Sincronismo, sala de aula e as novas gerações…

Vovô do celular

Por profissão e também por interesse pessoal, acompanho a evolução tecnológica das TIC (tecnologias da informação e comunicação) e seus impactos na sociedade e, particularmente, na sala de aula. As novas gerações são cada vez mais afetadas pela disponibilidade de tecnologia portável, agora nos smartphones que, segundo as estatisticas, vão superar as vendas de computadores já em 2012. Nós dinossauros somos um pouco mais lentos na adoção de novas tecnologias, a velocidade e interesse por novidades é bem mais baixa, mesmo porque temos outras prioridades para o orçamento apertado. Dentre elas, dar condições a nossos filhos de poderem ter um smartphone…

O fato inquestionável é que o mundo plano também é assincrono, voltando aos tempos em que boa parte da comunicação entre as pessoas era feita por cartas escritas à mão e entregues pelo serviço de correio. Recebo a carta, leio quando achar melhor, respondo no dia em que estiver com vontade, e mando de volta pelo mesmo meio, correio de superfície. Mas o paradigma de comunicação implantado fundo nas nossas mentes pelo telefone, mudou também nossas necessidades para o sincronismo. O telefone só funciona se os dois lados estiverem conectados no mesmo instante, falando em tempo real (com pequenos atrasos). Ficamos dependentes deste sincronismo, chamando várias vezes até conseguir falar com o outro lado. Com o aparelho de fax, esse sincronismo do mundo voltou a ser quebrado, depois vieram as mensagens de voz na secretária eletrônica, mensagens por email com a bitnet, e o resto é atualidade e todo mundo conhece.

Mas, e daí? o mundo hoje é mais sincrono ou mais assincrono? Participar em redes sociais significa conexões sincronas ou assincronas? As estatisticas internacionais mostram que o uso de mensagens SMS já superou, nos EUA, as ligações telefônicas por celular. E vai acontecer no resto do mundo, mais cedo ou mais tarde. Claro, a explicação que todo mundo pensa inicialmente é que as SMS são mais baratas, mas isso não explica uma mudança tão forte em comportamento, a meu ver. As mensagens são assincronas, você lê quando puder, muito embora a moçada hoje acaba de mandar uma mensagem e fica de olho na tela do celular esperando a resposta, o que eu considero apenas uma fase de adaptação com a tecnologia. Mas, vejam o exemplo do Twitter, Facebook, LinkedIn, etc., são baseados na ideia de comunicação assincrona, e funcionam muito bem.

Agora, vamos ao que interessa, que é a pergunta que me assombra há um bom tempo: como é que nós professores ou facilitadores vamos encarar o desafio da sala de aula, com as novas gerações e novas tecnologias? Como é possivel prender a atenção dos alunos numa sala de aula quente, com quadro de giz, transparências (ainda uso algumas) ou datashow com notebook? E, pior ainda, tudo sincrono, aulas com horário de inicio e de fim, se o aluno não foi lá no horário certo, perdeu a aula e as atividades desenvolvidas nela. E mais um detalhe: uma inquietação enorme, telefones pipocam o tempo todo (felizmente sempre no silencioso), e o vai-e-vem é enorme, alguns alunos nem precisam de academia para fazer exercicios físicos, de tanto que rodam para atender celular ou ver mensagens durante as aulas. Para mim, a resposta está no modelo de sala de aula que ainda seguimos, e no atributo principal dele: o sincronismo. Será que não temos que evoluir para as disciplinas assincronas, em que o aluno ou participante segue as aulas na hora em que bem entender, em que ele estiver mais disponivel ou mais disposto? Será que o uso de uma rede social como meio para as aulas não daria um resultado surpreendente? Não tenho respostas, e me sinto confortado porque o problema tem incomodado muita gente. E a solução vai certamente estar do lado de cá, nos professores, no sistema de ensino, na sala de aula fora de padrão, etc. Nos próximos semestres, vou testar o uso de um software para redes sociais nas minhas aulas de graduação e pós-graduação, buscando a mudança no modelo vigente. Vou postando resultados parciais aqui no blog.

Para ilustrar o comportamento das novas gerações e os desafios que temos que encarar, recomendo dois videos muito bons: o primeiro do prof. Luli Radfahrer, “Para que serve uma monocotiledônea?”, uma aula fantástica e muito didática sobre o tema envolvendo a sala de aula; o segundo, publicado no Vimeo.com, We all want to be young, “O filme ‘We All Want to Be Young’ é o resultado de diversos estudos realizados pela BOX1824 nos últimos 5 anos. A BOX1824 é uma empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo”.

Por favor, comentem esta postagem, precisamos do debate para evoluir no tema.

Atualização 28/01/2011 – Série de entrevistas com Isaac Asimov, o mais celebrado autor de ficção científica de todos os tempos, sobre o impacto dos computadores no ensino, vejam aqui.

Atualização 11/02/2011 – Comentário feito pelo amigo e colega Alessandro Tocafundo, professor de Biologia nos colégios de Belo Horizonte, que enfrenta os problemas citados na postagem acima com muito mais intensidade. Não deixem de ler, complementa muito bem o assunto da postagem.

Sou educador. Há 25 anos estou nessa sala de aula que você descreve e disponho de quadro branco e canetas, além de projetor e computador para apresentações diversas. Posso até não utilizar nada disso, apesar da pressão da escola que nos lembra do investimento pesado que faz em “novas tecnologias”!

A dificuldade de concentração do estudante tem múltiplas origens: da estrutura física da sala de aula a sua desestrutura psíquica. O desinteresse pode ser provocado pela iluminação inadequada do quadro ou simplesmente porque ele não dispõe de vontade para estar ali.

Em sala de aula funciona dessa maneira, mas será diferente em outros ambientes? Vez ou outra não consigo escapar das salas de cinema repletas de jovens. Todos estão diante de uma tela gigantesca, projeção em 3D, som e imagem de última geração, o filme mais esperado do ano por eles. Logo, a sala deve manter-se em silêncio absoluto, ninguém atende o celular, levanta para comprar pipoca ou vai ao banheiro. Não. Diante de um espetáculo ganhador de vários prêmios, muitos falam ao celular, enviam e recebem sms, conversam, dispersam e por aí vai.

Solução? Mudar para o modo assíncrono! Ainda sobre os filmes, vejamos: espero o lançamento do DVD ou vou ali no Shopping Oiapoque e descolo uma cópia pirata. Vou para casa, assisto quando puder, quiser, com uma bacia de pipoca no colo, derramando coca-cola no tapete, pausa, falo horas ao celular, play, pauso novamente, mando um torpedo para os amigos dizendo que estou naquele momento do filme em que (…) Dou play de novo. O filme de uma hora e meia durou toda a tarde, no meu ritmo, do meu jeito.

EDUCAÇÃO pressupõe entender que o mundo não orbita seu umbigo! Que viver em sociedade é RESPEITAR o espaço dos demais e que DISCIPLINA é abrir mão de desejos pessoais quando isso favorece a convivência e a harmonia da coletividade.

Entre dois seres humanos, sincronicidade é palavra de ordem! É preciso investimento pesado em estratégias que permitam que o professor tenha tempo para conectar-se às demandas mais elementares desses “novos alunos” e ao meu ver a principal delas é: afeto. Não conheço software que faça isso por mim. Quem senta diante de um educador precisa estar disposto a ouvir, a se deslumbrar com a palavra e com o gesto. E se isso tem hora marcada para começar e para terminar, paciência. Esta precisa ser revista com urgência. O ambiente de sala de aula apenas reflete o que vivemos em outras instâncias. Nas repartições públicas, no trânsito, no comércio. Eu e minhas demandas: danem-se os outros. É A ASSINCRONIA FAMILIAR REPERCUTINDO EM TODA A SOCIEDADE. O filho quer atenção e ganha um celular de última geração. A dificuldade imposta pela sicronicidade é que as partes envolvidas precisam respeitar o momento do outro, controlar o desejo de impor a sua vontade e acolher uma demanda que não é a sua, mas é legítima e tem o mesmo valor.

Zé, entenda-me: quero esse “novo aluno” perto de mim. O educando é capaz de aprender biologia, matéria que leciono, no mundo virtual, nos livros e até comigo! Mas o que tenho a dizer, o que ele precisa ouvir e aprender, isso, meu amigo, essa oportunidade nenhum de nós pode perder, sob pena de estarmos fomentando uma sociedade individualista, altamente tecnológica e pouco provida do essencial: humanidade.

 

(este artigo foi escrito por zeluisbraga, e postado no meu blog zeluisbraga . wordpress . com) (this post is authored by zeluisbraga, published on zeluisbraga . wordpress . com)

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Consultor Independente, Treinamento Empresarial, Gerência de Projetos, Engenharia de Requisitos de Software, Inovação. Professor Titular Aposentado, Departamento de Informática, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Doutor em Informática, PUC-Rio, 1990. Pós-Doutoramento, University of Florida, 1998-1999

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Publicado em Educação, Reflexões, Tecnologia
24 comentários em “Sincronismo, sala de aula e as novas gerações…
  1. Jacson disse:

    Oi Zé,
    já pensou em tecnologias de ensino à distância, como o moodle (http://moodle.org) serem uma boa opção para o aluno? Tem, por exemplo, plugins que fornecem um vídeo, que pode ter o professor falando, e os slides síncronos para auxiliar o acompanhamento.
    Talvez seja uma opção disponibilizar o material para que o aluno estude quando quiser e chats ou mesmo aula presencial somente para retirar dúvidas.
    Se quiser dar uma olhadinha, veja o vídeo que o professor Ulisses fez no ambiente moodle que estávamos preparando quando ele ainda estava na Flux: http://www.fluxsoftwares.com/moodle/mod/autoview/view.php?id=107
    Tem também ambientes virtuais 3D que talvez forneçam uma boa opção.

    abs

    • A questão vai além de Moodle, Webct e PVANet, Jeiks. Essas são ferramentas apenas, que podem ser usadas para o bem ou para o mal. O problema é muito mais profundo e muito mais cultural, exige mudança de mentalidade antes de mais nada. Seria o mesmo que dar lanterna prá cego… abraço,

    • Jacson disse:

      Hum.. ok, eu havia pensado só em uma forma de deixar o conteúdo para os alunos trabalharem de forma assíncrona…
      Li os comentários e acho que entendi melhor agora.

      Se vc puder, gostaria que falasse mais de sua experiência em “INF430-Gestao de Projetos”.

      Mas deixa eu puxar um pouco mais o assunto…
      Bom, não dá para todas as disciplinas, mas dá para utilizar em várias. Os alunos me perguntam muito sobre o que eles vão aproveitar da matéria e muitas vezes eles ficam com ideia errada do funcionamento prático de alguns tópicos. Eu ministro ISL, Arquitetura, Sistemas Operacionais, Prática de Programação, IA e este semestre vou pegar uma turma com Compiladores. Estou querendo (ainda nos planos) fazer um trabalho amplo com eles, de em cada semestre fazer uma parte do sistema relacionada a disciplina, para no final, a turma ter o a arquitetura e o sistema próprio (seu hardware com seu código compilado pelo seu compilador). Talvez essa seja uma forma de mudar a mentalidade deles e despertar interesse em aprender os tópicos das matérias. Meu problema aqui é que tenho que cumprir com chamadas, horários, etc., por ser ensino particular, além deles geralmente trabalharem e não terem tempo extra-classe para grupos de estudo assim. Mas poderia ser algo assíncrono, com divisão de tarefas, prazos somente para entrega e desafios de definir e implementar os mecanismos através da política definida. Com a avaliação abrangendo a explicação do aluno sobre o item que o aluno mais contribuiu no projeto.

      Ainda acho que um grande problema é quanto a mentalidade do aluno, que muitas vezes não vem com ânsia de aprender, que acha que é só pesquisar no google que já descobre tudo, que tudo está muito acessível e por isso não precisa de professores. Por isso minha ideia em tentar cativar o despertar de aprender, não só sozinho em suas pesquisas, mas com as palavras vindas do conhecimento de outra pessoa (não sendo somente o professor)

      Talvez seria interessante um projeto global no curso.. onde os alunos procurarem pelos tópicos de cada disciplina na hora que eles achassem necessário. Eles também poderiam participar da formação da estrutura do curso, com opiniões e ideias de aprimoramento. A ideia seria lançar dúvidas na cabeça dos alunos e deixar que eles procurassem as respostas, os professores entrariam nisso, demonstrando para eles como chegar ao objetivo, abordando nesse momento o conteúdo de sua disciplina.

      Acho que eu viajei um pouco aqui no assunto.. mas estou interessado no tópico.

      abraços

    • Não viajou não, Jeiks. Os caminhos são esses mesmos. Uma alternativa seria você separar uma parte da turma como “voluntários” para essa nova experiência de ensinar, e não trabalhar com a turma toda. Tem riscos, pois se algum aluno de qualquer dos grupos não for aprovado na disciplina, pode dar alguma zebra pro seu lado. Isso é conversa para termos pessoalmente, por mensagem aqui no blog, impossivel. Passa na minha sala em fevereiro ou março, conversamos mais longamente. abraço,

  2. Ivo Santiago disse:

    Fala Zé!

    Gostei muito do seu texto. Estávamos debatendo justamente esse tema ontem aqui na república.

    Minha visão é de que as salas de aulas tem sim de se tornar ambientes mais modernos, que facilitem o debate e o aprendizado em equipe.
    Apesar de muitas pessoas terem esse mesmo sentimento não é estranho, por exemplo, que os alunos sejam ainda ensinados por um único mestre e que tenham de ser avaliados individualmente afim de mostrar que obtiveram conhecimento da matéria?
    Não seria mais interessante um modelo que avaliasse (mesmo que individualmente) o aluno dentro de trabalhos coletivos e que esse trabalho fosse uma oportunidade para o aluno também ensinar um pouco ao professor?
    Já vivi essa experiência de alunos mostrarem que ferramentas “simples” como o google docs já são usadas por para debater listas de exercícios e os professores simplesmente darem de ombro pra isso, que ao meu ver, é uma evolução. Os professores deveriam não só incentivar mas também participar das listas.

    Outro vídeo que ajuda a por lenha na fogueira do post é esse aqui Changing Education Paradigms – Sir Ken Robinson: http://www.youtube.com/watch?v=zDZFcDGpL4U&feature=player_embedded

    Grande abraço

    • Que ótimo que nossos alunos estão preocupados com isso, o que não é de estranhar na sua turma, que é bem avançada tecnologicamente. A disciplina que mais me deixou insatisfeito com relação ao uso das tecnologias para o ensino foi a INF430-Gestao de Projetos que vocês fizeram comigo. Fiz um tremendo esforço naquela disciplina, para uma turma que teria aproveitado muito melhor de um andamento assincrono, tipo “vai na aula quem quer, quando quiser, o material está disponivel, os trabalhos são em grupo, as avaliações idem…”. Não consegui fazer isso, principalmente porque a falta de tempo de professor de universidade pública é crônica, e ainda mais tendo que fazer tudo sozinho… mas vamos mudar, pode apostar.

  3. Muito bom!
    Este é um texto que eu gostaria de ter escrito 🙂
    Concordo com tudo que disse. Engraçado é que outro dia vi um post de blog tentando a todo custo colocar as aulas síncronas presenciais como absolutamente melhores do que qualquer outra experiência educacional. Obviamente há vantagens na presença física, mas o tom do texto dá uma boa mostra da famosa resistência dos seres humanos a mudanças.
    Parabéns Zé! Deu orgulho de conhecê-lo e de certa forma ser um amigo, ainda que meio virtual 🙂

    • Obrigado, Andriele. Vida de professor é osso duro, a gente faz o máximo que pode, e cai numa sala de uma geração de alunos tecnológicos, que em termos de tecnologia já avançaram muito mais que a gente. E ficamos lá com cara de idiota, tentando fazer os alunos seguirem aulas que não despertam nenhum interesse neles. A mudança é cultural, vem devagar, e eu tenho tentado mudar dentro das amarras das regras da universidade, regimentos, estatutos, MEC, Sesu, enfim,
      é muito pior do que parece…

  4. […] This post was mentioned on Twitter by José Luis Braga, vvmaciel. vvmaciel said: RT @zeluisbraga: Desafios da sala de aula síncrona para alunos e tecnologias assincronas, http://goo.gl/1Vk8m […]

  5. Leo disse:

    penso que uma alternativa é incluir ou ligar o assunto em discussão em sala de aula com as novas tecnologias que estão surgindo. exemplo: se vamos discutir sistemas operacionais é razoável estudar o android e/ou ios e contextualiza-los dentro do programa da disciplina. outro aspecto é a parte prática. os alunos tem enorme interesse em testar aquilo que é visto em sala de aula. a nossa área merece uma atenção especial para a prática. espero ter contribuido. abraços

  6. Sou educador. Há 25 anos estou nessa sala de aula que você descreve e disponho de quadro branco e canetas, além de projetor e computador para apresentações diversas. Posso até não utilizar nada disso, apesar da pressão da escola que nos lembra do investimento pesado que faz em “novas tecnologias”!

    A dificuldade de concentração do estudante tem múltiplas origens: da estrutura física da sala de aula a sua desestrutura psíquica. O desinteresse pode ser provocado pela iluminação inadequada do quadro ou simplesmente porque ele não dispõe de vontade para estar ali.

    Em sala de aula funciona dessa maneira, mas será diferente em outros ambientes? Vez ou outra não consigo escapar das salas de cinema repletas de jovens. Todos estão diante de uma tela gigantesca, projeção em 3D, som e imagem de última geração, o filme mais esperado do ano por eles. Logo, a sala deve manter-se em silêncio absoluto, ninguém atende o celular, levanta para comprar pipoca ou vai ao banheiro. Não. Diante de um espetáculo ganhador de vários prêmios, muitos falam ao celular, enviam e recebem sms, conversam, dispersam e por aí vai.

    Solução? Mudar para o modo assíncrono! Ainda sobre os filmes, vejamos: espero o lançamento do DVD ou vou ali no Shopping Oiapoque e descolo uma cópia pirata. Vou para casa, assisto quando puder, quiser, com uma bacia de pipoca no colo, derramando coca-cola no tapete, pausa, falo horas ao celular, play, pauso novamente, mando um torpedo para os amigos dizendo que estou naquele momento do filme em que (…) Dou play de novo. O filme de uma hora e meia durou toda a tarde, no meu ritmo, do meu jeito.

    EDUCAÇÃO pressupõe entender que o mundo não orbita seu umbigo! Que viver em sociedade é RESPEITAR o espaço dos demais e que DISCIPLINA é abrir mão de desejos pessoais quando isso favorece a convivência e a harmonia da coletividade.

    Entre dois seres humanos, sincronicidade é palavra de ordem! É preciso investimento pesado em estratégias que permitam que o professor tenha tempo para conectar-se às demandas mais elementares desses “novos alunos” e ao meu ver a principal delas é: afeto. Não conheço software que faça isso por mim. Quem senta diante de um educador precisa estar disposto a ouvir, a se deslumbrar com a palavra e com o gesto. E se isso tem hora marcada para começar e para terminar, paciência. Esta precisa ser revista com urgência. O ambiente de sala de aula apenas reflete o que vivemos em outras instâncias. Nas repartições públicas, no trânsito, no comércio. Eu e minhas demandas: danem-se os outros. É A ASSINCRONIA FAMILIAR REPERCUTINDO EM TODA A SOCIEDADE. O filho quer atenção e ganha um celular de última geração. A dificuldade imposta pela sicronicidade é que as partes envolvidas precisam respeitar o momento do outro, controlar o desejo de impor a sua vontade e acolher uma demanda que não é a sua, mas é legítima e tem o mesmo valor.

    Zé, entenda-me: quero esse “novo aluno” perto de mim. O educando é capaz de aprender biologia, matéria que leciono, no mundo virtual, nos livros e até comigo! Mas o que tenho a dizer, o que ele precisa ouvir e aprender, isso, meu amigo, essa oportunidade nenhum de nós pode perder, sob pena de estarmos fomentando uma sociedade individualista, altamente tecnológica e pouco provida do essencial: humanidade.

  7. Fabiana Lauxen disse:

    O Alessandro foi muito feliz em suas colocações. Fazendo uma analogia novamente com os filmes: Nas décadas de 80 e 90 eram mais comuns os filmes que tinham um tipo de professor que ensinava tudo, “o mestre”. Hoje os filmes que predominam são aqueles que “o cara” deu uma banana para a sociedade, fez da sua maneira e salvou o mundo.

  8. Daniella disse:

    Zé, só hoje li o post e achei muito interessante.
    Meus alunos vivem me cobrando mudanças na forma de avaliação da turma, porém tenho que seguir normas e padrões de avaliação pré-estabelecidos pelas faculdades onde dou aula (ambas particulares).
    O maior problema que enfrento é que a maioria dos alunos trabalham e tudo o que é relativo à faculdade, fazem no horário da aula, pois não dispõem de tempo para fazer em outro horário, ou seja, eles se dedicam à faculdade umas 3 horas por dia. E nesse tempo, querem deter todo o conhecimento. Diante disso, pergunto: como posso mudar a forma de avaliação de uma turma se os próprios alunos não mudam a forma como aprendem determinada matéria?
    Concordo que deve ocorrer uma mudança, mas essa mudança deve ser uma mudança cultural, onde todos os envolvidos na Educação se conscientizem de que a Educação do jeito que está, já não mais funciona da forma como deveria, não gera os resultados que todos almejam e está cada vez mais precária.
    Parabéns, Zé, pelo excelente post!

    • Uma tentativa que estou fazendo, é usar recurso de redes sociais para melhorar o processo de aprendizagem, cooperação entre os alunos, etc. Uma plataforma como o Ning, por exemplo, seria ideal, mas agora o uso dela é pago. Tem uma alternativa, o Elgg, que estamos usando aqui experimentalmente, é free e funciona bem. Blogs, wiki, twitter, mensagens, etc., bem usado e na medida certa, podem melhorar muito o processo, tornando pelo menos parte do aprendizado assincrono. E os alunos podem fazer parte das atividades em aulas de laboratório no horário de aulas. Tem que ir tentando, ferramentas existem, e já há vários grupos tentando outros caminhos. até,

  9. Igor Guadalupe disse:

    Grande Prof. José Luis…

    Fico feliz em ver este post e mais ainda por ver discussões acerca deste tema. Temos pesquisado bastante sobre como tornar o momento de sala de aula mais prazeiroso para alunos e professores e as vezes me pego perguntando sobre porque nao conseguimos alcançar este objetivo. Será que os objetivos de sala de aula dos professores dos alunos? Um vai pra ensinar… o outro será que vai pra aprender ou buscando interações(como diz o Luli Radfahrer)…. se o objetivo for de interação… as redes sociais assumem um grande papel no processo.
    Os alunos precisam estar no minimo interessados… acredito que o professor assume papel fundamental e levar ferramentar que despertem o interesse dos alunos…. se nao for pelo conteudo.. que seja pelo meio utilizado.

    Iniciei uma pesquisa recentemente sobre M-Learning… Mobile learning… Nos EUA há algumas experiencias interessantes sobre isso. Podemos futuramente trocar algumas figurinhas sobre isso.
    Grande abraço e parabens pelo Blog.

    • olá, igor. na verdade, já está em andamento aqui, com meus orientados de mestrado, o teste de redes sociais no aprendizado colaborativo, que nem é um tema tão novo assim, mas para nós continua sendo novidade. fizemos vários testes em disciplinas usando servidor próprio do projeto, e os resultados estão sendo muito bons. em breve vou postar sobre isso aqui no blog, e a primeira dissertação sobre o tema vai ser defendida em junho, ficou interessante, e já tenho outro aluno para dar sequência no trabalho. obrigado pela visita,

  10. Claudio Pires disse:

    Trabalho na área de educação a dez anos e acredito muito no potencial das novas ferramentas de comunicação. Atualmente mantenho em nove turmas que leciono duas ferramentas de apoio:

    Moodle
    http://www.moodle.org.br – Para o desenvolvimento e acompanhamento dos trabalhos

    SuaRede
    http://www.suarede.com.br – Para criar uma rede social privada com meu alunos

    Penso devemos aproveitar ao máximo todos os recursos de interação com nossos alunos.

    Um abraço,

    Prof. Claudio

    • Olá, Claudio, obrigado pela visita. Aqui na UFV, temos nossa própria ferramenta que funciona como um laboratório de pesquisa e desenvolvimento de ferramentas de ensino, o PVANet, https://www2.cead.ufv.br/sistemas/pvanet/geral/login.php
      Foi desenvolvido aqui integralmente, e hoje atende bem às nossas necessidades. O Moodle é nosso conhecido. Como ferramenta de rede, começamos a usar o Ning, que em seguida passou a ser pago, e passamos para o Elgg, http://elgg.org, que é muito interessante e dá muita liberdade para desenvolvimento. O desafio é enorme, as disciplinas se renovam a cada semestre, mas é muito interessante, e isso nos mantém no processo. abraço,

  11. […] fora do tempo e tomando surra da tecnologia. Tenho uma postagem recente sobre esse assunto: Sincronismo, sala de aula e as novas gerações…, recomendo a […]

  12. Olá, Encontrei este blog no site do ti especialistas. Cheguei no comentário do amigo do autor, e me surpreendi com as colocações que eram tão parecidas com que eu discutia com uma amiga ontem. Na parte citada “o que ele precisa ouvir e aprender, isso, meu amigo, essa oportunidade nenhum de nós pode perder, sob pena de estarmos fomentando uma sociedade individualista, altamente tecnológica e pouco provida do essencial: humanidade.” Era justamente isso que discutíamos. Trabalho com tecnologia, e estou iniciando tutoria em graduação e pós-graduação, na área de sistemas de informação. Apesar de viver no mundo tecnológico, não penso que somente o uso de tecnologias possa atrair estudantes. A sala de aula não deixou de ser atrativa, na minha opinião, por falta assincronia ou tecnologia. Ela não é atrativa pela falta de relevância do conteúdo apresentado, que é dado para se cumprir a ementa, que ás vezes é discrepante do propósito da educação. O conteúdo e o formato também não instigam a formação de opinião, crítica, além de pouco capacitar o aluno a ser um cidadão auto sustentável. A falta de uma conexão entre alunos e professores, a falta de afeto, e falta de discussões mais profundas, necessárias a formação de um indivíduo com espírito essencialmente humano, na minha opinião é também desmotivador. Acredito que se a sala de aula fosse um ponto de encontro síncrono, onde as pessoas que ali estivessem, permanecessem pelo prazer das companhias, pelo conteúdo interessante discutido, pela oportunidade de se expressarem, sem medo, sem censura, acredito que isso também complementaria a motivação para o estudo, ciência e tecnologia. Pessoas precisam interagir, e elas fazem isso, virtualmente ou não. Ouço muita gente comentando que as mídias sociais criaram as manifestações das ruas. Eu não acredito que foram as mídias, foram as pessoas que criaram. E isso ocorreria com ou sem mídia social, como já ocorreu no passado.
    Agora obviamente ignorar um veículo como a Internet, as mídias sociais, e a computação, cada vez mais ubíqua, seria um ato insano.
    A tecnologia como um meio para facilitar interações, troca de informações, mobilização social, qualidade de vida, entre outras coisas, é fantástica e deve ser explorada para apoiar o processo de ensino-aprendizagem e outros processos humanos. Mas o ser humano também precisa evoluir. Penso que há uma carência de sincronização da evolução tecnológica com a evolução do espírito humano. Este também deve ser provido de técnicas aptas a desenvolver nossa essência.

    • olá, viviane, obrigado por sua visita e seu comentário. esse assunto é um enorme desafio, e tenho me dedicado a ele nos últimos tempos. a grande pergunta é exatamente a que você formula: como é que vamos tornar a sala de aula relevante, com tantas distrações em volta? minha última investida, e que funcionou bem, foi associar o uso da tecnologia com técnicas de ensino baseadas em PBL – Problem Based Learning. Isso ai, associados com aprendizado colaborativo suportado por software de apoio de redes sociais, leva a ótimos resultados. Já testei aqui na graduação e na pós-graduação, e embora eu ainda não tenha coletado resultados e feito análises estatísticas para poder afirmar alguma coisa com segurança, já temos uma sensação de que a sala de aula melhorou. Você já ouviu falar da Escola de Redes? Recomendo que você se inscreva lá, e participe, http://escoladeredes.net/. Volte sempre,

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