses programas exigem um investimento financeiro, para compra de passagens de ida e volta, seguros, estadia em alguns casos. O que significa necessidade de planejar tudo com muita antecedência, juntar a graninha suada, focar em aprender inglês ou outra língua. Mas não tem novidade nisso, para viver a vida temos que fazer sacrifícios diários, não apenas financeiros. Sonhos exigem dedicação, foco, perseverança e resiliência (não poderia faltar!). Tenho várias histórias que poderia contar aqui, de alunos que encararam o desafio, arrumaram dinheiro emprestado com a família, encararam o desafio, voltaram e pagaram tudo certinho, e abriram portas enormes para um futuro brilhante.

Uma lição deve ficar dessa questão do CSF: não dá para confiar em programas de governo, para nada. Como o padrão aqui no nosso país é não ter planejamento e visão de longo prazo, tudo o que começa inesperadamente também acaba inesperadamente, sempre na incerteza. Não há segurança de andarmos por um caminho seguro sempre, essa é a verdade. Espero que esta postagem atinja os sem-CSF, que se decepcionaram com o fim do programa. Não desistam, encarem os desafios e corram atrás dos seus sonhos. Um pouco mais de esforço, mas plenamento recompensado pelos resultados, pelo amadurecimento e pelo enorme aprendizado de ficar uns tempos vivendo em outros país, absorvendo outra cultura, amadurecendo as ideias e aprendendo a pensar no futuro.

Pela minha experiência, qualidade se atinge por emergência a partir da quantidade, e não por decreto.

Links úteis: Estudar fora (obrigado Luiz Paulo); Santander Universidades – bolsas exterior;

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Ciência de dados

Em 2013, escrevi aqui uma postagem sobre o cientista ou analista de dados, mais um ramo das carreiras em computação que estava despontando. Muito aconteceu nesse longo período de quase três anos, a área evoluiu, a necessidade de mercado aumentou, a procura por profissionais qualificados seguiu a tendência e hoje algumas universidades ao redor do mundo estão introduzindo disciplinas relacionadas com o assunto tanto na graduação quanto na pós-graduação.

Em alguns cursos, o tema ciência de dados (data sciences) está sendo introduzido na graduação como tópico em disciplina já existente. Outros introduzem disciplinas específicas sobre o tema, incorporando também disciplinas fundamentais da área de estatística sem as quais é impossível fazer qualquer análise útil de dados. E finalmente alguns cursos estão se reinventando e se transformando em curso de graduação em ciência de dados. Os exemplos são muitos, vejam o artigo citado no fim desta postagem com alguns deles. Em particular: -a  University of Albany  foi mais ousada,  fundou uma nova escola de engenharia e ciências aplicadas e um instituto dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de análise avançada de dados; -a Drake University  tem um foco mais de mercado  criando um programa envolvendo departamentos de Administração (college of business) e de Artes e Ciências (college of arts and sciences), permitindo que alunos de graduação se formem em qualquer deles com ênfase em ciência de dados; -a  University of Texas substituiu seu programa de mestrado em tecnologia da informação e ciências da decisão (decision sciences), por um programa único e mais moderno de mestrado em business analytics (ciência de dados aplicada a negócios).

Os níveis salariais no mercado estadunidense são promissores (em mil dólares ano): -Analista de Dados nível de entrada, entre 50 e 75, nível experiente de 65 a 110; -Cientista de dados entre 85 e 170, só para termos alguma referência. Para os níveis gerenciais na área o salário pode alcançar 240, o que é considerado um salário alto no mercado estadunidense (e ainda tem plano de saúde e outras vantagens incluídas).

Não considero que seja mais uma onda passageira. É mais um ramo de conhecimento multidisciplinar que se expande, atrai profissionais qualificados, provoca mudanças em currículos e em orientação de carreira tanto para quem já está no mercado, quanto para quem está na graduação. Se a área interessa a você mas seu curso de graduação não oferece ainda disciplinas ou temas relacionados, o melhor é você se virar sozinho, aprendendo os conceitos da área, as técnicas e métodos, ferramentas mais usadas, cursos online, etc. Essencial também é cursar algumas disciplinas nos fundamentos, como por exemplo as da área de estatística que são indispensáveis  para conduzir as análises de dados e extrair informações valiosas a partir delas. As matemáticas serão sempre bem-vindas e necessárias, tirando você da sua zona de conforto. Elas não são o terror dos estudantes de graduação?

Artigo inspirador sobre as iniciativas das universidades, vejam aqui.

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Extinção, chegando rápido

123764511_1GGFinalmente, um livro conciso, bem escrito e extremamente informativo, que conta mais um pedaço do quebra-cabeças da nossa passagem aqui pela terra. Na verdade, foi escrito com a finalidade de ser informativo e levar o assunto desmistificado ao leitor não-técnico, por isso ganhou o Prêmio Pulitzer 2015 na categoria Não-Ficção. A autora, Elizabeth Kolbert, é jornalista da revista estadunidense The New Yorker, com várias outros livros publicados sobre o mesmo tema de sustentabilidade, mudanças climáticas e vida no planeta terra.

Com a extrema facilidade de migração e viagens do homem proporcionada pela tecnologia, espécies vão sendo transportadas intencionalmente ou não, entre as regiões do planeta. Bactérias, fungos, corais que antes viviam em um habitat propício e único, são levadas a outras regiões (por exemplo em água dos tanques de flutuação de navios, em aviões, na bagagem de passageiros, na sola do sapato, na carcaça de embarcações, etc.), causando desequilíbrio ecológico em outras espécies que não têm defesas contra os invasores. Assim vemos a dizimação de morcegos na Nova Inglaterra causada por um fungo até então inexistente na região, o sumiço das abelhas sentido em várias regiões do planeta, a invasão das piton de Burma na Florida (chegando a níveis incontroláveis), o desaparecimento de orangotangos, rinocerontes, elefantes por ação predatória do homem. Mudanças climáticas, aumento da temperatura nos oceanos, acidificação das águas dos oceanos por causa do aumento da temperatura, extinção de espécies que não conseguem sobreviver em meio ácido. Estamos presenciando, possivelmente, a sexta extinção: o homem causando a sua própria extinção no planeta.

Copio a seguir uma citação fantástica que aparece no livro, do biólogo estadunidense Edward Osborne Wilson, que merece ser lida e entendida: “Se houver qualquer risco para a trajetória humana, ele não reside tanto na sobrevivência de nossa própria espécie, mas na concretização da suprema ironia da evolução orgânica: no instante em que alcançou o conhecimento de si própria por meio da mente humana, a vida condenou suas mais maravilhosas criações.”

Já adianto que não é um livro catastrofista, que fica o tempo todo tentanto empurrar um ponto de vista goela abaixo do leitor. É um livro sensato, descritivo e que estabelece as relações necessárias ao entendimento, e mostra as evidências de extinções de espécies ao redor do planeta, em sítios que a autora visitou, acompanhou junto com grupos de pesquisa, coletou material e ajudou a analisar. Passa, antes de mais nada, uma visão sistêmica isenta sobre o que anda acontecendo silenciosamente no nosso planeta, por nossa própria ação não-intencional na maioria das vezes. Vale a leitura, muito acessível, mostra um cenário que a maioria de nós nem de longe imagina. Mudança climática não é nosso único problema. Nós somos nosso maior problema!

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