Vitimas da internet

Antes de entrar no assunto, uma provocação: vocês se lembram do que é fita de vídeo? Deixo o link para a Wikipedia, apenas para dar contexto. E locadora de vídeo, lembram? Já ouviram falar da Blockbuster? Era a maior cadeia de aluguel de vídeo do mundo, nascida nos EUA e com lojas espalhadas no planeta todo, várias no Brasil. Um ícone do mercado, inovadora, tinha um esquema de aluguel com devolução direta nas caixas receptoras que ficavam externamente nas lojas físicas, as fitas alugadas podiam ser devolvidas em qualquer horário. A notícia da semana passada foi a do fechamento das duas últimas lojas Blockbuster no Alaska, ainda existiam por lá devido principalmente aos invernos longos e ao serviço de wifi fraco, o que impossibilitava o uso de serviços de streaming para vídeo. Vejam a notícia e fotos da loja aqui.

A disponibilidade de internet de boa velocidade, acessível com pacotes de preços pagáveis por qualquer bolso, causou e continua causando mudanças nos costumes, nos negócios e nos modelos de negócios. YouTube é disparado o canal de informação preferido das novas gerações, colocando a mídia tradicional (jornais e TV) no aperto por falta de assinantes e leitores. No Reino Unido, em 2017, o número oficial de assinantes de serviços de streaming (Netflix, Amazon e Sky Now TV), 15,4 milhões, superou o total de assinantes de pacotes de TV por assinatura, que está em 15,1 milhões, o que coloca a TV tradicional na linha de queda (está acontecendo em outras partes do mundo também). A telefonia tradicional vai pelo mesmo caminho, está no aperto, o telefone de verdade é pouco usado, a comunicação se dá mais por aplicativos de redes sociais via internet.  Quem usa a linha telefônica para se comunicar está com um pé no passado, a comunicação moderna dispensa a telefonia e prefere os canais de mensagens, ou canais próprios no YouTube, é facílimo criar um para a sua empresa. Já é comum comprar pacotes das operadoras apenas com internet, sem incluir telefonia, para utilização em qualquer parte do mundo. Vejam aqui um exemplo, operadora WorldSim.

Vários segmentos de negócios não perceberam as mudanças se aproximando, a internet chegando forte, os negócios migrando de plataforma, o smartphone se transformando no principal equipamento de comunicação do mundo moderno, acessível a todos. Vários negócios não suportaram o impacto das mudanças e fecharam as portas, substituídos por outros modelos já nascidos dentro do contexto da internet. Quais lições os empreendedores podem assimilar a partir destes acontecimentos? A mais importante certamente é acompanhar o  mercado e seu setor de atuação, munindo-se sempre de boa informação, atualizada, melhorando sua visão sistêmica do negócio em seu contexto. É imperdoável, hoje, ser atropelado por uma mudança tecnológica, elas nunca acontecem em períodos curtos de tempo, os avisos chegam com muita antecedência. Uma outra lição, não menos importante, é não cair na armadilha da tecnologia: ter um produto inovador e altamente tecnológico, e ficar achando que sua vantagem competitiva vai durar para sempre. Seu produto inovador, uma vez no mercado, vai ser imediatamente copiado, melhorado, desafiado. Você vai ficar na pressão de manter a dianteira e não perder a liderança. É um enorme desafio manter a posição.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG) (publicado originalmente na minha coluna no SIMI)

 

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Privacidade nos novos tempos

Privacidade, entendida como o direito à reserva de informações pessoais e da própria vida pessoal:  the right to be let alone (literalmente “o direito de ser deixado em paz”), sempre foi um atributo ou requisito fundamental na vida de qualquer cidadão.  Com o advento da internet, redes sociais, convergência digital no smartphone, uma infinidade de aplicativos (apps) para quase tudo, nossas informações pessoais são solicitadas a todo momento. Algumas vezes fornecemos as informações por vontade ou decisão própria. Outras vezes, os apps acessam essas mesmas informações por vias indiretas em outros apps parceiros, que deixam muitas vezes essas informações expostas e  disponíveis, pela falta ou total ausência de mecanismos de proteção aos dados. Nunca receberam alguma mensagem (ou ligação de call center) inesperada, vinda de endereço desconhecido, revelando dados pessoais que vocês têm certeza de que nunca forneceram?

Dados expostos, fotos comprometedoras, vídeos pessoais divulgados, venda de dados pessoais, invasão de contas na web, roubo de senhas, passaram a ser o pesadelo dos usuários da web. Não temos garantia nenhuma de que nossos dados estão protegidos e não vão ser capturados em algum momento por algum software malicioso, que fica nas redes de olho nas ações e dados dos usuários. E nem é preciso tanto esforço assim, pois por exemplo aqui no nosso país, basta ter acesso a uma folha de cheques, para ter várias informações preciosas que possibilitam ações criminosas. E essas informações estão lá por decisão do nosso Banco Central, não podem ser retiradas mesmo que o usuário solicite (já tentei). Sugiro que dêem uma olhada, se ainda  tiverem esse espécime em extinção que é o talonário de cheques. Em outros países, como os EUA por exemplo, a informação pessoal que vai pré-impressa na folha de cheque é determinada pelo correntista ou usuário. Se eu decidir não colocar informação  pré-impressa nenhuma, assim será.

Uma notícia recente causou rebuliço na web: a proposta de legislação do estado da Califórnia – EUA relativa à privacidade na internet (vejam a notícia aqui). Califórnia tem  a quinta maior economia do mundo, famosa pelo seu ecossistema de startups, de rede de universidades públicas que incentivam o empreendedorismo e a inovação, de fundos de financiamento de novos empreendimentos, e pela modernidade de sua sociedade e avanços tecnológicos disponíveis.  A legislação proposta é considerada a mais forte do mundo, principalmente por resguardar o direito do usuários às suas próprias informações, dando poderes de decisão a esse usuário que é a ponta mais fraca do sistema, a menos protegida. Se aprovada pelo governador do estado, a legislação vai exigir que as companhias que coletam informação dos usuários tornem públicos o tipo de dados que coletam e os detalhes sobre os parceiros com quem compartilham dados, permitindo que os usuários decidam se seus dados podem ou não ser compartilhados ou vendidos a terceiros. O usuário final também terá poder para exigir que seus dados pessoais sejam deletados e nunca utilizados pelas empresas. Por exemplo hábitos de consumo, composição da família, localização de residência ou trajetos diários coletados por aplicativos residentes nos telefones. Mais importante, a nova legislação é impositiva e fiscalizável pelos agentes públicos da lei. Significa que se houver um vazamento de dados pessoais, os órgãos do governo  poderão investigar imediatamente, processar e exigir punição criminal dos envolvidos.

Do ponto de vista de startups e produtoras de software para a web, notoriamente aplicativos (apps) para telefones ou tablets, o recomendável é que se informem sobre essa legislação e acompanhem seus desdobramentos. Um app desenvolvido aqui, certamente tem mercado mundial, pode ter sucesso rápido no mundo todo. E vai estar sujeito às leis e penalidades de onde for utilizado, pelo menos do ponto de vista da privacidade de seus usuários. A garantia dessa privacidade tem que estar embutida no serviço prestado pelo app, e isso custa caro. Não basta colocar os dados nas nuvens, isso não é garantia de privacidade ou segurança. Os dados têm obrigatoriamente que estar envolvidos e gerenciados por sistemas de segurança que os protejam adequadamente, aumentando custos de produção do software. Em tempos de economia de compartilhamento, essas garantias são fundamentais para o sucesso de negócios na internet. Sem credibilidade, não há sobrevivência.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Viçosa, MG) (publicado originalmente na minha coluna no SIMI, http://www.simi.org.br/coluna/privacidade)

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Economia do compartilhamento

A economia do compartilhamento, ou da colaboração, ou uberização, tem suas origens na produção colaborativa de bens, principalmente software, via o modelo open-source. O sistema operacional Linux e seus ascendentes e descendentes são os mais bem sucedidos exemplos que temos, e o modelo de produção foi (e continua sendo) exaustivamente discutido. Ninguém é dono de nada, o software produzido é de domínio público, a regra é que você pode acrescentar o que achar melhor no software, desde que o deixe disponível juntamente com o código produzido, para uso comunitário. Essa ideia simples gerou um ecossistema riquíssimo de produção e distribuição de software livre, em que o ponto forte é a colaboração, a doação de tempo dos participantes para produzir software próprio, testar e utilizar software produzido por terceiros, e colaborar na sua melhoria e manutenção de todo o ecossistema.

Uma evolução da ideia foi o modelo peer-to-peer (rede de pares, ou parceiro-a-parceiro) de compartilhamento de bens e serviços. Foi a raiz da enorme mudança no mercado fonográfico que quebrou o modelo baseado em produtos físicos de discos de vinil, fitas cassete e CDs. Com a disponibilidade das redes peer-to-peer, ficou fácil copiar músicas para um formato digital (MP3 e outros) e disponibilizar para uso de parceiros da mesma rede. A indústria fonográfica tentou combater o avanço deste modelo, conseguiu algum sucesso fechando o Shazam, o Napster e outras iniciativas, que mais tarde ressurgiram com pequenas mudanças no modelo. O mais importante: devagar e sempre, a indústria fonográfica como existiu no passado foi sendo engulida pelo novo modelo de negócios. E também pelo modelo adotado pela Apple e outros, de tratar a música (e filmes posteriormente) como bits e não como átomos. E hoje os discos de vinil, CDs e fitas cassete são coisa do passado, uma mudança muito rápida, possibilitada principalmente pela disponibilidade da internet. Novas gerações não sabem o que é disco de vinil, LP ou compacto, fita cassete ou fita de vídeo.

As mudanças não param por ai, e novos negócios apareceram, baseados na mesma ideia de colaboração e compartilhamento. O sistema Zipcar foi uma ideia inicial de compartilhamento de carros de aluguel, existente no mundo todo. Custo baixo, toda a transação feita via internet com cartão de crédito. Carros limpos, tanque cheio, um cartão de crédito específico para abastecimento no porta-luvas do carro, simples e direto. A evolução natural e disruptiva que veio em seguida foram  o Uber e sua turma (Lyft, Cabify, Sidecar, Gett, Flywheel, Hailo)  no compartilhamento de carros e motoristas, e o Airbnb para aluguéis de quartos e casas mundo afora. O Uber ganhou as manchetes pelo seu enorme impacto num setor antigo e forte da economia mundial, o de táxis e carros de aluguel. O Uber possibilita acesso a uma rede de motoristas e seus próprios carros, contratados diretamente via aplicativo no smartphone, pagamento via cartão de crédito cadastrado no sistema, e localização e roteamento feito por sistema próprio do Uber. Muito confortável, e uma infinidade de modelos e tamanhos de carros e serviços disponíveis. A sacudida no setor de táxis, cheio de sindicatos e regulações, aconteceu e continua acontecendo no mundo todo. Muitos interesses são contrariados, por exemplo, o poderoso e rico mercado das cooperativas de  táxis na cidade de New York nos EUA, onde uma licença de taxi (taxi medallion que é afixado na carroceria do carro) chega a custar mais de US$1.000.000,00 (isso mesmo, um milhão  de  dólares, valor de 2015!). Claro que a reação é totalmente negativa, e estamos assistindo hoje a uma queda de braço entre o status-quo e o modelo de compartilhamento que vai aos poucos ganhando espaço e novos usuários. Pela simplicidade, pela enorme oferta, pelos preços muito mais baixos, pela rapidez no atendimento e pelas oportunidades para quem presta o serviço. Que favorece tanto o lado do cliente, quando o lado do prestador de serviço. E a despeito de todas as críticas e falhas do modelo, que aos poucos vão sendo corrigidos.

E o Uber continua firme na inovação e novos produtos: Uber solidário, que é tipo um táxi-lotação; Uber-Eats, serviços de entrega de produtos que podem ser coletados na rota até sua casa; aluguel de carro, um novo serviço que vai morder e incomodar o enorme setor de aluguel de veículos incomodando Avis, Hertz, Enterprise, Movida, e um monte de outros. O serviço de aluguel foi anunciado recentemente, e vai ser possibilitado dentro do mesmo aplicativo já existente. O serviço já existe para motoristas que querem dirigir para o Uber e não têm carro, via convênios com grandes locadoras de veículos. Podem esperar para breve o compartilhamento e aluguel de bicicletas e motos, anotem ai.

É questão de tempo o avanço deste modelo de negócios baseado em internet. Já discuti  isso em outros artigos aqui no blog, modelos baseados em bits e internet, as empresas não possuem acervo físico de nada, apenas manipulam a informação disponível e colocam clientes e prestadores de serviços cadastrados em contato, seguindo firme numa variação do modelo peer-to-peer que apresentei no inicio do artigo. É legítimo o choro e o esperneio dos modelos tradicionais que têm seu interesse contrariado, mas não adianta. O modelo Uber e a uberização, como tem sido chamado, estão aí para ficar. Para piorar (ou melhorar, depende do ponto de vista) a situação, em cidades onde o Uber foi proibido de operar, surgem redes particulares em paralelo baseadas em Whatsapp e outros aplicativos, seguindo a mesma ideia, colocando motoristas e clientes em contato direto. São redes mais locais, funcionando com a tecnologia disponível na internet, que conseguem fugir do controle e da vigilância, sendo uma variação muito interessante. Mesmo que proíbam o Whatsapp, já existem outros aplicativos similares, onde as mesmas redes (peer-to-peer) podem funcionar. Você acha que é possível mudar isso, parar o crescimento do modelo e suas variações?

Em breve, ninguém mais vai se lembrar de o que foi um táxi no passado, podem anotar ai.   Do mesmo modo que poucos se lembram do que foi uma fita VHS, uma locadora de vídeos, ou um disco LP de música (compacto eu nem comento…).

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Bandersnatch

Ontem assisti a Bandersnatch, novo lançamento da Netflix, na sequência do excelente Black Mirror. Acho que já comentei sobre Black Mirror aqui no blog, é uma série inglesa sobre impactos da tecnologia na vida dos cidadãos comuns. Muito bom, recomendo demais, estou esperando ansioso a quinta temporada. Antes de prosseguir, deu curiosidade de entender o que significa Bandersnatch, e ai vai extraido da Wikipedia: “A bandersnatch is a fictional creature in Lewis Carroll’s 1872 novel Through the Looking-Glass and his 1874 poem The Hunting of the Snark. … Bandersnatches have appeared in various adaptations of Carroll’s works; they have also been used in other authors’ works and in other forms of media.”

O que é que tem de diferente? O filme é interativo, quem assiste interage com o filme e em alguns pontos de decisão (binária) vai escolhendo os caminhos a serem seguidos. Isso leva o espectador a participar do filme, a gente se sente como parte da trama, e é esse mesmo o efeito desejado. Em vários pontos, a decisão leva a um caminho sem saída (dead end), e a interação permite uma volta a algum ponto anterior, para refazermos a decisão que levou ao impasse.  Não achei as decisões muito lógicas, na maioria delas decidi pelo instinto e pelo contexto do filme naquele ponto. Não há tempo para ficar pensando, as decisões devem ser tomadas em 10 segundos. Tem cara de jogo interativo, tipo um filme-jogo.

Achei sensacional, e no meu entendimento esse filme abre caminho para um mundo novo, de filmes interativos e imersivos, obrigando o espectador a entrar na história para valer. Muitas possibilidades de uso, pode ser um caminho de salvação da indústria do cinema. Lembrei-me muito do excelente A rosa púrpura do Cairo, um filme de 1985 que também recomendo.

Tem que ser assistido em um dispositivo que permita interação e que tenha a última versão do app Netflix (tablet, smartphone ou TVs de última geração).

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Bactericida, antibactericida…

Um pouco de conhecimento de lógica é fundamental para ajudar a gente a não falar muita besteira. Em uma visão simplista, a lógica matemática é um framework, ou arcabouço, para raciocinar com argumentos precisos, sem ambiguidades. Claro, para aplicá-la no nosso diário, é preciso cuidado, pois nosso português (e demais línguas) tem uma semântica própria, que complica sobremaneira o uso da lógica para avaliar termos que são usados regularmente. Mas, em algumas situações diárias, é flagrante o desrespeito e o desconhecimento da lógica, levando pessoas bem instruídas a falarem enormes besteiras, coisas sem sentido. São as nossas famosas armadilhas da linguagem coloquial.

Um termo muito utilizado é o tal do “antibactericida”. Uma conceituação de “bactericida” é “Os bactericidas são antibióticos que destroem a bactéria, por meio de diversos mecanismos, destruição da parede celular, inibição da síntese proteica, inibição na síntese do ácido fólico, eliminando a bactéria. Extraí do site educalingo, mas se procurarem vão encontrar o mesmo conceito em outras fontes. Portanto, “bactericida” já é, por definição, antibactéria, ou “contra bactéria”. Então, o que significaria “antibactericida”? Passando para uma notação parecida com a da lógica, seria um “contra bactericida”, ou expandindo o termo “bactericida”, daria “contra contra bactéria”!!!  Aí a porca torce o rabo, o que significa isso? Usando a boa lógica, “contra contra…” seria um “não não …”, ou seja, um “sim”. O termo, então, seria (“contra contra bactéria” ~ “sim bactéria”), ou seja, a favor da bactéria (interpretem “~” como “equivalente”). Mas que doideira, olhem que disparate: antibactericida seria algo a favor da bactéria, e não contra, não um destruidor de bactérias como é o desejado.

Na verdade, em bom português, não precisaria dessas brincadeira de lógica que fiz ai acima, até exagerando um pouco no uso da notação. O nosso enorme erro é usar as palavras sem conhecê-las, sem saber seu significado real. Para isso servem os dicionários e tesauros, para melhorar nosso conhecimento da linguagem que usamos.  Nesses tempos de zapzap e outros aplicativos, o uso da linguagem só vem piorando.

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Passeando no meu passado

Sempre que venho a Belo Horizonte para ficar mais tempo, gosto de dar uma volta pelo centro da cidade. Quando estudei aqui de 1971 a 1976, o centro era preferido pelos estudantes que vinham do interior para estudar na capital. Muitos hotéis sérios, familiares, moradia de muitos de nós, eu incluído. Era mais tranquilo morar no hotel, menos preocupações, e mais barato. Hotel Magalhães, na rua Espírito Santo entre rua dos Caetés e av. Santos Dumont; Hotel Americano entre av. Santos Dumont e rua dos Guaicurus (isso mesmo, na boca da antiga zona boêmia de BH), Hotel Londres na av. Santos Dumont quase esquina de rua Espirito Santo, são alguns hotéis onde já morei. Já presenciei várias enchentes do Arrudas, que transformavam a av. Santos Dumont em um verdadeiro rio que carregava os fuscas que ficavam estacionados. Já vi dono de fusca amarrando o carro em poste para não ser levado para a praca da Estação.

Normalmente tomávamos café da manhã no hotel, e o almoço era no restaurante da faculdade. Eu me formei em Engenharia Elétrica na PUC-Minas, em 1976. Todo dia, busão para lá de manhã, aulas, almoço no restaurante, busão de volta para o centro, para em seguida subir a rua da Bahia até a Praça da Liberdade, onde eu trabalhava na Prodemge. Na época quase não havia linha de ônibus bairro-bairro, acho que uma das raras (ou talvez a única) era a linha 60, Sion-Floresta, que subia a rua da Bahia até o bairro, e passava exatamente em frente de onde eu trabalhava (não consegui achar referências). A Prodemge ficava (ainda tem uma unidade lá) atrás do Palácio dos Despachos na Praça da Liberdade, na frente da sede social do Minas Tênis Clube. Normalmente essa linha 60 era lotada entre meio dia e uma hora, alunos do colégio Santo Antônio principalmente. Raramente conseguia entrar no ônibus, o que me obrigou a desenvolver o saudável hábito de subir a rua da Bahia a pé todos os dias, para trabalhar de 13 às 19 horas como programador Cobol na Prodemge. Final do expediente, descia também a pé, era muito bom e saudável. Enfim, tudo isso para dizer que tinha e ainda tenho total intimidade com o centro de BH, onde passei meus anos de faculdade, uma época boa da minha vida.

Ontem, de bobeira aqui em BH, eu e um colega do curso de engenharia, amigão da vida inteira, resolvemos ir tomar um café na padaria Belopães, que fica no começo da av. Santos Dumont. Cheguei um pouco mais cedo, e fiquei rodando pelos locais onde vivi meu passado, minha época de estudante em BH. Primeiro choque, a av. Santos Dumont hoje é uma estação do Move de ponta a ponta, estou atrasado nisso, já deve ter muito tempo que é assim. Continua lotada de gente, com o mesmo tipo de comércio que tinha na época. Muita lanchonete, muita loja pequena. O choque foi quando vi o Hotel Londres, completamente degradado e fechado (bloqueado para não ser invadido). Em nada lembra o passado dele. E assim foi com outros prédios que tinha como referência na época, como o Hotel Majestic ainda bem preservado e com outro nome, o Hotel Magalhães que hoje é uma unidade de recrutamento do estado. Outros prédios de que me lembrava seguiram o mesmo caminho, degradados completamente. A boa surpresa foi o Hotel Esplanada, na época uma referência de bom hotel, mantém a imponência com o prédio bem tratado e bonito. Não esquecendo de que o nosso café foi excelente, recomendo a padaria se ainda não conhecem. Tranquilo, grande, muito movimento, pão de primeira, atendimento simpático.

No meu entendimento, as administrações deveriam investir mais nos centros das cidades. Muita circulação de gente, ponto de comutação entre transportes coletivos, um verdadeiro mar de gente. Que precisa de infraestrutura pública, banheiros, serviços, algum local para sentar um pouco e descansar as pernas, um centro mais humanizado. Até que em termos de serviços a PBH avançou bem com o BHResolve, não podemos reclamar. Mas falta um pouco de humanização, valorização dos equipamentos que já estão disponiveis no centro. Sei que não adianta muito dar ideias, já se passaram mais de 40 anos, e está tudo lá quase que do mesmo jeito. Foi bom passear no meu passado, vou voltar lá mais vezes.

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com) (from Belo Horizonte, MG)

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Sálvese quién pueda!

O que tem polarizado atenções atualmente é a questão de como o avanço tecnológico atual, muito rápido, vai afetar o emprego e a vida das pessoas? Artigos sobre o tema têm aparecido com muita frequência, tanto artigos de opinião quanto artigos técnicos, com dados reais de qualidade. O assunto não é nada novo, desde que o homem existe na face da terra as novas tecnologias causam disrupção no nível de emprego e na vida das pessoas. Por outro lado, o avanço tecnológica traz também oportunidades, novas carreiras, novas profissões, novas especializações, e novas oportunidades nunca sonhadas antes. Alguns exemplos, como o telégrafo, são emblemáticos. A invenção do telégrafo e sua adoção em larga escala causaram um enorme desemprego na Inglaterra vitoriana e na Europa, e criaram milhares de novas oportunidades. Se quisermos regredir mais no tempo, a invenção da tipografia por Gutenberg acabou com o emprego dos copistas. Ou mais recente, o aparecimento dos plotadores acoplados aos computadores acabou com a profissão do Desenhista de plantas na engenharia civil.
O livro é todo sobre esse assunto. O autor gastou cinco anos em entrevistas com pessoas importantes da indústria e ligados a inovação e tecnologia, no mundo todo. Muitos dados foram coletados, muitos trechos valiosos de entrevistas com enorme conteúdo de informação. Muitos cenários positivos e negativos são apresentados e discutidos. O cenário atual, sobre o avanço da inteligência artificial sobre o emprego e carreiras, e o uso de robôs na indústria, é muito bem discutido, com muitos dados e múltiplos cenários. Discussão madura e muito interessante sobre o tema. Uma leitura empolgante, mesmo para quem está bem informado na área de tecnologia e inovação. Muito bem escrito, bem sequenciado, foi uma leitura agradável pelo estilo do autor, que eu já conhecia de outro livro dele, Crear o morir!, também excelente e cheio de informações e dados sobre inovação. Recomendo muito, a leitura é acessível, linguagem fácil de ler e entender. Eu li a versão em espanhol, a original, mas estão disponiveis também em outras linguas. Abaixo, links para artigos do meu blog sobre o tema do livro.

https://zeluisbraga.wordpress.com/2015/04/16/telegrafo-precursor-da-internet/

https://zeluisbraga.wordpress.com/2017/08/17/robos-vao-tomar-o-seu-emprego/

https://zeluisbraga.wordpress.com/2015/03/09/inovacao-e-sobrevivencia/

=======ENGLISH VERSION========

What has been polarizing attention today is the question of how current, fast technological advancement will affect jobs and people’s lives? Articles on the subject have appeared very often, both articles of opinion and technical articles, with actual research data. The subject is nothing new, since man exists on the face of the earth new technologies cause disruption in the level of employment and in people’s lives. On the other hand, the technological advance also brings opportunities, new careers, new professions, new specializations, and new opportunities never dreamed of before. Some examples, such as the telegraph, are emblematic. The invention of the telegraph and its adoption on a large scale caused enormous unemployment in Victorian England and Europe, and created thousands of new opportunities. If we would regress more in time, the invention of the typography by Gutenberg ended the employment of copyists. Or more recently, the emergence of computer-linked plotters has put an end to the profession of designers (people dedicated to draw the projects on paper) in civil engineering.
The book is all about that subject. The author spent five years in interviews with key people in the industry and connected to innovation and technology, worldwide. Much data has been collected, many valuable snippets of interviews with huge information content. Many positive and negative scenarios are presented and discussed. The current scenario, about the advancement of artificial intelligence over jobs and careers, and the use of robots in industry, is very well discussed, with many data and multiple possible scenarios. A very mature and interesting discussion on the subject. An exciting read, even for those who are well-informed in the area of ​​technology and innovation. Very well written, well sequenced, it was a nice read by the style of the author, which I already knew from his other book, Crear o morir !, also excellent and full of information and data on innovation. I highly recommend it, the language is journalistic what makes understanding easier. I read the Spanish version, the original one, but they are also available in other languages. Below, links to articles from my blog on the theme of the book.

https://zeluisbraga.wordpress.com/2015/04/16/telegrafo-precursor-da-internet/

https://zeluisbraga.wordpress.com/2017/08/17/robos-vao-tomar-o-seu-emprego/

https://zeluisbraga.wordpress.com/2015/03/09/inovacao-e-sobrevivencia/

 

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