Sucesso em startups

Fui convidado para escrever uma coluna no jornal do SIMI – Sistema Mineiro de Inovação, a partir de março de 2018. Segue a mesma linha do blog, mais voltado para inovação, empreendedorismo e seu ecosistema. O primeiro artigo publicado, Sucesso em startups, está disponível aqui neste link. Espero que gostem, e assinem o informativo do SIMI, tem muita coisa boa publicada.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG)

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Publicado em Empreendedorismo, Inovação

A world without time

Livro esotérico, destinado a um público bem restrito e que tenha conhecimento anterior (muito) em filosofia da ciência. Mesmo porque, apenas Einstein é conhecido pelos mais novos. Godel, aposto, raros ouviram falar dele. Dito isso, o livro é interessantissimo e desafiador, pois examina a questão do tempo para nós, humanos. Tanto do ponto de vista filosófico quanto lógico, da ciência. É também um pouco biográfico, pois conta com detalhes a relação entre os dois filósofos-cientistas, a vida produtiva deles, seus maiores legados, e seu final em Princeton, no Instituto de Estudos Avançados, que gerou tanto legado para os fundamentos da matemática, da filosofia e da ciência.

Enquanto o autor narra a vida na época, passa também pela ebulição científica ocorrida na Áustria, especialmente Viena, berço dos maiores filósofos da ciência da época, Círculo de Viena e os  positivistas, Rudolf Carnap, vindo até Karl Popper que era mais jovem. O livro é uma viagem, tanto do ponto de vista cultural, quanto do ponto de vista filosófico. Sua leitura é um desafio, e mesmo eu já tendo sido exposto a tudo o que está nele desde a época do meu doutorado, quando tivemos que entender profundamente o alcance do seu teorema da incompletude em sistemas formais. De quebra, entendendo também consistência em sistemas formais, são dois conceitos indissociáveis.

Oportunidade para pensar muito no fato inconteste de que o ser humano ainda é muito pequeno e incapaz de entender e explicar o universo que nos cerca. E para ter mais certeza de que a filosofia é indispensável como suporte para a nossa própria vida. Recomendo a leitura, mas não se enganem, um livro de poucas páginas, mas de um conteúdo explosivo em conhecimento.

Homenageio aqui meu orientador de doutorado, Roberto Lins de Carvalho, que nos ensinou o caminho da filosofia da ciência, Godel, Putnam, Kleene, Hilbert, Popper, Carnap,  e vários outros. Tenho certeza de que gostaria demais deste livrinho.

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Carnaval hoje

Eu e mais um monte de gente estamos acompanhando as mudanças no carnaval ao longo do tempo. Quando eu era criança pequena lá em Visconde do Rio Branco, o carnaval era de rua, blocos na praça, todo mundo ia para a rua, começava cedo e acabava cedo, sadio e divertido. Depois passou para carnaval de clube, a rua foi sendo deixada meio de lado, blocos foram para os clubes. E assim foi por muito tempo. Depois o carnaval de rua foi voltando aos poucos, concentrado em alguns lugares como na Praça da Estação em BH e outros locais que comportem grandes concentrações de pessoas querendo se divertir.

Hoje chegamos ao outro extremo, segmentação total. Um monte de blocos, tipo cada um tem um localizado em um bairro ou rua, entupindo as ruas das cidades de gente, barulho, gritos, desrespeitos a quem não quer participar, impossibilidade total de tirar o carro da garagem, situação quase que caótica. Um monte de ambulantes vendendo de tudo, alguns autorizados pelas prefeituras que ficam com a ilusão de que ganharam um troco no licenciamento mas se esquecem de que depois vem a calmaria e com ela, a limpeza que tem que ser feita, e os danos ao patrimônio devem ser ressarcidos ou recuperados, isso tudo custa muito caro. Mas a maioria dos vendedores é de ambulantes na sombra, vendendo cerveja e comida empacotada. Banheiros poucos, as portas dos prédios ficam todas mijadas e coisas piores, e os moradores ficam reféns de casa, a alternativa é se juntar ao grupo ou viajar. Dormir? isso é para os fortes demais!

No meu fraco entendimento de urbanismo, as cidades não comportam o crescimento desse tipo de solução para o carnaval e outras festas populares. O modelo está chegando no limite, isso é bem visível, mas claro que para administradores municipais, não é tão visível assim, é até invisível (credo, esse final ficou parecendo fala de uma presidenta nossa). As cidades não comportam, não há espaço, estrutura, segurança, cuidado sanitário. Violência sempre é um risco, hoje qualquer motivo é suficiente para tiro, porrada, briga de turma, ainda mais com a cabeça cheia de bebidas ou outras drogas (não é privilégio do carnaval, em qualquer festa com muita gente nas ruas pode acontecer). Impossível garantir segurança em todos os pontos onde existam blocos nas ruas.

Qual será a próxima onda para o carnaval? Em tempos de febre amarela, dengue e derivados, não é muito dificil prever. Aos poucos vamos voltando ao modelo anterior, em locais amplos destinados a festas populares. O atual não se sustenta.

Achei um monte de fotos para ilustrar essa postagem, mas todas com direitos autorais, publicadas em grandes redes. Se eu usar alguma aqui, é certeza de que vou ter que excluir. Por isso a postagem está sem fotos, pelo menos por enquanto.

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Pompeia

Em outubro 2017, resolvemos encarar um passeio curto pela Europa, via pacote turístico. Incluiu parte da Itália, uma passagem pela Suiça apenas uma noite, e o restante do tempo em Paris. Cansativo demais, mas ao mesmo tempo tranquilo, sem preocupações com carro alugado, estrada, estacionamento, sinal do celular para usar o Google Maps, etc. Para um casal na terceira idade, nada melhor, apesar da correria e da pressão de tempo. Vou falar aqui um pouco sobre a cidade histórica de Pompeia, que nos impressionou demais.

Fica localizada na base do famoso vulcão Vesúvio, na região sudoeste da Itália, muito próxima de Nápoles (22 km). Pertencia ao Império Romano, fundada nos séculos VI e VII, e completamente destruída pela erupção do Vesúvio no ano de 79. Somente em 1748 foi descoberta por acaso, e aí começou o trabalho de escavação e recuperação da cidade pelos arqueólogos. Tudo muito preservado pelas cinzas expelidas pelo vulcão e pela lama que se formou com a chuva que acompanhou a erupção.  Hoje é patrimônio mundial pela UNESCO, e é muito bem preservada e bem cuidada. Claro, muito vigiada e sempre com muitas pessoas fiscalizando e orientando os 2.5 milhões de turistas que passam por lá todos os anos. Vejam aqui na Wikipedia um resumo histórico sobre a cidade.

É incrível como os romanos, lá nos séculos VI e VII, tinham uma noção de organização urbana espetacular. Ruas bem desenhadas com espaço para circulação de carros (bigas, carruagens), todas pavimentadas com pedras lisas bem colocadas, e as marcas das rodas das carroças aparecem nas pedras, cortadas pelo uso. Calçadas idem, largas e pavimentadas com as mesmas pedras encontradas nas ruas. A cidade tem setor residencial separado do setor comercial. Ruas de comércio, com as pequenas lojas e “botecos” preservados, com balcão de atendimento, algumas com fornos. As moradias com noção de divisão funcional, com sala, quartos, etc. Algumas casas que vimos, tinham preservados no chão os moradores pegos de surpresa pela erupção do vulcão e ficaram soterrados ali, debaixo das cinzas, mas incrivelmente bem preservados. A cidade fica numa região elevada, em alguns pontos é possível ver todo o vale abaixo e ao redor, e o Vesúvio sempre de olho. A foto que acompanha a postagem é de uma rua da cidade, procurei capturar uma rua de ponta a ponta, para dar uma noção do comprimento da mesma. Vejam que as ruas não são curtas, e são várias assim, com o mesmo tipo de organização.

Ficamos impressionados com Pompeia e seu peso histórico, que está presente no ar que se respira por lá. Todas as nossas aulas de história do ginásio (secundário) voltaram à mente, nossos professores Pedro Gomide ou Pélmio Carvalho falando sobre Pompeia e sua importância na história da humanidade. Viajar traz retornos, sempre vale o sacrifício financeiro. Até a próxima postagem e a próxima viagem.

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Feliz Ano Novo!

Mudamos de ano, mas de fato nada muda. O fluxo normal dos acontecimentos continua firme, cada novo ano herda tudo do ano anterior, problemas e soluções.  Continuamos com os mesmos problemas, uma parte sendo resolvidos com muito esforço de poucos, empurrando paredes e paredões. A criatividade do ser humano é enorme, cada dia aparece um esquema novo, ainda não detetado pelas investigações de nomes extravagantes.

Estamos confiantes nas eleições para mudar os rumos do país, mas de fato nunca mudamos nada com eleições, até pioramos. Eleição direta é apenas uma parte do sistema democrático, e não praticamos todo o resto das bases da democracia, apenas recitamos o que nos interessa em algum momento. Exemplos não faltaram em 2017, principalmente no quesito “democracia é isso, posso falar o que eu quiser” ou “democracia é isso, posso fazer o que eu quiser”. Sempre esquecendo da parte complementar: “com responsabilidade sempre, e sem ferir o direito de quem está do lado”. E aí a coisa enrosca, pois falar e fazer com responsabilidade exige princípios éticos e morais fortes, exige nos colocarmos do outro lado, ou então colocar nossa mãe ou um filho ou quem quiserem do outro lado, e então avaliarmos se ainda faríamos ou falaríamos a mesma coisa. Essa prática de pensar sempre no outro e avaliar nossos atos enxergando o outro, é a meu ver a base da sociedade harmoniosa e solidária. Simples, não?

Mas a chegada do novo ano, 2018, traz junto a esperança de melhoria, como se num passe de mágica fosse possível passar tudo a limpo e começar tudo novinho, como nossos cadernos da época de grupo escolar (meu tempo). Era sempre um prazer começar a usar um caderno novinho, encapado, caprichado na primeira folha, na segunda… mas nem tanto nas demais folhas que se seguiam. Mas não é assim todo ano? Começa bem até entrarmos na rotina diária, nas impossibilidades do mundo real, aparecem problemas novos, e vamos ajustando os rumos e seguindo outros caminhos. Cada vez mais longe das promessas e desejos de início de ano.

Então, vai um desafio: vamos mudar o país com nosso esforço? vamos parar com mimimi e vamos encarar os fatos reais? vamos parar de escrever qualquer coisa nas mídias sociais, de compartilhar besteiras sem o menor fundamento? vamos pensar no próximo, em quem está do outro lado sendo atingido por nossos comentários ou compartilhamentos? vamos ler e entender de fato o que as mensagens querem dizer? vamos verificar se não estamos compartilhando boatos grosseiros e ajudando a confundir mais as pessoas? em algum momento, vamos ter que começar a fazer isso. A mudança depende de cada um de nós. Só eleição não muda nada, nós é que podemos mudar alguma coisa.

Feliz Ano Novo a todos que conseguiram ler até aqui. Que 2018, 2019, 2020 etc, seguindo a regra dos sucessores da aritmética de Peano, sejam palcos do nosso próprio protagonismo. Sem terceirizações de mente, sem esperar um super-humano populista que venha resolver nossos problemas sem a nossa participação ou interferência. Isso só existe na nossa imaginação ou nosso desejo, mas a realidade é bem outra.

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GPS: sinal falso, caminho errado!

Uma equipe da University of Texas at Austin (USA) conduziu um experimento que deveria deixar todos nós preocupados. Instalados dentro de um iate de 80 milhões de dólares, navegando no mar Jônico,  a equipe sequestrou o sinal de GPS e o falsificou, levando o iate para um rumo ligeiramente diferente daquele estabelecido pela tripulação. Como foi um experimento, nada de assustar. Mas, nas mãos erradas, poderia ser usado para sequestrar o iate de fato, levando-o a uma região onde poderia ser abordado.  Isso usando equipamento relativamente barato e fácil de achar no mercado.

GPS-Global Positioning System já faz parte do cotidiano, qualquer smartphone tem captador de sinal de GPS, que usamos para navegar por mapas, encontrar rumos, marcar lugares por onde passamos, etc. O Google Maps e seus serviços derivados, por exemplo, são dependentes do sinal de GPS para funcionarem adequadamente e independente de existir sinal de wifi disponível. Os carros mais modernos trazem sempre o painel de navegação, e o GPS funciona ali, nativo do veículo ou espelhado a partir do telefone, via bluetooth. Veículos autônomos então, sem comentários, não funcionam sem ajuda do GPS. Todo mundo usa, sem saber dos possíveis riscos inerentes à tecnologia GPS. Nos EUA, o sistema GPS é formado por 24 satélites em órbita geoestacionária, que emitem sinal constantemente para a terra, alimentando os dispositivos. O sistema disponível para o público não é muito preciso, mas tem sido aperfeiçoado já podendo chegar a 30 cm de erros quando usado em telefones comuns. Já notaram que, quando vamos usar um app que dependa de GPS para localização, por exemplo para chamar um táxi (onde o serviço estiver disponível), aparece um endereço bem diferente daquele onde estamos? São problemas de precisão na localização, podem acontecer erros de muitos metros.

O sequestro de sinal GPS e sua falsificação pode ser feito com equipamentos baratos, disponíveis no mercado. No experimento citado acima, tudo custou abaixo de US$2000! Um dispositivo simulador, que gere sinal de GPS para teste de equipamentos, pode ser ajustado para emitir o sinal que se deseje, provocando a mudança de rota. E se vocês estão achando que isso é coisa de pesquisador de universidade que não tem mais o que fazer, vejam o vídeo curto da CNNTech, relatando um caso real.

Então estamos ferrados, nas mãos dos falsificadores de sinal? Bom, os equipamentos de recepção de sinal GPS mais sofisticados têm um sistema de deteteção de erros, e não usam apenas um sinal de satélite para determinarem seu rumo. Usam mais de um sinal vindo de satélites diferentes, que por sua vez enviam o sinal com uma “assinatura” de identificação, e calculam o rumo e distâncias com base nesses dados. Os equipamentos disponíveis em carros e telefones comuns não fazem isso, estão sujeitos a erros o tempo todo. A tecnologia tem avançado para tentar evitar esses problemas, usando por exemplo assinatura nos sinais de satélite, o que certamenta facilita a identificação do sinal falso. Já pensaram um monte de carro em uma cidade grande, todos usando Waze ou Google Maps direto, com sinal de GPS falso? Sem salvação, vai ser o caos total. E a esmagadora maioria dos motoristas, hoje, usa algum aplicativo para se orientar, mesmo em rotas conhecidas. Os aplicativos ajudam a identificar e contornar acidentes, impedimentos na estrada, etc. O sistema de assinaturas do sinal, para quem tiver interesse de aprofundar um pouco mais, pode ser encontrado aqui neste artigo. E se quiserem, além disso, acompanhar os riscos de uso da teconologia no mundo moderno, recomendo o site Inside Risks da ACM, vejam aqui. Professores de computação principalmente, não deixem de usar o material do Inside Risks, experiência própria.

Nota: esta postagem foi motivada pelo artigo Why GPS spoofing is a threat to companies, countries?, Logan Kugler, CACM September 2017.

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Nossos tempos eram melhores?

Às vezes me pego tentando comparar os tempos atuais com os “meus tempos”, de nascido em 1951. Nada formal, apenas nuvens de ideias que vão passando e se misturando umas com as outras, formando contextos das duas épocas separadas por mais de 60 anos. Difícil comparar, pois os contextos devem ser levados em consideração, e a imparcialidade tem que ser um requisito da análise.  Aqui vão apenas algumas considerações extraídas das minhas leituras e ideias próprias, apenas isso. Um pouco motivado também por uma conversa em que uma pessoa pouco mais nova que eu, que gosta de dar palpite superficial em tudo, me disse que “os tempos atuais são os melhores já vividos”. Uma afirmação complicada, improvável, e que só tem valor na cabeça de pessoas desinformadas, leitores de headlines.

Nasci em 1951, no pós-segunda guerra mundial, o mundo sofrendo ainda os efeitos perversos de uma longa guerra que dizimou boa parte do mundo, afetando gerações. Eventos que marcaram não só a minha geração, mas as que vieram imediatamente antes e várias que vieram depois. E ainda em pleno governo de Getúlio Vargas, então legitimamente eleito por esmagadora maioria de votos dos brasileiros. Mas, junto com os sofrimentos, também foram chegando os avanços obtidos na segunda guerra: comunicações, transporte, penicilina, técnicas cirúrgicas, materiais, rádio, televisão, telefone, veículos de guerra, veículos de passeio derivados dos veículos de guerra, tecidos resistentes, o glamour da década de 50 no hemisfério norte, principalmente nos EUA. Tudo era novidade, e tudo significava muito progresso. Era emocionante poder pegar um telefone daqueles em que se ouvia numa parte do aparelho, e falava-se em outra parte, com uma manivela para poder chamar a telefonista, que era quem completava a ligação. O tremendo progresso que significou o telefone de mesa, com o fone para ouvir e falar numa peça só, mas ainda com a manivela para chamar a telefonista. Ou o que se sucedeu a ele, com o discador, que só estava disponível nas capitais. E os jogos de futebol nas tardes de domingo, transmitidos no rádio de válvulas? E as novelas de rádio, que aguçavam nossa imaginação, que era muito rica. E o rádio de pilha, portátil, todos japoneses? Eram o máximo da tecnologia, miniaturização e transistor. Comunicação pessoal ou oficial por meio de cartas escritas a mão e entregues pelos correios, ou então por telegramas (muita gente nem imagina o que é um telegrama, se é que ainda existem). E a televisão que demorou para chegar ao interior, mas que já estava disponível em BH no meio da década de 50, TV Tupi, quem não se lembra? E a transmissão da chegada do homem à lua? Fotografia só com as máquinas de filme, tinha que esperar terminar o filme para mandar revelar, negativo e mais uma cópia de cada foto. Nunca me esqueço da minha coleção de gibis que guardava numa mala velha debaixo da cama: Fantasma, Mandrake, Tio Patinhas e turma, Cavaleiro Negro (que também era uma novela), Flash Gordon.  E as brincadeiras de rua, a despreocupação de poder sair de casa a qualquer hora do dia ou da noite em perfeita segurança, sem maiores preocupações? E os carros que iam aparecendo aos poucos, desde os fuscas e jipes derivados dos carros de guerra, os sedans enormes importados dos EUA, DeSoto, Chevrolet, Studebaker, Plymouth, etc., lindos, poderosos, todos de câmbio na coluna e banco dianteiro inteiriço. Primeiras cervejas, refrigerantes (CocaCola, é claro), outras bebidas que não existiam por aqui exceto a cachaça. Cinema era um luxo só, programa chique, Gordo e Magro, Três Patetas, FuManchu, tudo em preto e branco e alguns ainda cinema mudo. Catapora, sarampo, varíola, caxumba, gripe, garganta eram as comuns. Doença venérea só mesmo a gonorreia que assustava todo mundo. Sexo? Sim, mas bem mais comportado, nada muito liberal, ainda era um espetáculo à parte ver as pernas das meninas. Operação de fimose era o terror entre os garotos, nem pensar em tomar uma injeção (anestesia) no bilau para operar. Beatles, Rolling Stones, bossa nova, Vinicius e Toquinho, Tom Jobim, Chico Buarque, Roberto Carlos e Erasmo, Jovem Guarda, jovens tardes de domingo, brincadeiras dançantes na garagem da casa de algum de nós, ou nos clubes, mas sempre cedo, matinê. Tocar violão, participar de bandas da escola (tenho isso no meu currículo), aprender datilografia naquelas máquinas de escrever pretas e monstros. Viajar era raridade, mas sempre de trem, quanto mais longe melhor, pois íamos para o vagão restaurante aproveitar um pouco. Viagens de ônibus vieram bem depois, estradas poeirentas, era comum viajar com capote comprido nesse calorão todo, para chegar mais limpo ao destino. Canetas não existiam, apenas raras Compactor tinteiro, a esferográfica demorou a aparecer por aqui. Notícias sempre chegavam com atraso, notoriamente as de outros países.

Vamos dar um pulo no tempo, e passar para os tempos mais modernos. Que fique claro que eu não dei esse pulo dessa forma, sempre gostei de tecnologia e acompanhei toda a evolução tecnológica e social do mundo, desde que me entendo por gente que pensa e lê muito, sempre.  Tinha minhas réguas de cálculo no curso superior, ganhei calculadora eletrônica quando apareceram, tenho até hoje minha máquina de escrever portátil Lettera 22, etc. E os computadores também, nosso pai sempre foi tecnófilo e estava sempre atualizado em termos de tecnologia.

Hoje temos telefone celular e internet, e só isso já significa uma enorme diferença da minha geração. Esse é o futuro que tanto discutíamos quando entramos no curso superior. O mundo ficou pequeno, viagens de avião são comuns, migrações são fáceis de fazer, conhecer o mundo passou a ser um sonho viável para boa parte da população do mundo. Doenças passaram a ser pandêmicas, espalhando-se com a mesma velocidade proporcionada pelas viagens de avião. Carros potentes, econômicos, automáticos, de todo tipo e tamanho, SUVs, notebook, tablet, TVs de alta definição, a TV aberta como conhecíamos está agonizante sendo substituída pelos canais assinados, e esses também já estão ficando obsoletos por canais na internet. Notícias chegam no exato momento em que os fatos acontecem, em grande quantidade, impossível ler tudo e saber de tudo. O ensino e o conhecimento ficaram acessíveis, cursos a distância via internet ficaram comuns. Com a proliferação da internet, os negócios mudaram, as organizações mudaram, hoje temos o home office, comércio eletrônico que está superando a compra presencial. Cartões de crédito, agências físicas de bancos sendo cada vez menos necessárias, substituídas por agências virtuais com aplicativos no smartphone, resolvem tudo. A única coisa que ainda não foi resolvida é o dinheiro vivo, que nos obriga a ir ao caixa eletrônico. Mas mesmo esse está cada vez menos necessário, substituído pelos cartões e wallets eletrônicas nos celulares. Guerras de chão, como foram a primeira e a segunda guerras, inexistem. Todos os ataques e invasões atuais são feitos com drones, aviões sofisticados que não são farejados por radares, ataques inesperados, poucas mortes do lado atacante, e muitas mortes do lado atacado. Mundo louco, guerras de religiões, estado islâmico, o mundo hoje é muito perigoso, uma bomba pode explodir do seu lado em qualquer cidade grande do mundo, ou um maluco pode jogar um caminhão para cima da calçada onde você está e matar um monte de gente. Sexo movimenta os jovens, sexo fácil. Estupros estão nos noticiários todos os dias. Aids é o grande desafio das doenças sexualmente transmissíveis, junto com o HPV e outras pouco conhecidas. Maternidade atingindo jovens mal entradas na adolescência, muitos filhos criados só pela mãe ou pelos avós. Câncer passou a ser uma epidemia, matando muita gente e atacando qualquer um de maneira fulminante. Os relacionamentos pela internet e por sites de relacionamento passaram a ser a norma, e com eles os golpes de espertos, as mortes, os estupros, os roubos, os assassinatos. Não é possível mais sair à noite tranquilo, sem aquele medo de ser assaltado, ou pior ser morto por motivo fútil. As brigas de trânsito terminam em mortes estúpidas, por motivos idiotas. As drogas são a enorme praga do mundo moderno, que dizimam pessoas, famílias, relacionamentos, afetando gerações inteiras de jovens que são transformados em zumbis e que roubam ou fazem qualquer coisa para arrumar uns trocados para comprar drogas e pagar aos traficantes. O mundo ficou cheio de mimimi, não se pode falar mais nada ou rir de mais nada, tudo é assédio moral, é preconceito, tudo é filmado por câmeras indiscretas, reputações são jogadas no lixo em um dia, basta alguém publicar um vídeo fora de contexto, ou uma declaração fora de contexto, e lá se vai mais um infeliz para o inferno. Tudo passou a ser mais vigiado e mais público (o que não é de todo ruim), e isso afetou o comportamento das pessoas. Privacidade quando se entra na web é escassa, difícil passar despercebido. Nossas informações pessoais estão espalhadas pela web, fotos, dados pessoais, trajetos são registrados no Google Maps, nos obrigando a conhecer mais da tecnologia e dos recursos disponíveis nos nossos smartphones, para sabermos lidar com eles e tirar proveito da tecnologia. Não vou nem incluir a música e ritmos nesse longo parágrafo.

Mas e daí seu José? Analisando contextualmente, para quem viveu a época passada, tudo era bom e não era possível imaginar nada além do que tínhamos, com algumas exceções pequenas. O telefone era o fino da tecnologia, não tinha como imaginar sua evolução. Idem para tudo o que tínhamos, TV, máquina de escrever portátil, etc. Portanto, eu nunca poderia saber o que seria um mundo sem tudo aquilo que nos agradava tanto. Por outro lado, impossível para alguém das novas gerações saber o que significava até há pouco tempo (50 anos é muito pouco na escala evolutiva) um mundo sem internet, sem smartphone, sem comunicação imediata, sem saber de tudo o que acontece no momento em que acontece, sem ter acesso a toneladas de músicas, das redes sociais, e por aí vamos.  Como é que eu vou convencer alguém de que vivíamos num mundo bom, mais tranquilo, menos cheio, etc.? Por outro lado, como é que alguém desta nossa era atual poderia ir lá no mundo passado e convencer alguém de que o futuro seria muito melhor? Estamos falando de impossibilidades físicas, temporais e filosóficas, uma vez que o passado já foi, o futuro é agora, e o presente se transforma em passado no momento em que o percebemos?

Não é possível afirmar nada de nada. Cada um viveu sua época, e vai evoluindo e se adaptando às mudanças do mundo. É impossível separar em qualquer pessoa essa evolução gradativa, esse gradiente, em que o passado veio influenciando o futuro dentro da nossa mente.

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